Sábado, Outubro 31, 2009

O Liceu de Oeiras no 'nós por cá'



Sob o título Sol ou sombra? Requalificação da Escola Secundária de Oeiras arranca todas as árvores, o programa nós por cá da SIC apresentou em 27-10-2009 a reportagem que efectuou referente ao abate de árvores no Liceu de Oeiras, assunto que abordámos em 28-09-2009
aqui, em 03-10-2009 aqui e em 17-10-2009 aqui.

Regressamos hoje ao tema para disponibilizar a quem não teve oportunidade de a ver, a mencionada reportagem do nós por cá:


fotografia: 19-02-1988 © josé antónio • comunicação visual

Sábado, Outubro 17, 2009

Liceu de Oeiras - opinião duma leitora


Na sequência da nossa peça atentado terrorista de lesa-património natural e paisagístico, que em 30-09-2009 publicámos aqui, recebemos via email com pedido de publicação o seguinte texto:


Qualquer projecto de reabilitação urbana deve analisar os valores patrimoniais do objecto de intervenção, identificar os elementos que o caracterizam, que fazem parte da sua história e da sua identidade para os preservar e valorizar. O património natural de uma instituição não tem menos valor que o património construído. Um e outro, definem um todo, que contribui para a identidade da instituição e para a riqueza de uma região.


Qualquer projecto de reabilitação que não respeite isto é gratuito, é um projecto insensível que não respeita os utentes, nem a história do objecto a intervencionar, pelo que será sempre uma forma agressiva de intervenção. O espaço habitável não é propriedade do seu criador, nem do reabilitador, ele é público. Arrasar o existente, neste caso o património natural da antigo Liceu de Oeiras, hoje E. S. Sebastião e Silva de forma indiscriminada, para reconstruir novo, por decisão unilateral das forças do poder, além de ser uma atitude agressiva, abusiva, é um atentado ecológico sobre uma zona verde, com uma escala muito considerável, dada pelos anos e pela variedade das espécies de muitas árvores, a qual dava uma envolvência e uma climatização especial a quem fruia o seu espaço interior e exterior.


Qualquer razão que pretenda dar predominância a um determinado tipo de arborização, (vegetação mediterrânica, segundo informação obtida) será válida, mas essa opção teria sempre que respeitar os exemplares magníficos que faziam parte da identidade da Escola e que professores e funcionários ensinaram a preservar. A escola ensina, entre muitas coisas, a preservar o património, entendido este em sentido lato. A lição, que os alunos tirarão deste atentado ecológico, é que basta ter poder, para atentar contra o esse mesmo património.

Onde está a cidadania na atitude de arrasar a zona verde da Escola?


Por outro lado a sociedade portuguesa é e sempre foi multicultural, a própria fauna e a flora das várias regiões foi-se enriquecendo com a variedade de espécies que foram levadas de umas regiões, de onde eram naturais, para outras. Então porquê acabar com essa riqueza de exemplares de várias espécies do património natural da Escola, onde exactamente, por ser escola, a variedade de espécies deveria ser assumida como um atributo valorativo do património natural. Se a escola é multicultural, porquê uniformizar a vegetação com o sacríficio de várias espécies. A lição que o cidadão deve tirar deste abate das árvores, é que, para as forças do poder, uniformizar é um objectivo que justifica o crime ecológico, que feriu a identidade e o valor patrimonial da Escola.


Claro que, também não se pode deixar de pensar, que o abate, o corte, o transporte, a compra e a plantação de novas unidades é uma dinâmica que economicamente interessará a muitos. Mas recuso aceitar que o interesse económico prevaleça sobre o valor ecológico e o valor patrimonial da Escola.

Como cidadã e como professora, que fui da Sebastião e Silva, deixo aqui a minha indignação.

Helena Gonçalves


nota: As linhas brancas são da nossa responsabilidade para facilitar a leitura.


Sábado, Outubro 03, 2009

da caixa de comentários


Este comentário foi colocado na peça imediatamente abaixo desta, intitulada "atentado terrorista de lesa-património natural e paisagístico". Pela sua importância decidimos dar-lhe mais visibilidade.

As entrelinhas em branco são da nossa responsabilidade, para facilitar a leitura:


"É com prazer que reconheço as fotos que consegui tirar com o telemóvel quando aquele acto de vandalismo estava a ser concretizado. Na sequência redigi com uma amiga o texto do abaixo assinado que numa semana recolheu mais de 300 assinaturas e que entreguei em mão no minstério da educação e na Parque Escolar.O tempo era curto e as pessoas envolvidas no protesto, muitas delas a trabalhar no liceu de Oeiras sentiram da parte da direcção da escola hostilidade que podia levar a intimidação pelo facto de se sentirem indignadas e solicitarem explicações.Só espero que contribua para a divulgação da "ocorrência"que infelizmente é mais uma das muitas que cada vez mais sucedem pelo país fora e com o maior dos despudores e que infelizmente só se conseguem travar quando divulgadas nos media, já que podem por em risco resultados eleitorais, negócios e "empregos".


O caso do liceu de Oeiras parece envolver inúmeros interesses, sendo os mais notórios, os dos poderes nacionais e locais -apresentar obra feita em propaganda eleitoral- e os da Empresa Parque Escolar, que teve carta branca do governo para gerir verbas astronómicas de fundos europeus, libertadas para o governo pelo banco central europeu.


Com elas se decidiu requalificar os edifícios das escolas portuguesas, objectivo que o governo definiu como prioritário para a melhoria da educação pública.

A Parque Escolar tratou de enunciar como estratégia um conjunto de requisitos que passaram a essenciais para os muito repetidos "desafios do futuro ", onde estará sempre presente, qual divindade da nova era, o mundo digital.


Mas não só. Déspotas esclarecidos pretendem dotar JÁ e talvez julgando que para a eternidade as escolas com espaços projectados de propósito par albergar um tipo de ensino, de curriculos, de conteúdos e de metodologias. Não se verificou no entanto em paralelo nenhuma tentativa de estudo sério dos programas nem das estruturas curriculares, continuando o ensino secundário em Portugal a produzir alegremente gerações de analfabetos e de seres humanos incapazes de ler, racicionar, questionar e decidir.E uma reforma do ensino que custa milhões de euros gastos em operações de cosmética e de propaganda.


Nessa operação concertada vários interesses avançam: as empresas de construção e venda de equipamentos contratadas por ajuste directo, os interesses locais nos futuros in vestimentos que poderão valorizar o solo e o edificado, para o aumento das receitas nos impostos. Em simultâneo a ignorância científica e a cada vez maior iliteracia da população, é justificada com a má qualidade dos professores que interessa castigar, até porque a população aplaude.


Reina portanto o pato bravismo e o novo riquismo no país e na educação.

No caso das obras no liceu de Oeiras, a "requalificação da escola" teve requintes. Considerou a Parque Escolar e o ministério, essencial para essa requalificação, a tábua rasa sobre a memória. Pretende-se talvez um cidadão novo acéptico e pouco pensante, onde não terão lugar quaisquer préexistências.


Para esse fim julgou decerto politicamente incorrectos os jardins do liceu onde a imponência de muitas das árvores que com o passar dos anos conferiram dignidade aos espaços exteriores e definiam uma forte identidade ao lugar onde todos sentiam uma sensação de pertença.

Tratou-se portanto de uma intervenção (des)educativa regime: as àrvores cortadas são a metáfora do abate dos valores que justificam a época onde, sem ideologia, a sociedade se vai afndando em fundamentalismos fanáticos."


Segunda-feira, Setembro 28, 2009

atentado terrorista de lesa-património natural e paisagístico



Um sinistro 'atentado terrorista', de contornos quasi kafkianos, foi e continua a ser perpetrado por energúmenos - que outra coisa lhes poderei chamar?! - que se auto-denominam arquitectos e engenheiros na Escola Secundária Sebastião e Silva - o antigo e nosso mui estimado e amado Liceu de Oeiras!

Sim, esse, o das grandes e belas recordações da nossa adolescência. Das nossas ambições, dos nossos êxitos e fracassos, dos nossos sonhos, do nosso experimentar e testar as pessoas, a vida e o mundo, dos nossos namoricos efémeros, da nossa vida enfim.



Inaugurado em 18 de Outubro de 1952, este estabelecimento de ensino, de grandes tradições, era até há poucos dias, um dos melhores exemplares da arquitectura de Estado Novo para esta tipologia de edifícios.


Ao longo dos seus 57 anos de existência, poucas ou nenhumas foram as alterações que lhe fizeram na traça original, pelo que qualquer estudante de arquitectura ou história o podia utilizar como modelo de arquitectura da mencionada tipologia.

A maioria das alterações passaram apenas por construção, efémera, de pré-fabricados e pequenos acrescentos nos pátios exteriores.


O triste e funesto drama que o Liceu de Oeiras está a viver conta-se em poucas palavras:

O Ministério da Educação decidiu - 2007 ou 2008 - promover obras de melhoramento no edifício, e avançou com um projecto de intervenção. Não foi questionada a justeza do mesmo, pois o edifício apresentava alguns aspectos de degradação interior, como humidade, e necessitava de intervenção para melhorar as condições de trabalho.

O projecto foi aprovado pela autarquia e as obras avançaram, cremos que em meados de Agosto último.


O que ninguém augurava é que a coberto dessa intervenção, que se pensava seria apenas no edifício em si mesmo, em particular e só no interior, se assistisse a uma intervenção também nos espaços exteriores, na envolvente paisagística, nomeadamente nos pátios, densamente arborizados com magníficos espécimes de árvores - amendoeiras e tílias, p.ex. -, também elas sem dúvida, além do edifício, património, pois estavam perfeitamente integradas na paisagem envolvente do edifício, sendo que muitas, não duvidamos, pelo seu porte seriam da data de construção do Liceu - 57 anos, recordemos. Ora acontece que diversas destas espécies foram abatidas, arrancadas, e outras têm o mesmo destino prometido. Fala-se em números que rondam os 130 exemplares de árvores arrancadas!!


Que os espaços exteriores pudessem ser alvo de alguns melhoramentos, aceita-se e compreende-se.

O que consideramos um verdadeiro acto de terrorismo é o corte daqueles belos e enormes exemplares de espécimes arbóreos, cada vez mais raros na nossa paisagem. Árvores perfeitamente integradas nos espaços a que pertenciam, e que proporcionavam abrigo nas suas copas a centenas de avezinhas que as procuravam, quer para construir ninhos, quer para se alimentarem de insectos, assim como abrigavam as pessoas da chuva, que as procuravam em chuvosos dias de Inverno, ou do sol inclemente nos dias quentes de Verão.


Ficam aqui algumas fotografias do Pátio da Amendoeira, antes e depois do atentado, onde se pode apreciar a profusão e diversidade de espécimes que existiam e desapareceram:



Mais fotografias podem ser vistas no Flickr:


- Fotografias do Liceu ANTES das obras, em várias datas: http://www.flickr.com/photos/42019201@N05/sets/72157622459745684/


- Fotografias do Liceu AGORA, após início das obras: http://www.flickr.com/photos/42019201@N05/sets/72157622336707297/


nota 1: Está a correr um abaixo-assinado (papel) sobre este tema.


nota 2: O programa "Nós por Cá" da SIC esteve na ESSS, após lhe ter sido feita uma denúncia, e aguarda-se que a reportagem seja exibida.


nota 3: Foi igualmente efectuado um contacto com a Quercus, aguardando-se desta uma resposta.


Sobre a história interessantíssima do vetusto Liceu Nacional de Oeiras, clique aqui.


Aceda também à Associação de Antigos Alunos e Amigos do Liceu Nacional de Oeiras / Escola Secundária Sebastião e Silva, aqui. Se lhe agradar e for do seu interesse, convidamo-lo a registar-se no site.


Não fiquemos indiferentes aos desmandos desta corja de tecnocratas despudorados e sem rumo que destroem o nosso património natural !!


Quarta-feira, Setembro 09, 2009

o excelso sentido cívico do tuga...


Estes restos de mobiliário com algum volume foram deixados ontem de manhã ou à tarde próximo dos contentores de lixo, na Rua da Quinta da Serra, na Quinta do Marquês em Oeiras, vá-se lá saber por quem.

Para dar uma melhor localização, esta rua está paredes-meias com o Pingo Doce de Sassoeiros, por trás da Quinta da Serra, que dá o nome à rua.

Junto deles estavam também uns cortinados que, esses, depressa levaram sumiço. Mas o resto ficou a emporcalhar o passeio e a transtornar os transeuntes.


De noite passou o carro da recolha de lixo, passa por volta das 03h da madrugada, que é claro não recolheu esta tralha pois não é da sua competência ou interesse. Talvez, na melhor das hipóteses, e é só uma suposição, um dos homens da recolha avise os colegas que fazem a recolha de grandes volumes, que passa, creio, às quintas-feiras, para passarem por ali. Quem sabe? Pode ser que sim, pode ser que não...


Seja como for, todo o munícipe sabe que lixo destas dimensões e natureza não é recolhido pela recolha de resíduos domésticos e deve ser colocado em dia próprio e a certas horas na rua.


Será que é ignorância ou é mesmo e só falta de civismo?!


Note-se que não falo de uma urbanização 'pobre', da classe baixa, média-baixa ou média. Esta rua situa-se numa urbanização maioritariamente habitada pela classe média / média-alta.

Faço também notar que situações como esta e mesmo mais importunas, com objectos de dimensões maiores e em maior número, são frequentes nesta zona e não só no local aqui considerado.


fotografia 09-09-2009, 15h37 © josé antónio • comunicação visual


Quinta-feira, Julho 02, 2009

Joana Pedro - O tempo que me faz voltar

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O Sebastião (17 anos), filho de uma amiga minha de Oeiras, a Teresa (Tareca), concluiu com êxito o curso de audiovisual que fez na EPCI e como trabalho final realizou e apresentou um teledisco que, penso eu que gosto de pensar coisas, ficou excelente, e mostra bem a dedicação, o sentido estético e a qualidade profissional do moço.
Vejam e pasmem!



No YouTube, onde está o video, lê-se:

"Realizado por Sebastião d'Almeida. Pap do curso de audiovisuais do 3º ano da escola EPCI, TeleDisco de apresentação do projecto a solo de Joana Pedro, e da musica "O tempo que me faz voltar"".

Convido-vos também a visitar o YouTube, clicando AQUI, onde poderão dar-lhe uma força, avaliando o trabalho - as estrelas à esquerda debaixo da janela - e mesmo deixando os vossos comentários.

FORÇA, SEBASTIÃO!
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Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

lugar aos poetas II

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De Carlos Santos Bueno*, com pedido de publicação, recebemos:


Canção à moda do Zeca

Por vezes a loucura salva,
Do branqueamento da razão,
Da memória, e da luz alva,
Da manhã da inquietação!

Porque loucura é a ressalva,
De quebrar, esmorecer em vão,
E morrer como a murcha malva,
No baldio duma estação!

Porque loucura é a grinalda,
Que recebe o vento, e não,
O freguês que vive em balda,

[Refrão]
Para o que pensa a opinião!
E se não, que honra salda,
O branqueamento da Nação?

27/09/2007


*
Carlos Bueno é um poeta oeirense, com 2 livros de poesia publicados: "As Margens Vermelhas" (Minerva) e "Os Jardins do Éden" (ed. autor).

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008

lugar aos poetas

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recebido via email com pedido de publicação:


As Torres do Isaltino Morais

O Isaltino Morais que é tio,
Quer lotear a fundição de Oeiras.
No lugar do picadeiro do rio,
Um estacionamento cheio de poeiras.

No lugar do Beer Hunter que tem brio,
O acesso a uma rotunda sem beiras.
No lugar da fundição que serviu,
Doze torres em betão sem eiras.

E se foi para isso que os moradores,
Da Medrosa votaram no Isaltino,
Oh, poderoso autarca, que dás dores,

Livra-nos de ti, usa o tino,

Deixa a Medrosa aos eleitores,
Que votámos num qualquer cretino!

Carlos Santos Bueno
20/08/2008


n.b.: O autor é um poeta oeirense, com 2 livros de poesia publicados: "As Margens Vermelhas" (Minerva) e "Os Jardins do Éden" (ed. autor).
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Quinta-feira, Abril 17, 2008

O Legado Islâmico em Portugal

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Dentro do programa de Iniciativas 2008 da ESPAÇO e MEMÓRIA vai ter início o Curso:



1.º Módulo
Direcção - Abdallah Khawli

Auditório César Batalha, Galerias Alto da Barra, Oeiras

10 de Maio, 9:45h - 12:45h
Urbanismo e Arquitectura (1)

16 de Maio, 18h - 20h
O Gharb al-Andalus - Sécs. VIII - XIII (1)

17 de Maio, 9:45h - 12:45h
O Gharb al-Andalus - Sécs. VIII - XIII (2)

24 de Maio, 9:45h - 12:45h
O Islão - Origens, Formação e Expansão

30 de Maio, 18h - 20h
Urbanismo e Arquitectura (2)

07 de Junho, 9:45h - 12:45h
Urbanismo e Arquitectura (3)

VISITAS:

31 de Maio, 08h - 20h
SILVES: castelo, alcácova e museu / Arrifana: Ribat
Abdallah Khawli

07 de Junho, 13:30h - 16h
Almoço de Curso
[ Local e condições a definir ]

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
Junta de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra: 21 441 64 61
Espaço e Memória - www.espacoememoria.org: 91 260 87 20 /91 998 78 08
CURSO: Sócios e estudantes € 35 / Público € 70
Inclui material de apoio

Visita a Silves e Arrifana (transporte assegurado para as trinta primeiras inscrições; almoço livre)
Mínímo de inscrições: 30 / máximo: 60
APOIOS: Junta de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra e Câmara Municipal de Oeiras

2.º Módulo
Direcção - Abdallah Khawli / Participação - Joaquim Boiça

13 de Setembro, 9:45h - 12:45h
A Sociedade Islâmica do Gharb al-Andalus

20 de Setembro, 9:45h - 12:45h
Cultura Material e Imaterial (1)

27 de de Setembro, 9:45h - 12:45h
Cultura Material e Imaterial (2)

04 de Outubro, 9:45h - 12:45h
O Islão no Mundo Actual

11 de Outubro, 9:45h - 12:45h
O Legado Português em Marrocos

18 de Outubro, 9:30h - 18h
Ciclo de Conferências
[ Programa a divulgar oportunamente ]


VISITAS:

24 de Maio, 15h - 18h
LISBOA: Bairro Islâmico do Castelo de S. Jorge / Mesquita de Lisboa
Maria Ramalho / Abdallah Khawli; Abdul Karim Vakil / David Munir

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
Junta de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra: 21 441 64 61
Espaço e Memória - www.espacoememoria.org: 91 260 87 20 / 91 998 78 08
CURSO / Visitas / Ciclo de Conferências: Sócios e estudantes € 35 / Público € 70
Mínímo de inscrições: 30 / máximo: 60

Marrocos - Circuito Histórico
Abdallah Khawli / Joaquim Boiça

20 Outubro
Lisboa / Tanger


21 Outubro
Alcacer Ceguer / Arzila / Rabat


22 Outubro
Casablanca / Azamor / Mazagão


23 Outubro
Rabat / Volubilis / Fez


24 Outubro
Fez

25 Outubro
Chouen - Tétouan

26 Outubro
Ceuta / Lisboa

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
Junta de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra: 21 441 64 61
Espaço e Memória - www.espacoememoria.org: 91 260 87 20 / 91 998 78 08
INSCRIÇÃO: Máximo: 50 pessoas / Pré-inscrição: 15 Maio - 30 Julho

CONDIÇÕES E PAGAMENTO: a anunciar oportunamente
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Domingo, Fevereiro 17, 2008

Carlos A. Saraiva

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Faleceu no passado dia 14 Fevereiro 2008 Carlos A. Saraiva, Jornalista e Director do Jornal de Oeiras.

Recebi a chocante e abrupta notícia através dum telefonema duma amiga, que mo tinha apresentado numa inauguração duma exposição, locais onde era frequente eu ver o Carlos sempre com a sua indispensável máquina fotográfica ao pescoço.


Dada a habitual presença de muita gente conhecida neste tipo de eventos e a confusão que sempre se gera, para além de breves cumprimentos nunca tive oportunidade de trocar algumas palavras com o Carlos.

Sinto que perdi muito. Sinto que teríamos muito a dizer um ao outro. Sinto que poderíamos ter partilhado muitas das nossas experiências. Ele, o jornalista, eu, o gráfico de jornais e revistas.

Recordo e recordarei sempre o enorme prazer que me dava ler a sua coluna semanal "Um Homem na Cidade" no jornal que dirigia.

Não me esquecerei também da última vez que o cumprimentei, na exposição/homenagem a Igrejas Caeiro, no Palácio dos Aciprestes, no recente dia 7 Fevereiro 2008. O sorriso afável, o olhar brilhante, o aperto de mão caloroso, a indicarem um homem bom em quem se podia confiar e acreditar.

Não vou esquecer o Carlos !

imagem - digitalizada do Jornal de Oeiras
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Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

AMRAD II

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Escola Aberta à Ciência e Tecnologia no IST-TAGUS

AMRAD

Leia também os interessantes comentários

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Sábado, Janeiro 05, 2008

AMRAD

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Quando acedemos ao site da AMRAD - Associação Portuguesa de Amadores de Rádio para a Investigação, Educação e Desenvolvimento- para espreitarmos as condições meteorológicas em Oeiras, site que está AQUI, não imaginamos o que esteve e está por trás do site e daquele manancial de informação.

Curioso, sobretudo em descobrir a localização da estação, fiz uma pesquisa na net e encontrei alguns links interessantes, que nos dão uma ideia da coisa e que forneço aqui em baixo (clicar neles). Outros links permitem aceder a mais informação. Vale a pena explorá-los.

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Sexta-feira, Julho 13, 2007

por falar em Lisboa...

. ... digo eu, que gosto de dizer coisas...

imagem: © josé antónio 2007 - CLIQUE PARA AMPLIAR
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Sábado, Junho 23, 2007

JAZZ 2007

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Caros leitores ditos pessoas que lêem as letrinhas que alinho umas a seguir às outras como se foram pedrinhas numa vã glória de fazer sensato sentido avizinha-se aprochega-se a passos largos galopantes o já tradicional e incontornável e imperdível

Ciclo Internacional de Jazz 2007


Para os muitos apreciadores que sei os há muitos e aos montes ou às carradas ou galeras pejadas e camiões barcos e vapores ou com o meio de transporte que o poder puder cuidado com o poder com licença aqui fica a programada programação até ao momento disponibilizada veiculada pela DASC/DCT - Sector de Acção Cultural da C.M.O.

Adianto que em contacto por mail pois que deitei fora as bandeiras de sinais e o telégrafo que fiz com o responsável Paulo Afonso, no sentido de procurar averiguar e indagando ficar a saber se já estava definido o lugar para o evento, foi esta a resposta que rápida e electronicamente por simplex sistema binário recebi:
"Estão em aberto dois locais - Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras e Aud. Mun. Ruy de Carvalho, em Carnaxide.
Tudo aponta que será em Carnaxide mas só no final deste mês/inicio de Julho poderei afirmar o local exacto.
Existe ainda a possibilidade de ser acrescentado um fim de semana aos já anunciados."

PROGRAMA
21 de Setembro - 22h00
Projecto Edgar Caramelo (Portugal)
Edgar Caramelo - Saxofones alto e tenor, direcção
Vasco Agostinho - Guitarra
Ana Araújo - Piano
Hugo Antunes - Contrabaixo
Bruno Pedroso - Bateria

22 de Setembro - 22h00
Steve Wilson Quartet (USA)
Steve Wilson - Saxofones alto, Flauta
Danny Grissett - Piano
Ed Howard - Contrabaixo
Adam Cruz - Bateria

28 de Setembro - 22h00
Human Feel Quartet (USA)
Andrew D'Angelo - Saxofone alto, Clarinete baixo
Chris Speed - Saxofone alto, Clarinete
Kurt Rosenwinkel - Guitarras
Jim Black - Bateria

29 de Setembro - 22h00
Drew Gress Quintet (USA)
Ralph Alessi - Trompete
Tim Berne - Saxofone alto
Craig Taborn - Piano
Drew Gress - Contrabaixo
Tom Rainey - Bateria


Bilhete à venda a partir de 01 de Agosto de 2007

Preços
Plateia - 8.00 € / Balcão - 6.00 €
(desconto de 20% para - 25 anos e + 65 anos)

Locais de Venda
Loja CMO/Oeiras Parque; Lojas FNAC, ABREU, BLISS e WORTEN, Livraria Bulhosa Oeiras Parque e www.ticketline.pt (Reservas: 707 234 234)
Portal IOL, Portal CLIX, El Corte Inglês, Livrarias Bertrand, Livrarias Almedina, Livraria Letra e www.plateia.iol.pt (Reservs 214 346 304)
No local, nos dias de espectáculo, a partir das 18h00.

Informações - 21 440 85 82 / paulo.afonso@cm-oeiras.pt

Marque na sua agenda!

imagem: © josé antónio 2007 - CLIQUE PARA AMPLIAR
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Sexta-feira, Maio 25, 2007

Thinking Blogger Award

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O Rememorar Oeiras foi distinguido com o Thinking Blogger Award pelo OEIRAS LOCAL, a quem agradeço a honrosa distinção.

Como determina o regulamento, cumpre-me a obrigação de eleger 5 blogs para receberem o Prémio. Tarefa árdua, porque os há muitos e de excelente qualidade. Aqui ficam os meus 5 nomeados por ordem alfabética:

CHAMA LUNAR

EternamenteMenina

[guerrilhas]

Poesia Portuguesa

Reflexões


Os nomeados devem copiar o logotipo (button) do 'Award' e colocar na barra lateral do seu blog. Depois é só escolher cinco blogs e fazer um Post indicando-os.

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Segunda-feira, Maio 07, 2007

in memoriam

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

reminiscências

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Existem reminiscências de tempos antigos (não muito...), com as quais nos vamos cruzando por aí, no concelho de Oeiras, e que nos transportam a um tempo em que havia menos casas, poucos prédios, diversas quintas, e muitas das ruas de hoje ainda eram estradas, caminhos ou azinhagas (...)
Ver mais AQUI

imagem: ©2007 comunicação visual/josé antónio CLIQUE PARA AMPLIAR
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Sábado, Dezembro 16, 2006

mobilidade

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Hoje venho falar dum caso quase paradigmático das questões que aqui (Oeiras Local) se têm levantado sobre a mobilidade, as barreiras arquitectónicas e a facilidade de circulação para os peões, com particular incidência naqueles que têm problemas de mobilidade pelas mais diversas razões, como os deficientes e os idosos.
A estes acho justo acrescentar-se, num plano paralelo, as crianças e adolescentes púberes, na medida em que estes, pela sua natureza juvenil e irrequieta, tendem a circular de forma irreflectida, correndo uns atrás dos outros pelos passeios, na ida para a escola ou no regresso a casa, e a falta de passeios com corredores onde a circulação seja fácil e desimpedida, 'empurra-os' para a via pública, potenciando a ocorrência de atropelamentos.

Passemos então ao caso de hoje:
Em primeiro lugar refiro que a obra não tem muitos anos.
Trata-se em concreto da arborização da Rua Cidade do Mindelo, uma via paralela à Estrada Marginal, frente à Bateria do Areeiro, na Freguesia de Oeiras e São Julião da Barra. A citada rua está no enfiamento da Rua São Pedro do Areeiro e dá acesso à rotunda próximo do Inatel. Faço notar que é uma via com muito trânsito.

As dificuldades à circulação dos peões estão no passeio do lado direito (para quem sobe a partir da rotunda).
O passeio está cheio de caldeiras com árvores jovens, Casuarinas, que se situam exactamente a meio do mesmo, não deixando quase espaço para circular.
A rua já tem uns anos, mas o porte das árvores indicia que foram lá colocadas há pouco tempo.

Quando é imperioso arborizar para proporcionar algumas sombras, tão necessárias no Verão, para arrefecer a atmosfera e purificá-la, e o passeio é estreito, que remédio. Se não há alternativa, colocam-se as caldeiras no meio do passeio e espera-se que quem tem dificuldades consiga encontrar um solução que lhe permita usar a via, ou procurar outra.
Agora se existe uma alternativa, o simples bom senso dita que deve ser implementada.
Ao que sei a Lei das Acessibilidades implica que os passeios tenham um corredor mínimo de 1,2 m., se não estou em erro, desimpedido de obstáculos, para um passeio com 2,4 m., ficando o restante para árvores, candeeiros e outras estruturas. É claro que numa rua antiga, onde já não há espaço, pouco ou nada pode ser feito neste sentido. A lei aplica-se aos arruamentos novos. Se aquele arruamento não o é (lembro-me dele já existir há uns 10-11 anos), pelo menos as árvores são-no. A primeira versão da lei saiu em 1997, e as árvores foram lá colocadas há pouco tempo. Seguramente há menos de 9 anos.
E não se percebe porque é que foram lá colocadas, na medida em que o citado passeio está separado da Estrada Marginal por uma faixa de terreno semi-arborizada, com cerca de 200 a 250 m de extensão e 10 ou 12 de largura onde nada existe a não ser algumas velhas árvores e muito mato rasteiro.

Esta faixa é uma barreira importante naquele local para separar a zona residencial da Marginal, daí a importância de a manter, mas porque é que, ao invés de colocarem as Casuarinas no passeio, obstruindo a passagem, não adoptaram uma solução, p.ex., como aquela que foi adoptada um pouco mais à frente, junto à Feitoria e à Torre, em que o separador está relvado e cheio de palmeiras, as quais parecem ser, aliás, um dos fetiche desta edilidade? O passeio que ladeia esta faixa separadora não tem obstáculos.
E se as caldeiras já lá estavam, isso não era impedimento. As mesmas são apenas aberturas na calçada que podem ser facilmente calcetadas para regularizar o piso.

Passo à apresentação das fotografias:


A Rua Cidade do Mindelo vista da Rotunda. O acesso à Estrada Marginal (Lx) e ao Inatel faz-se por uma passagem inferior do lado direito da foto.
Como se pode observar o passeio do lado esquerdo também não é alternativa, pelos candeeiros que lá estão.

Aqui pode melhor apreciar-se o passeio com as ditas caldeiras e respectivas árvores, a faixa separadora semi-arborizada, e divisa-se ainda um pouco da Estrada Marginal, à direita.

Nesta imagem duma das caldeiras pode observar-se como é ridiculamente exíguo o espaço para passar, mesmo para alguém sem problemas. Sobretudo se os carros estacionarem mesmo encostados ao passeio. Nota-se ainda que a faixa separadora está sustentada por um murete de razoável altura que, também ele, estreita a passagem.
Este ponto é aproximadamente em frente à entrada para o Inatel, para quem circula na Marginal no sentido de Lisboa.

A situação mais caricata de tudo isto é que a poucos metros da caldeira da foto anterior, existe uma passadeira para peões com lancis rebaixados, num claro convite à circulação, p.ex., em cadeira de rodas. Certamente para a pessoa chegar ao outro lado e voltar para trás, após perceber que por ali chega a um beco sem saída...


Conclusão:
Quem projectou a colocação daquelas árvores ali, não tem o mínimo respeito, já não digo pela lei, mas pelos cidadãos. Toda aquela situação é no mínimo caricata e demonstra falta de bom senso.
É certo que a rua já lá estava. Mas acredito que era possível uma solução melhor.


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Todas as imagens: 15 DEZ 2006, entre as 15:07 e as 15:16.

imagens: © comunicação visual 2006
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Domingo, Novembro 26, 2006

a propósito dum comunicado da CMO

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O comunicado da CMO que aqui reproduzo apareceu na minha caixa de correio em 20 de Novembro último. Desconheço a extensão geográfica da sua distribuição. Sei que foi distribuído no meu prédio. Por aludir à Qta. do Marquês, presumo que tenha sido distribuído em toda esta.

Que a forma como os munícipes se relacionam com os lixos que produzem é um drama, não subsistem dúvidas.
Que é importante alertar e sensibilizar regularmente os munícipes para o tratamento mais adequado a dar aos lixos domésticos e a melhor forma de utilizar os canais disponíveis para escoamento e tratamento desses mesmos lixos e resíduos, também não merece reparo.
Que a edilidade é a entidade mais competente e melhor colocada, até pelos meios de que dispõe, para o fazer, também parece óbvio. Além da evidente responsabilidade da mesma em o fazer.
Que existem ainda imensas pessoas que por irresponsabilidade, falta de sentido cívico e de consciência ecológica, puro desleixo e deseducação ou simples ignorância, se estão 'nas tintas' para o assunto, também não constitui novidade e, mais ainda, não deixa de ser algo que neste espaço virtual, às vezes tão real, não tenhamos já abordado e assim vamos continuar a fazer.
No sentido exposto acima, o comunicado da CMO seria apenas isso. Um correcto e normal alerta para a realidade de certo problema e para a melhor forma de o resolver.

Contudo, o seu teor e linguagem não podem deixar de me incitar a tecer algumas considerações sobre uma certa irresponsabilidade do actual executivo, e da ineficaz tentativa deste de 'tapar o Sol com a peneira'...

Logo para começar, o comunicado refere-se a um determinado e específico ecoponto. Conheço-o e confirmo a veracidade do que é dito e da fotografia que o ilustra. Por diversas vezes passei por esse ecoponto e apercebi-me do acumular de sacos no chão à sua volta. Sacos com evidência de conterem lixos domésticos, detritos orgânicos. Detritos que o vento e os animais vadios espalham, conspurcando a zona. Nunca usei esse ecoponto porque tenho um mais perto da minha casa, mas conheço-o bem.

Agora a primeira questão que coloco é o facto da CMO, no seu comunicado, 'meter tudo no mesmo saco'. A Qta. do Marquês é muito vasta.
Para não estar a 'falar de cor' dei uma volta a pé pelo bairro com o objectivo de identificar os ecopontos que nele existem.
O resultado foi o seguinte:


Na imagem, obtida no Google Earth, apresento a localização aproximada de todos os Ecopontos e Papelões que encontrei. Admito que me possa ter escapado algum. As pernas já não são o que eram, a vista também não, e anoitece cedo.

O traço AMARELO representa, mais ou menos, os limites da Quinta do Marquês;
as setas VERMELHAS a localização dos Ecopontos;
as setas VERDES a localização dos Papelões.

Faço notar que os que se encontram nos limites também são utilizados pelos moradores dos bairros vizinhos.

Vamos fazer contas: Os prédios deste bairro têm todos cerca de 8 andares, com uma média de 3 fogos por andar. Isto representa 24 famílias por cada prédio. A 'olho' na imagem identificam-se cerca de 77 edifícios. Se fizermos as contas obtemos um total, provavelmente por defeito, de 1.848 famílias. Se cada uma for constituía por 3 pessoas, caso raro, teremos cerca de 5.544 pessoas a viver nesta área.
Segundo o "Guia Prático da Eficiência Energética" de Junho de 2006, da EDP, cada português produz em média 1,4 kg de resíduos domésticos por dia. Se agora multiplicarmos este valor pelo número de pessoas prováveis, obtemos o valor de: 7.761,6 kg. Quase 8 Toneladas diárias de resíduos domésticos, apenas nesta zona!

Será que 2 Ecopontos e 2 Papelões são suficientes para colocar aqueles resíduos que não vão com o lixo normal, nos contentores dos prédios?
Será que a recolha do lixo dos contentores dos prédios é mesmo eficaz?

Ao pôr tudo no mesmo saco, a CMO parece estar a dar a entender que toda a gente usa aquele ecoponto para lá ir colocar os sacos de lixo. O que até pode em parte ser verdade... Por diversas vezes vi da minha varanda pessoas de outras ruas virem colocar lixo ao lado dos contentores na minha rua. Não é inédito... Mas aquele ecoponto não é o único a servir toda a Qta. do Marquês.

Mas o que me choca mais no comunicado da CMO é a frase com que termina:
" Informe-nos sempre que detectar situações incorrectas ou
se identificar quem as provocou!"


A CMO quer que os munícipes sejam polícias uns dos outros!! Talvez esteja à espera que alguém monte um sistema de video-vigilância na varanda que registe os movimentos suspeitos nos ecopontos, e que identifique as pessoas que lá ponham sacos no chão...
Ou talvez espere que um munícipe se vá colocar de plantão das 0 às 24 todos os dias ao lado do ecoponto a guardá-lo (até talvez se pudessem constituir brigadas de moradores para este fim)... e que no caso de ver alguém pôr um saco de lixo ao lado do ecoponto, siga a pessoa até casa dela, para saber quem é e onde mora, e os informe de que o/a senhor/a X, morador/a na rua Y no andar Z, acabou naquele instante de colocar um saco plástico com a cor tal cheio de cascas de batata, um preservativo usado (com material para um exame pericial de ADN, que pode ajudar à identificação do prevaricador), quatro cascas de cebola, 5 pedaços duma pizza bolonhesa, uma pasta fedorenta e molengosa de cor esverdeada que talvez seja resto duma lasagna e restos de fígado, junto ao ecoponto da rua não-sei-quantos...

Pergunto ainda:
Será que a recolha de lixo é assim tão eficaz como a CMO nos quer fazer crer?
Será que os ecopontos são em número suficiente para a densidade habitacional deste bairro?
Quanto ao meu prédio nada tenho a dizer. Os poucos problemas que temos devem-se efectivamente a alguns moradores que não têm o cuidado de atar os sacos antes de os porem no contentor do prédio.
Mas será que todos os prédios estão devidamente equipados com casas do lixo? E com os contentores suficientes?
Será que há um trabalho de sensibilização nesses prédios para a melhor forma de gerir os lixos?
Só um exemplo: Quantas pessoas levam o saco para baixo para o pôr no contentor e deparando com este cheio, trazem o saco de novo para casa, para o levarem no dia seguinte, como eu faço?
A maioria ou põe no chão, ou vai colocar o saco na via pública, junto talvez dum ecoponto... suspeito até que haja quem leve o saco no carro para o largar num contentor qualquer pelo caminho...

Sugiro: Porque é que não se atribui à Polícia Municipal esta competência fiscalizadora e policial?

Acho que com este ridículo e ofensivo comunicado a CMO deu...
um tiro no pé!!


n.b.: Reparem que o número de telefone para o munícipe informar a CMO não é gratuito... Já não basta o que pagamos de contribuições e impostos...

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Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Um ano de balanço - Vote!

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Meus Caros, não deixem de passar por AQUI e

VOTAR!

IMAGEM: © JOSÉ ANTÓNIO 2005

Terça-feira, Outubro 17, 2006

ROTA DOS FORTES


relato dum marinheiro de água doce...

No dia 8 de Outubro tive o privilégio de embarcar no Anaprune, magnífico veleiro de 10,5 m., a fim de participar no passeio temático Rota dos Fortes, da responsabilidade da Confiquatro.

Esta empresa está vocacionada para as actividades náuticas ligadas à vela - organiza passeios e cursos, entre outras - e encontra-se sediada no concelho de Oeiras.
Apresenta ela um vasto conjunto de programas de passeios temáticos, dos quais destaco, por estar relacionado com o concelho de Oeiras e a sua história, a citada Rota dos Fortes.

A viagem teve início na Doca de Sto. Amaro, da qual zarpámos para um maravilhoso périplo Tejo abaixo, próximo da margem, com o objectvo de observar, dum ponto de vista invulgar para o comum cidadão, as diversas fortificações que se estendem ao longo da linha de defesa marítima do acesso fluvial a Lisboa.

Assim pudemos contemplar, entre outras edificações de relevo: o Forte de S. Bruno, em Caxias; o Forte da Giribita, em Paço de Arcos; o Forte de São João das Maias, em Sto. Amaro de Oeiras; o Forte do Areeiro, o Forte de N. Sra. das Mercês do Catalazete e a Feitoria Militar, entre Sto. Amaro de Oeiras e a Praia da Torre, e o Forte de São Julião da Barra, na Praia da Torre.

No regresso fizemos uma passagem próxima para apreciar a beleza fascinante e incontornável do Forte e Farol do Bugio.
Navegámos para montante junto à margem Sul, tendo oportunidade de apreciar também o Forte da Trafaria, e por aí acima.

À medida que iamos avançando, o nosso skipper, Pedro Gomes, coadjuvado pela professora Isaura Oliveira, dava-nos explicações e esclarecimentos sobre cada um dos fortes. Assim como sobre os faróis que avistávamos e os alinhamentos para uma navegação segura na perigosa barra do Tejo.

Foi uma tarde maravilhosa, inesquecível e muito pedagógica, que nos deu uma perspectiva incomum e invulgar dos fortes. A perspectiva, descontando as alterações introduzidas pelo tempo e pelo homem, que os nossos antepassados marinheiros teriam das caravelas quando, em demanda do mar oceano, desciam o Tejo para se fazerem ao desconhecido.
Foi uma tarde diferente, que valeu bem a pena.

A reportagem deste passeio, feita pelo jornalista Bernardo Aguiar e pela fotógrafa Raquel Wise, que nos acompanharam na mesma, foi publicada no suplemento essencial n.º 5 do jormal O Sol da edição de 14 a 20 de Outubro de 2006.

Informações: 213 627 984/5
Url: www.confiquatro.pt





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Quinta-feira, Julho 27, 2006

Tiago Lourenço - um fotógrafo de Caxias


O Tiago é um jovem fotógrafo, de 25 anos, morador em Caxias, que tenho o enorme privilégio de conhecer pessoalmente, dono duma extraordinária vocação para captar aquele efémero momento que passa à velocidade da luz através da objectiva da sua máquina fotográfica e do seu olhar atento e infalível.
A sua paixão pela fotografia levou-o a tirar o curso do Instituto Português de Fotografia, e a sua aptidão para captar 'aquele' instante valeu-lhe há pouco o PRIMEIRO LUGAR/PORTUGAL do concurso europeu de fotografia ONE VISION.
O Tiago é sem dúvida alguma um jovem promissor no universo da Fotografia. Nomeadamente no mundo do Fotojornalismo.
Este motivo projectou-o para as revistas. Assim surgiu uma reportagem sobre ele na revista "Domingo" do Correio da Manhã de domingo último, 23/7/2006, que aqui reproduzimos.

Porque o Tiago é um artista do nosso Concelho de Oeiras, aqui lhe damos o merecido destaque e endereçamos votos de que a sua obra fotográfica nos encha de brio por sermos seus conterrâneos!



> Clique nas imagens para ampliar.

imagem: © cv comunicação visual 2006.

Terça-feira, Julho 25, 2006

DOÇARIA TRADICIONAL OEIRENSE


Realizou-se ontem, na esplanada da Casa das Queijadas de Oeiras, na R. 7 de Junho de 1759, na vila de Oeiras, tal como estava previsto, a primeira conferência do ciclo de conferências "Diálogos em Noites de Verão", promovida pela novel Associação Cultural de Oeiras ESPAÇO E MEMÓRIA.

Conduzidas pela cativante voz e pelo saber profundo do Dr. JORGE MIRANDA, num tom informal, uma esplanada a abarrotar de pessoas interessadas viajou ao longo da História da DOÇARIA TRADICIONAL OEIRENSE.
Conhecemos as raízes da doçaria no Concelho. Ficámos sabedores de alguns dos afamados doces que aqui se produziam no passado, a maioria, senão todos, comercialmente: PALITOS de OEIRAS, BISCOITOS de OEIRAS, LAÇOS (Oeiras), BOLACHAS finas (Oeiras), BOLOS de AMÊNDOA (Oeiras), SUSPIROS (Paço de Arcos), AIS (Paço de Arcos), CASSETES (Paço de Arcos), MIMOSOS (Paço de Arcos), BISCOITOS (Algés), BOLACHAS (Algés), FOGAÇAS (Leceia e Leião) e o FAMOSÍSSIMO PÃO-DE-LÓ de LINDA-A-VELHA, cuja receita, infelizmente, se perdeu na tenebrosa e impiedosa noite dos tempos.
Ficámos também a conhecer algumas das, poucas, sobreviventes receitas desta fantástica, fascinante e diversificada doçaria.
Infelizmente, como ficámos também a saber, todo este património está hoje reduzido à quase total extinção, senão mesmo total, nomeadamente comercial, na medida em que já não existem fábricas que o produzam, além de terem desaparecido a maioria das receitas.

Podemos dizer com agrado que foi uma das mais "doces" e "saborosas" conferências a que nos foi dado assistir nos últimos tempos!

nota: A Casa das Queijadas de Oeiras, que serve de excelente e aprazível palco a estas conferências, está apostada em inovar neste universo da doçaria. Para isso, deu início a um projecto interessante e lançou as Queijadas de Oeiras que, não sendo tradicionais, talvez um dia o venham a ser. Quem sabe? Oxalá assim aconteça. O Concelho só tem a ganhar!!


A próxima conferência, dia 31 de Julho, pelas 21:30 e no mesmo local, está subordinada ao título "Os Romanos Já Morreram?" e será proferida por José d' Encarnação. Convidamo-lo a assistir a ela. O tema promete, sem dúvida.
Recordo também que, para o dia 29 de Julho, sábado, está já programada uma visita guiada ao "Centro Histórico de Oeiras", conduzida pelo Dr. Jorge Miranda. A concentração tem lugar às 09:30, na esplanada referenciada para as conferências.

Informações e Inscrições: Junta de Freguesia de Oeiras e São Julião da Barra, tel. 21 441 64 64.

Imagem: Um aspecto da conferência de hoje © cv comunicação visual 2006

Quinta-feira, Julho 20, 2006

ESPAÇO e MEMÓRIA - Associação Cultural de Oeiras



Caros Munícipes, nasceu uma novel associação cultural em Oeiras!

A mesma promete-nos, já a partir do dia 24 de Julho e prolongando-se por Agosto até 23 de Setembro, um conjunto de excelentes iniciativas que certamente merecerão o interesse e a adesão de muitos e muitos munícipes.

O "Programa de Verão 2006", a decorrer em Julho, Agosto e Setembro, apresenta-se com duas iniciativas subordinadas aos temas:

DIÁLOGOS EM NOITES DE VERÃO - um ciclo de interessantíssimas conferências, às segundas-feiras, às 21:30, na Esplanada da Casa das Queijadas e do Restaurante O Pombalino, na Rua 7 de Junho de 1759, em Oeiras.

CAMINHOS DA MEMÓRIA - um conjunto de importantes visitas guiadas, aos sábados (os locais de concentração dependem naturalmente da visita).

O programa completo pode ser visto na página oficial CLICANDO AQUI, cuja visita recomendo vivamente, ou indo directamente POR AQUI.

Informações e inscrições: Junta de Freguesia de Oeiras e São Julião da Barra – Tel. 21 441 63 45.
Apoios: Câmara Municipal de Oeiras e Junta de Freguesia de Oeiras e São Julião da Barra.


À nova associação aqui expresso os meus votos de que os ventos soprem sempre de feição!

Terça-feira, Julho 18, 2006

quem tem MEDO do Oeiras Local?


Caros visitantes, em primeiro lugar quero pedir desculpa pela grande extensão deste post. Ela justifica-se pela gravidade da questão.
Para muitos de vós o nome "OEIRAS LOCAL" nada diz, por isso o melhor é começar por esclarecer do que se trata.

"Oeiras Local" é o nome de um blog criado em Abril de 2005 por Joaquim José de Carvalho e Melo, no qual tive o privilégio de colaborar, e que teve como objectivo falar de Oeiras, segundo se lia nos seus 'estatutos', escritos pelo próprio: "Temos por objectivo falar sobre tudo o que de alguma forma tenha a ver com Oeiras, contribuindo desta maneira para melhorar a qualidade de vida no nosso concelho, mas sobretudo incentivar a participação activa, na qualidade de Cidadão", e lia-se ainda: "Porque falamos de Oeiras - falamos aqui sobretudo da sua história, das suas gentes, dos seus recantos, das personalidades, das políticas, dos seus governantes, dos problemas, das soluções, do seu futuro. Este é um ponto de encontro onde a liberdade responsável conduz a palavra escrita, que aqui divulgamos!"

Por motivos que agora não interessam, por volta de 16 de Março de 2006 a gestão do blog passou a ser feita por uma outra pessoa.
Razões ainda por apurar levaram ao desaparecimento do blog. No dia 13 de Maio de 2006 o mesmo foi apagado pelo gestor, contra a vontade expressa de colaboradores e visitantes, sem qualquer explicação plausível.
Ainda hoje causa espanto a todos a forma abrupta e intempestiva como o blog foi apagado. E muitos se interrogam sobre a razão que presidiu a esse 'apagão'... sobre quem quis calar o Oeiras Local... a quem é que ele incomodava...

Neste mesmo dia, ante a surpresa causada pelo desaparecimento do blog, um novel blog foi criado pela mão de Isabel Magalhães, colaboradora do anterior blog, aproveitando o título acabado de desaparecer.
No essencial os objectivos mantinham-se os mesmos - FALAR DE OEIRAS num espírito livre, democrático e descomprometido ideológicamente, isto é, sem que o blog tivesse qualquer conotação partidária, sendo os comentadores e colaboradores, obviamente, livres de defenderem as políticas e os partidos que quisessem; a única exigência é que tal fosse sempre feito com correcção, cordialidade, sem insultos e sem recorrer a linguagem obscena, o que ia ao encontro do espírito do anterior Oeiras Local.

Neste novo Oeiras Local podia-se ler: "e o OEIRAS LOCAL renasceu, com o mesmo título, em homenagem ao seu fundador - JJCM - que tanto empenho pôs no projecto inicial, projecto esse que se irá manter segundo o modelo de participação alargada aos que quiserem colaborar na divulgação dos interesses do Concelho de Oeiras."
A "declaração de intenções" pode ser lida AQUI


Agora começa um 'thriller' digno do CSI - MIAMI que até envolveu ameaças pessoais de agressão e tudo...

Quase desde o seu início, este novo Oeiras Local começou a ser alvo de ataques, perpetrados por 'comentadores' escudados no anonimato.
A maior parte destes ataques pretendiam ser 'críticas' à gestão do blog, procurando impor a este um modelo de gestão, como se o blog tivesse herdado alguma coisa do anterior, ignorando completamente que este era um novo blog, com algumas características similares ao anterior, é certo, como no caso do espírito de debate franco e aberto, mas completamente NOVO, logo com uma gestão e uma dinâmica diferentes e com outros objectivos e outra linha editorial.

Um blog que apesar de ter o mesmo título do anterior O.L. e uma apresentação gráfica quase igual, se pretendia afirmar como um NOVO espaço de comunicação e debate em Oeiras. Nomeadamente integrando outros e novos colaboradores, alguns do anterior O.L., abordando outras temáticas, mais voltado para a cultura, o desporto e o ambiente e menos para a politiquice político-partidária, sem pôr de lado o debate político, visto que afinal ele está presente em tudo. Neste sentido logo no início foi feito um convite à participação de todos como membros da equipa redactora em formação, se o desejassem, ou enviando mails para publicação, se assim o preferissem. Na verdade, poucos foram o que aderiram ao convite, nomeadamente os 'críticos' que refiro...

Isto não foi entendido por muitos dos então surgidos 'críticos' (em rigor, meros criticistas), que queriam ver neste novo Oeiras Local como que uma extensão do anterior (muito mais politizado, nomeadamente em certa direcção), e que nas intervenções que faziam se limitavam a 'dizer mal' do blog, sem apresentar qualquer contribuição, nomeadamente apresentando temáticas para serem exploradas no blog, enviando contribuições por mail ou, como referi, inscrevendo-se como membros redactores. Não eram muitos estes 'pseudo-comentadores' e cedo se começou a percebe o 'estilo' deles.

Como afirmei, cedo começaram os ataques ao Oeiras Local, nomeadamente ataques directos à minha pessoa e à criadora/gestora do blog, Isabel Magalhães. Naturalmente, visto que na fase inicial de lançamento do mesmo éramos os únicos colaboradores, os únicos a postar alguma coisa no blog, apesar dos imensos convites feitos à participação de quem a quisesse ter, logo éramos os mais 'visíveis'.

A demonstração de que o objectivo era mesmo só atacar o blog, e não o fazer qualquer crítica construtiva, mesmo que discordante, era vísivel no nível dos comentários.
Estes não faziam qualquer referência ao assunto do post que pretensamente 'comentavam'...
Nem sequer disfarçavam, comentando o post primeiro e depois fazendo o ataque ao blog. Não, estes comentários entravam logo a matar! A zurzir, a achincalhar o blog, com insultos ao mesmo e à minha pessoa e à Isabel Magalhães, alguns dos quais é melhor nem referir porque eram dignos de um carroceiro.

Da apreciação do ritmo destes 'comentários', deu para inferir e notar que determinados eram feitos quase sempre ao sábado, pelas 9h. da manhã. Outros surgiam a outros dias e horas, mas num ritmo concertado, a denunciar uma estratégia combinada.

Aqui ficam, para já, algumas das pérolas e dos mimos com que temos sido agraciados, colhidas nos comentários. É certo que as mesmas são apresentadas aqui fora do contexto original, mas quem tiver paciência para tanto, encontra-as no arquivo do blog, abrindo as caixas de comentários, onde poderá também constatar que tanto eu como a Isabel sempre agimos com correcção, sem recorrer ao insulto, não dando qualquer razão para este rol de disparates:

- Amigo José António, não ferva em pouca água, que não é de todo necessário. Seja mais ponderado, e quando o sentir... guarde-se no silêncio... que às vezes vale mais que mil palavras!!!....

- Caríssimo José António: Ouvi dizer que ali prás bandas de Setubal, a Sardinha e o Carapau são Reis no Fogareiro!! (aproveite o fim de semana, e dê lá um saltinho, a ver se aprende qq coisinha com a boca!...

- Este oeiras local não passa de um belo saco de gatos enfandonhos. É tão lindo ver os artristas unidos ao sabor da oposição, nem que seja a troco de bananas e palavrinhas pró ego vá-se lá saber de quem!

- Sabe Isabel, eu se fosse a si, teria muiiiito cuidado, para não cair nessa (demonstrada) Tentação de pisar o risco, que é a mesma coisa que dizer "Carregar na tecla DELETE"!!!

- Piscando o olho aqui e acolá, até pode ser que consigam!.... mas não sei porquê, eu hoje já só acredito nas ACÇÕES! (de palavras, está o Mundo - e o Oeiras Local tb - CH...

- (como o post, e o trabalhinho de redacção nunca acaba, nada como ser a 1ª a comentar o seu próprio post! ;) chamo a isto um nome - que nem é feio - e qualifica o (novo, este) Oeiras Local!... Tiques que dificilmente se perdem quando se ganham!.... DESNGAVETADOS À ESPERA DE APRECIAÇÃO!

-Devolvo-lhe a graça, dizendo-lhe simplesmente que Patéta e sem qualquer objectividade parece ser mesmo o seu forte, [este foi para um comentário, aliás correctíssimo, feito pela Isabel Magalhães]

- «cesta secção» (o post!) é no mínimo um qualquer (e excelente) exemplo de despudor informativo que reina nesta "cúpula" do Oeiras Local...

- Afinal, sempre (de sal e pimenta na mão) é claro a ausência de limites e a imensa FALTA DE IMAGINAÇÃO dos actuais "autores" deste nuvelle Oeiras Local!

- Ganda soda me saiu este José António. Além de "arrotar postas de pescada" (daquela mesmo, que antes de ser já o era!), ainda vem práqui falar da possibilidade do uso do humor em doses de "pitada"! O Homem, enxergue-se. (...) Ganda soda me saiu este artrista....

- O Anómalo José António, (para quem apregoa com tantos dentes esse azedo desprezo), gosta de passar sobre si, a ideia de bem educado, cortez, senhor recto e de boa compustura, mas de vez em quando, estala todo o verniz, com a falta de charme que nele se armazena à falta de tanta arte! Estive a ler e reler o seu texto (...) para quem não sabe entender a critica alheia, mesmo quando vem apregoar exactamente o que Não Practica: "Mente Aberta"! Já percebi que é um sujeito muito pouco permeável, e de ideias muito Pré-feitas, de poder de encaixe, muito débil. Fique descançado "inimigo" José Antóino. não o picarei mais... você até merece... Mas (e apenas para terminar), É um facto que sempre que aqui alguém se expõe num sentido um pouco diferente do seu, este IGNÓBIL José, age sempre da mesma forma, lembrando-me muito aquela famosa frase «quem não está comigo, está contra mim». Moral da História: Caríssimos Participantes do Blogue Oeiras Local, Participem, dêem tudo de vós, digam de vossa alma, falem de Coração, etc, etc, mas nunca... Nunca se ponham dum lado qualquer diferente da posição/opinião deste nosso Cromo-SuperSapienSapiens. Seguramente ele agirá sega e loucamente contra Vós!!! (Xem nexexidade!). Fooooooge!! (...Soda é Pouco!... ;)

- aliás você não sabe dizer mesmo outra coisa! Até me parece, não o Cherne, mas um autentico Bacalhau!!!
enfim.

- Vou ter que avisar o Nuno Mendes, para oferecer um conjunto de super cola 3 a este Artistartolas Antóinne.

- Este blog transformou-se numa bela merda...

- À Isabel Magalhães: Se alguem toma atitudes pouco dignas é você..

- A mim parece-me que este blog está a tornar-se um bocado laranjinha...

- O que de facto enjoa, é a falta de extrutura mental, que Isabel/José evidenciam,

- estou chocado com a censura deste novo e sempre teimosamente infantil espaço, legado de outros tempos (bem recentes!) em que serviu de exemplo a muitos blogs noutras paragens. irremediávelmente este OL é, de forma nada organizada, um local que daqui para a frente deixará de existir na minha lista de "favoritos" do browser.


Devo referir que a partir de determinada altura, depois de muitos avisos e pedidos de compreensão e de contenção na linguagem deste 'comentador', que insistia em achincalhar as pessoas e o blog, depois da afirmação de que o blog estava aberto a todas as opiniões, discordantes ou não, mas para FALAR DE OEIRAS..., muito a contragosto e porque alguns comentários começaram a utilizar uma linguagem que de nenhum modo podia ser permitida num blog que se queria minimamente decente, e porque começaram a incomodar alguns leitores, que o manifestaram em comentários, por respeito pelos visitantes, que não tinham que ser sujeitos àquele regabofe, os mesmos foram simplesmente APAGADOS. Ao abrigo, é claro, do direito e da responsabilidade que qualquer gestor de um blog tem de manter um determinado nível na linguagem utilizada no blog que gere, como acontece aliás em qualquer meio de comunicação. Qualquer editor de um jornal ou de uma revista não hesitará em 'rasgar' uma prosa que considere que utiliza uma linguagem imprópria, por mais 'XPTO' que seja quem a escreveu. Pelo menos nos meus tempos nos jornais diários era assim...

Impossibilitados assim certos 'comentadores' de fazerem os seus ataques furtivos e furibundos no blog, não lhes restou outra alternativa para lançarem os comentários soezes, que não fosse irem-nos fazer noutros espaços, conspurcando também esses 'inocentes'.
Isto acontece nomeadamente no blog CAIS DA LINHA, de um blogger, Nuno Mendes, que também colabora com o Oeiras Local.
Neste blog começaram a surgir, usando a mesma estratégia de comentário, ataques ao Oeiras Local, e a mim e à Isabel Magalhães, maioritariamente assinados por um tal 'censurado do O.L.', que pelo tipo de escrita, de erros ortográficos, vocabulário e sintaxe, pode ser facilmente identificado com um dos citados 'comentadores' anónimos, que enxameavam o Oeiras Local para o atacar, nomeadamente um certo 'rosmarinus officinalis'.
Também no Cais da Linha este 'comentador' deixou algumas pérolas:

- É curioso como até, (e veja-se o caso, p ex. do blogue "OEIRAS LOCAL 2"!), nos muitos espaços informativos digitais e não só, se vive hoje em dia dessa espécie de desinformação "politicamente correcta", numa espécie de moluscula estrutura (...) Goste-se (ou não!) aqui não hà de facto (como existe no Oeiras Local) Sensura. (...) E como será concerteza fácilmente ponderável pelos visados (José António/IsabelMagalhães), aqui ninguem concerteza está à espera de quaisquer Sondagens que nos aplaudam as nossas intervenções. (...) um ex-visitante (excluido pela Pandilha José/Isabel do OeirasLocal2). (...)

- pelo desrespeito com que os actuais gestores do referido blogue, nos têm "premiado" (...) repare que (nesses posts apagados) sempre que fiz uma crítica directa aos sr.s josé antónio/isabel magalhães, eles (vá-se lá saber porquê!?...) pura e simplesmente, reagiram, género aqueles putos mimados e muito parvos, que esborrachão as formigas que passam, só porque lhes dá imenso gozo!.... o mínimo que se esperaria, seria tentarem (se o entendessem) expôr as suas melhores ideias (o que me leva até a pensar, que pura e simplesmente o não fazem por as não terem!) (...) ...isto até se torna uma massada... dá mesmo vontade de comparar estes senhores acima mensionados, com o árbitro Russo que nos ARBITOU o jogo com a Holanda, (...) o anónimo mais sensurado do Oeiras Local2


Deixo agora aqui alguns excertos dos poucos comentários, meia dúzia, que, pelo seu teor, geralmente ofensivo e que em nada contribuía para as matérias em apreço nos posts que 'pseudo-comentavam', foram apagados:

- ...só falta aparecer a Chinhorapintoira a dijer: Chêde bem vindo chinhor "Papa" ao novelichimo oeiras local. umespacho que che quer livre e demo-crático.

- E se fosses dar uma doce e meiga beijoca a tua mulher. Andam outros a comer a tua mulher enquanto andas por ai armado em cabrão .

- Eheheh!! Eu já adivinho! Não é que antes mesmo de entrar aqui nesta "caixa", e vendo que o artigo apresentava um unico comentário, abeirou-se-me a ideia, de que sendo escrito o artigo (tendo sido postado) pelo ZéTó, que o dito comentário só podia mesmo ser da Belinha?!?! :) É deveras essa a imagem, que estes dois artistas aqui conseguem dar do Oeiras Local2, uma espécie de Jogo de Ping-Pong, onde as metas/objectivos "informativos", se escondem por uma ansia ingénua do género: «Oh pra mim!»

- José António/ Isabel (conversem com o Nuno, que ele parece-me ser um Bom estratega!....): Quanto a Vocês (vá-se lá entender porquê?!) ainda não perceberam que o vosso maior Capital, (meditem nisto se assim o entenderem) deitam-no fora, desbaratadamente, em cada gesto vosso, em que tentam "limar" arestas (vá-se lá perceber tb esse vosso CLARO - e CARO!- GESTO de transformar o então Oeiras Local nesta espécie de Colmeia, de Vespas Invasoras do ESPAÇO DIGITAL CIVICO e ÚNICO que foi este blogue numa Versão "AC"!!....) (...) É aliás isso que me dá imenso gozo (excepto, quando tentam à Lei da Estupidez natural enganarem os "vossos" Leitores, como se fossem Burros de esticar a mão género reflexo condissionado, a gritar palavras d´ordem de que género Sejam!...), (...)


Mas as coisas ainda não pararam. O blog continua a ser atacado, agora também por um tal 'politicopata':

- Este blog....continua a ser...uma bela merda!
- Este Blog é uma caca!

Sobre o politicopata tenho a dizer que o blog dele até está linkado nos meus blogs pessoais, porque o achei interessante, e que ele foi de início convidado a participar no Oeiras Local, coisa que nunca aceitou, sem qualquer explicação que, obviamente, também não tinha que dar a ninguém.
Por isso não se entende esta raiva que agora demonstra contra o Oeiras Local, em especial na pessoa da Isabel Magalhães, e que tanto quanto fui informado ele expressa inclusive no seu próprio blog pessoal e no Cais da Linha. Foi convidado. Não aceitou participar. Agora anda a achincalhar e a azucrinar...


Isto é aquilo que se sabe, porque... quem sabe o que estes senhores (e talvez outros) andarão a espalhar por aí, pela blogosfera, noutros blogs, a respeito do Oeiras Local!?


O que se sabe é que existem 2 ou 3 anónimos (talvez sejam só uma e a mesma pessoa...), dos quais um assina ora de uma maneira ora de outra, com um nome ou pseudónimo que até pode ser falso, mas que se identifica bem pelo tipo de escrita (patente nos exemplos anteriores), que procuram por todos os meios denegrir a imagem do Oeiras Local, com uma clara intenção de causar o caos, desestabilizar, fazer bagunça, e com isso levar ao seu fim. O que obviamente NÃO vai acontecer!

Os ataques são tão frequentes e com uma tal sanha que fazem pensar que já se tornaram numa obsessão. Numa coisa DOENTIA! Em algo de um espírito desequilibrado e DOENTE que não tem a noção da realidade, de que o Oeiras Local é APENAS um blog e nada mais que isso, igual a milhares de outros que povoam a blogosfera, e que não está no 'estatuto' do blog ser uma arma contra nada nem ninguém, comandado por 'este' ou por 'aquele', mas apenas defender a Qualidade de Vida no Concelho de Oeiras, contando para isso com a colaboração de todos os interessados. Mais, não pretende o blog ser um ringue de pugilato para se degladiarem raivosamente fanatismos e fundamentalismos político-partidários, mas apenas um palco onde todos possam em sã convivência expôr o que bem entenderem sem constrangimentos de qualquer espécie dentro do respeito pelo espírito democrático. Foi aliás isto que presidiu à minha aceitação do convite em colaborar no Oeiras Local. E se alguém é a prova da isenção partidária do blog, julgo poder dizer que esse alguém sou eu, que não tenho filiação partidária nenhuma nem sou simpatizante de qualquer partido.


Fica a pergunta: Mas afinal, QUEM TEM MEDO DO OEIRAS LOCAL...!?


A Câmara de Oeiras? Não deve ser. Raramente é citada no blog e quando tal acontece têm sido coisas muito 'soft', nada que possa assustar um autarca 'calejado'...
Algum partido político? Mas qual? Um dos poucos de quando em vez citado é o PSD, também ele quase sempre para ser elogiado e raras vezes para ser criticado...
Outros partidos? Dos quais nunca se fala? O mais lógico seria alguns dos seus filiados ou simpatizantes aceitarem o convite já feito para colaborarem...
Juízes? Advogados? Polícias? Nunca se falou de nenhum, que me lembre...
Políticos? Bem, o leque é tão vasto que se torna difícil pensar num que se pudesse sentir prejudicado, e porquê, até porque nunca se fez nenhum ataque pessoal a algum...
Empresas? Não recordo nenhuma crítica infundada ou insinuação a alguma...

Autarcas, presidentes de junta, políticos, partidos, juízes, advogados, polícias, empresas e empresários, o homem do leite, do talho...


Não, isto 'cheira-me' a 'dor de corno'!!
Trata-se de uma estratégia de ataque para calar o Oeiras Local, concertada e bem montada.

Aqui anda mãozinha de alguém, mas QUEM!?

José António
Oeiras, 18 de Julho de 2006

post scriptum 1: Na altura em que dava por terminada esta prosa, acabo de receber mais um comentário postado no Cais da Linha. Não resisto a deixá-lo também aqui, como prova da má vontade que existe contra o Oeiras Local e a irresistível obsessão de o/nos achincalhar por todos os meios. Eis o comentário:

- Anonymous said...
Boa noite Nuno, quero simplesmente felicitálo pela sua excelente opção aqui assumida!!! Entretanto não perco a oportunidade de, aproveitando o balanço, lhe lançar um ínfimo desafio... "demita-se" tb de vez do blog com características clubisticas: "Oeiras Local", pois como tem sido nos ultimos tempos apanágio daquela gente (Isabel e José Antóino) aquele espaço deixou de ser o "tal"... aberto a todos os Oeirenses. E de facto só lhe fica mal, habituados à magnífica qualidade deste reconfortante Cais, saber que o senhor ainda tenta fazer o impossível naquela porcalheira a dois. Tenho dito!
Oscar Lima - (ex blogger do OEIRAS LOCAL, do tempo do Joaquim José)

post scriptum 2: Sem ponta de cinismo, agradeço a publicidade gratuita que estes cavalheiros têm feito ao Oeiras Local nos blogs por onde têm andado a espalhar as suas alarvidades, que regista um aumento significativo de visitas, perceptível nos comentários.

post scriptum 3: Na verdade não consideramos o Oeiras Local um blog assim tão importante ou influente para que possa estar a incomodar alguém... Mas HÁ ALGUÉM QUE PENSA O CONTRÁRIO... :)

post scriptum 4: Aceitam-se e agradecem-se respostas à questão colocada.

post scriptum 5: E como isto não acaba, aqui fica um comentário do rosmarinus [referindo-se a um comentário da Isabel Magalhães], postado hoje, 18 de Julho, no Cais da Linha; repare-se na qualidade literária da prosa:

- Anonymous said... Mas que enjoa, realmente já vái até ao ponto do Vómito! Apregoa tanta laranjada, que a malta já se passa, possa!!! Esta Dª, quer transformar o Cais da Linha, num Oeiras Local 3!!! Oh mulher, enxergue-se! Que eu saiba, (e tenho visto muito!) nem o Nuno Mendes aqui chega ao ponto desse EXAGERO ALARANJADO que por todo o lado lhe transpira! E digo isto... não é por nada. Antes porque parece tão CEGA tão Cega, que o que até lhe poderia dar alguma credibilidade, rápidamente cái por terra. Onde é possivel, sustentar um blogue (falo do SEU Oeiras Local), tento por base postits, quase sempre comentados APENAS 8e destaco o "apenas"!) pelos seus 2 intervenientes, que "por acaso" até são os que lá colocam os ditos postits!?!?!?! E ainda melhor: Como é fácilmente demonstrável, à falta de trabalhinho mais apresentável,(como o aqui elaborado pelo Nuno Mendes), aproveitam-se do Nuno, expondo o seu próprio esforço, criatividade... o seu TRABALHO no Oeiras Local!!! (claro que fica-lhe "bem" tantos desses seus "abraços encantados" tanto quanto alaranjados!...) Em relação ao comentário da DªIsabel de Cima, permitam-me o reparo: Acho curioso, alguem (supostamente com alguma desenvoltura e poder de encaixe), em pleno século 21 usar comparações do género «É D'HOMEM! VERTICAL! ÍNTEGRO! ASSUMIDO! BEM FORMADO! VALENTÃO!» Afinal o Portugal dos pequeninos, tb começa aí por casa, não?! Ainda mais Belo é o exemplo: «Eu que sou MULHER, e peso pouco... dou a cara e dou o nome!» (pois mas isso é porque você não faz a mínima ideia do que é a Vida de trabalho cívico, e pensa que intervir, é AGARRAR um Blogue (que lhe caiu do "céu"), e mandar uns "bitraques" para o ar, esperando que um dia destes lhe sáia a sorte grande!) Ainda bem que é mulher (folgo em sabê-lo!) e Pesa pouco (uma Caracteristica que muito nos interessa a todos aqui no Cais da Linha!). Pode ser que com todos esses seus atributos, nos consiga um dia (quiçá!?) voltar a demover o pessoal a escrever no seu insólito Blogue (quase às moscas) Oeiras Local! É que se não sabe, já deveria ter entendido, que ao contrário do que o povo diz, não basta ter unhas para tocar guitarra! Hà-que sobretudo (e em primeiro lugar!) ter uma Boa Guitarra!!! ;) Futuro Mitigado?!?!.... O Oeiras Local, é um espaço pra morrer. passe o melhor que puder, rosmarinus oficinallis.
Nota: (Politicopata, gostava de trocar umas impressões consigo. vái uma tentativa de reconciliação?) ;) E porque não sou 'masoquista' há blogues que não me merecem uma segunda visita... É a velha anedota - "se enjoa porque é que insiste"? Obrigada Nuno Mendes pela cedência do seu espaço. Um [] social-democrata.

FIM - o que é uma maneira de dizer...

Sábado, Julho 08, 2006

recordar a História



8 de Julho de 1497 é uma data que fica na História, não só para os Portugueses, mas para toda a Humanidade, como uma das datas mais significativas de todos os tempos.
Dava-se nesse remoto dia início a uma das maiores epopeias do Homem.
Do Restelo, em Belém, após missa e comunhão, zarpava a Armada de Vasco da Gama. Objectivo: a Índia.

Constituída por 4 naus — a S. Gabriel, comandada por Vasco da Gama; a S. Rafael, comandada por seu irmão Paulo da Gama; a Bérrio, comandada por Nicolau Coelho e um velho navio de mantimentos, a ser incendiado quando vazio, comandado por Gonçalo Nunes —, a Armada de Vasco da Gama partia para uma das maiores aventuras de que há memória na História da Humanidade.

Uma viagem de ida e volta de 2 anos até Calecute, contornando a África pelos perigosos mares do Cabo das Tormentas, semeada de perigos de toda a espécie, que abriu definitivamente aos europeus a Rota Marítima para a Índia, de onde vinham bens tão preciosos como as Especiarias, p.ex.

Muitos foram os que partiram, menos os que voltaram. No desconhecido deixaram os seus corpos, mas em Portugal deixaram as suas Almas e os seus Amores.
No sal das praias de Portugal ficou gravado o seu trágico Fado.

Glória eterna a todos os marinheiros, conhecidos ou incógnitos, que desbravaram, e tornaram conhecidos e mais seguros, os 7 Mares.

foto: nau Boa Esperança, fotografada em 25 de Abril de 1992 aquando da regata Colombo © josé antónio 2006.

Quarta-feira, Junho 21, 2006

XX Salão Nacional Humor de Imprensa



Patente até 23 de Julho, Terça a Domingo, das 10h. às 13h. e das 14h. às 18h., no Palácio Ribamar, Alameda Hermano Patrone, Algés.

imagem: digitalização do convite.

Exposição "Elisiário Carvalho"



Patente até 2 de Julho, todos os dias, das 16 às 18:30, no Salão de Exposições da Paço de Artes - Associação dos Artistas Plásticos de Paço de Arcos, na Rua José Pedro Silva, 14 A, Paço de Arcos.

imagem: extraída do convite.

Sexta-feira, Maio 26, 2006

mexa-se na MARGINAL



Dia 4 de Junho, domingo, entre as 10h. e as 13h. a Avenida Marginal vai estar encerrada ao trânsito automóvel, entre Algés e a Praia da Torre em Oeiras.
Trata-se de mais uma edição do já tradicional "Mexa-se na Marginal", da responsabilidade da Câmara Municipal de Oeiras.

É uma extensão de cerca de 9 km., que nesse período estará à sua disposição, quer para desfrutar da paisagem e passear a seu bel-prazer, quer para participar nos diversos eventos que serão levados a efeito no local. Estão programados: Aulas de fitness, passeios a pé, de bicicleta ou de patins, animação musical e circense e actividades lúdicas, entre outros.

Aproveite para conhecer a Marginal e o fascinante litoral do Concelho de Oeiras numa perspectiva pouco comum.
Aprecie a maravilhosa paisagem ribeirinha em ritmo lento e intimista, num tempo que o carro não lhe consegue dar, por mais vezes que nele viaje pela Marginal.

imagem: digitalização do postal publicitário.

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Fénix renascida

Foi com entusiasmo que em 26 de Maio de 2005 AQUI noticiei a existência dum blog dedicado ao debate de ideias e problemas sobre Oeiras. Concretamente, o OEIRAS LOCAL.

Passado pouco tempo tive também o grato prazer de ser convidado a integrar a equipa do mesmo, o que aceitei com convicção, porque o Oeiras Local revelou-se-me como um espaço democrático, tolerante e responsável, onde as ideias e os problemas do Concelho de Oeiras podiam ser debatidos em saudável convivência, quer entre redactores, quer com os múltiplos e dinâmicos comentários dos assíduos visitantes.

Foi com grande tristeza que vi o blog desaparecer no vácuo, por razões para mim por enquanto obscuras e ainda não apuradas.
Mas hoje sou portador duma BOA NOVA !!

Se o Oeiras Local, fundado em Abril de 2005 por Joaquim José de Carvalho e Melo (entretanto substituído nas suas funções de gestor por razões profissionais), viu no passado dia 13 de Maio de 2006 chegado o seu fim, um outro blog, com a mesma designação e os mesmos princípios orientadores, e pela iniciativa de ISABEL MAGALHÃES acabou de NASCER.

Ei-lo:



CLIQUE AQUI PARA ACEDER

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Exposição


Exposição de Pintura e Cerâmica de Jorge Cardoso.

Inauguração dia 18 Maio pelas 18 h.

Patente ao público:
18 de Maio a 11 de Junho de 2006
Terça a Sexta, das 13h. às 18h.
Sábado e Domingo, das 12h. às 19h.
Messe de Oficiais de Caxias, Rua 7 de Junho de 1759, Caxias.

imagem: digitalização do convite.

Domingo, Maio 07, 2006

Gato Pedra - Maria de São Pedro



A minha Amiga e Escritora MARIA DE SÃO PEDRO endereça-nos a todos um convite para o lançamento do seu mais recente trabalho - "GATO PEDRA".
Anote na sua Agenda: o evento terá lugar no dia 19 de Maio pelas 19 h. na Fnac do Cascais Shopping.

Os meus agradecimentos à autora pelo simpático convite e os meus Votos de que seja um sucesso e um acontecimento memorável!

Quinta-feira, Maio 04, 2006

Feira do Livro de Algés



AQUI falei da Feira do Livro de Algés, instalada no Largo das Camionetas, à saída da estação de comboios, organizada pela Caminho Divulgação e apoiada pela Câmara Municipal de Oeiras, Feira na qual se apresentam cerca de 56 editoras nacionais.

Tive já oportunidade de a visitar, numa visita infelizmente demasiado rápida e curta, que não me permitiu explorar as bancas de livros com a calma com que eu gostaria.

De salientar a enorme profusão de livros de todos os géneros, para todos os gostos. Lamentei foi a restrição económica a que o actual momento me tem votado... porque acho que se tivesse disponibilidade monetária tinha tido necessidade de alugar uma camioneta para transportar todos os volumes que me apeteceu comprar... e depois teria que comprar uma casa maior para ter onde os pôr!!

Desiludiu-me a organização algo caótica das bancas. Não percebi como estavam organizados os livros. Se por editores, se por temas, se...
Senti falta dessa ordem. Livros infantis misturados com filosofia ou romance...; culinária com divulgação científica...; design com poesia...
Achei que estava "tudo ao molho". O que obriga alguém que pretenda um tema específico a ter que percorrer toda a Feira e 'mexer e remexer' em todas aquelas pilhas de livros.
É pena. Penso que uma distribuição, p.ex., por editores ou por temas beneficiaria imenso a Feira e facilitaria bastante a procura de livros, em especial daqueles que já sabem o que procuram.
Mas dou o 'braço a torcer'. Feira é feira, e organizada de outro modo talvez aquela não o fosse...

Além disso, que fique claro que não dou o meu tempo por perdido. Trouxe de lá algumas coisas que me interessavam.
Faço notar o apoio de uma senhora que lá estava a trabalhar a quem perguntei por um determinado livro, que eu não conseguia encontrar, e que rapidamente me indicou onde ele se encontrava. Surpreendeu-me. Não estou habituado a tanta eficácia...

Porque "Vale sempre a pena", não deixem de visitar a FEIRA DO LIVRO DE ALGÉS.

N.B.: Ao que sei a Feira estará aberta até dia 10 de Maio, das 9 h. às 20 h.

p.s.: Peço desculpa por uma incorrecção por mim avançada sobre o horário da Feira, aquando do primeiro post. Errei quanto ao horário de abertura.
Não me recordo onde colhi a informação, mas tenho a certeza que o que referi foi o que li na notícia.


imagem: © josé antónio 2006

Segunda-feira, Maio 01, 2006

vai ao mar, tóino...


Da Newsletter da CONFIQUATRO, de 26 de Abril de 2006, cito esta notícia que me parece de interesse para todos os que adoram o mar:

"Portugal vai ser palco de mais uma Regata de Grandes Veleiros que irá fazer escala em Lisboa entre os dias 20 e 23 de Julho. Esta regata denominada "Golden Jubilee", comemora o cinquentenário da "1`Regata de Grandes Veleiros", que se realizou entre Torbay, na Inglaterra, e Lisboa, em 1956.

Depois da realização de grandes regatas de veleiros da CUTTY SARK TALL SHIP'S RACES denominadas Lisbon Sail 1982, Colombo 1992 (saída de Lisboa), Prince Henry Memorial-Porto 1994 e Vasco da Gama Memorial - 1998, Lisboa prepara-se para reunir em Portugal cerca de 100 veleiros e mais de 3.000 jovens tripulantes oriundos de todas as partes do mundo.

Um verdadeiro espectáculo náutico ao qual não pode faltar!"

Este é sem dúvida um bom argumento para levar os seus filhos até à beira-mar e assistir ao fascinante espectáculo que constitui a passagem dos gigantescos veleiros rumo ao alto-mar. Eu já anotei na Agenda !!

foto: Cordame do navio-escola Esmeralda, fotografado em 25 de Abril de 1992 ao largo de Cascais aquando da regata Colombo © josé antónio 2006.

Sábado, Abril 29, 2006

por um punhado de centímetros...



Hoje, pouco faltou para que ocorresse no nosso Concelho uma horrível tragédia, daquelas que nos fazem pensar se em verdade o "destino marca a hora".

Pouco passava das 17 h. quando uma enorme placa de betão se soltou dum 4.º andar da Torre Soleil e se despenhou no parque de estacionamento do Pingo Doce de Sassoeiros, atingindo um veículo que aí se encontrava estacionado com duas senhoras no interior. Estas escaparam ilesas POR UM PUNHADO DE CENTÍMETROS, como é perceptível pela fotografia que apresento da viatura atingida. Bastaria que o carro estivesse um pouco mais à frente para que a placa tivesse entrado directamente pelo pára-brisas e tivesse esmagado as duas ocupantes.

Esta estória seria apenas mais um fait-divers dos muitos que diariamente ocorrem no nosso Concelho e que frequentemente não passam disso mesmo. Acontecimentos fortuitos. "Coisas que acontecem..." A importância que lhe dou tem outra razão de ser. O tratar-se, talvez, de um sintoma do mau estado geral de um edifício com cerca de 30 anos, que certamente merecia uma vistoria efectuada em condições pelas autoridades competentes. Estou a falar da Torre Soleil, na Quinta do Marquês, uma construção com cerca de 12 andares de altura, que por baixo alberga um supermercado Pingo Doce e uma Galeria Comercial com meia dúzia de lojas.

Como cliente quase diário tanto do Pingo Doce como da Galeria Comercial adjacente, sobretudo no Inverno, quando chove, já tive diversas oportunidades de constatar a existência de imensas infiltrações de água. É frequente esta pingar dos tectos no interior dos estabelecimentos.
Uma lojista com que falei confidenciou-me que quando, por alguma razão, removem as placas metálicas de revestimento dos tectos, estes apresentam-se negros da humidade.
A mesma lojista confidenciou-me também, palavras dela, que as tentativas de contacto, nomeadamente do Pingo Doce, com a administração do condomínio da Torre Soleil, no sentido de se procurar uma solução para o problema, caíram todas em saco roto, aparentemente por falta duma resposta efectiva da administração em causa.

Assim, sempre que chove, lá andam as empregadas do supermercado de balde e esfregona a limpar a água do chão e a espalhar baldes para apanhar a água nos pontos onde a esfregona nada resolve.
Já fiz posts a este respeito. Na altura com uma intenção puramente humorística, que designei por "o dia do balde", os quais estão AQUI e AQUI. Mal eu sonhava que o problema era sério, grave e mais profundo.

Primeiro a água que pinga do tecto, agora as placas de betão que se desprendem do edifício e põem em risco a vida dos cidadãos...
Calmamente vou aguardar pela derrocada do edifício (se nada for feito entretanto que nos dê garantias de alguma segurança). Só espero é, como morador num edifício próximo, que a torre caia para o lado oposto e não me entre pelo 'scriptorium', danificando o meu ganha-pão....

As fotografias: Numa vê-se a viatura atingida e a placa de betão. Na outra, os bombeiros trabalham para remover duas outras placas contíguas que ameaçavam colapsar.

N.B.: Quero deixar bem claro que não sou arquitecto ou engenheiro civil. Tenho a noção do quão pouco sei a respeito destas matérias. O único interesse que me move é o de um cidadão e munícipe preocupado com a segurança e a qualidade de vida de todos nós. E se me for permitido fazer humor com uma questão séria, contribuir dentro das minhas parcas possibilidades para não sermos um povo "gaulês" e não "termos medo que o céu nos caia em cima"...

fotos: 28 ABR 2006, ca. 17:30, in loco © josé antónio 2006.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

lembrete




Em primeiro lugar quero recordar que ainda vão a tempo de visitar a Exposição "O Palácio de Belém - Uma Exposição de Fotografia", patente ao público no Palácio Ribamar em Algés, até ao próximo dia 14 de Maio.
Já tive oportunidade de a visitar, aquando da inauguração, e recomendo-a vivamente. Esta é uma agradável forma de, através das excelentes fotografias — em preto e branco — de José Manuel, olharmos para lá dos muros que cercam o Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, e ficarmos a conhecer alguns dos espaços do palácio aos quais certa e dificilmente teremos acesso.

De caminho aproveitem já agora, para quem gosta de livros, para dar um pulinho à recém-inaugurada Feira do Livro, ali mesmo ao pé da Estação da CP de Algés. Esta Feira está aberta ao público das 9 h. às 22 h. até 10 de Maio.
Quem sabe se não terão a sorte de no dia em que lá forem encontrarem em promoção e a um preço mais convidativo aquele livro...? Ou mesmo começar a juntar alguns 'calhamaços', antecipando as compras de Natal?

BOM FERIADO E BOAS VISITAS !!!

fotos: © josé antónio 2006

Quinta-feira, Abril 13, 2006

O Palácio de Belém - Uma Exposição de Fotografia


Não disponho, infelizmente, de informação complementar sobre esta exposição, cuja inauguração ocorrerá no dia 18 pelas 18h., além da que vem no convite e que aqui disponibilizo. A Produção da mesma é da responsabilidade do Museu da Presidência da República e da Câmara Municipal de Oeiras.

Galeria Municipal Palácio Ribamar, Alameda Hermano Patrone, Algés.
18 de Abril a 14 de Maio de 2006.
Terça a Domingo.
10h. às 13h. e 14h. às 18h.

N.B.: Aproveite a deslocação à exposição para se deliciar na contemplação do próprio Palácio Ribamar, austera jóia arquitectónica do séc. XVIII, mandado edificar pelo Conde Vimioso, D. Francisco Paula Portugal, em terrenos do Convento de S. José de Ribamar. Este palácio pertenceu sucessivamente ao Conde da Foz e ao Conde Cabral. Uma nota deveras curiosa é que entre 1920 e 1928 nele funcionou um casino. Desde 1962 é propriedade da Câmara Municipal de Oeiras.

imagem: digitalização do convite enviado pela C.M.O.

Quinta-feira, Abril 06, 2006

DESENHO ETNOGRÁFICO DE FERNANDO GALHANO


Exposição

DESENHO ETNOGRÁFICO DE FERNANDO GALHANO

9 de Abril a 7 de Maio de 2006.
Terça-feira a Domingo.
14:00 às 18:00.
Galeria Municipal Lagar de Azeite.
R. do Aqueduto, Palácio Marquês de Pombal, Oeiras.

Nota: FERNANDO GALHANO (1904-1995) foi investigador-etnógrafo, desenhador e pintor, e um dos fundadores do Museu de Etnologia de Lisboa.
Em colaboração com Jorge Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira e outros, participou em trabalhos que versaram temas tão diversos como a arquitectura popular, alfaia agrícola, sistemas de transporte, cestaria, olaria, tecnologia têxtil, sistemas de moagem e pesca.

ilustração: extraída do convite da C.M.O.

Sexta-feira, Março 24, 2006

De Alma e Coração



Exposição de Pintura.

30 de Março a 23 de Abril de 2006.
Terça a Sexta, das 13 h. às 18 h.
Sábados e Domingos das 12 h. às 19 h.
Encerra Sexta-feira Santa e Domingo de Páscoa.

Messe de Oficiais de Caxias - Rua 7 de Junho de 1759, Caxias.

Domingo, Março 19, 2006

Arte e Magia Transmontana


E no dia da inauguração, lá me meti ao caminho.
Ansioso com o que acreditava me esperava. Um regresso ao passado, retornar a Trás-os-Montes, respirar os ares que me acolheram há tantos anos, quando criança, percorrer de novo os caminhos das serras, sopesar os penedos, sentir o frio do ar límpido, o contacto gélido da neve, amortecidos pelas vibrantes, esfuziantes e quentes festanças populares.
Enfim, um retorno à infância.

Confesso que me desiludi.
Acho que o meu regresso à infância aconteceu sim, mas antes de eu lá chegar. Esperava talvez demais. Esperava ver muita gente interessada na exposição, a sala cheia, esperava ver caretos mascarados a pincharem e chocalharem pelo meio das pessoas, esperava ver uma efusão de gozo e alegria carnavalescas. Bem sei que o Carnaval já acabou. E que o que é demais chateia.
Ingenuidade a minha, que não esperava ver uma sala de reduzidas dimensões, com meia dúzia de obras pictóricas de artistas plásticos, umas quantas fotografias de outros artistas, um manequim vestido com a indumentária do careto, umas poucas máscaras, e uma televisão a transmitir discursos de inauguração da Casa do Careto.
Praticamente nada do que é a actividade festiva propriamente dita estava visível, excluindo as poucas fotografias. Pareceu-me uma exposição para quem já sabe do que se trata e não uma real divulgação para quem desconhece.
Admito que os organizadores não tenham condições técnicas e económicas para mais, e que se tenham esforçado bastante para fazer o melhor possível.

Mas é pena.
As nossas tradições merecem muito mais. Devem ser divulgadas com grande visibilidade, muito mais visibilidade, em particular junto de quem não as conhece. A começar por muitos portugueses que nunca saíram da capital.
Afinal tantas das nossas tradições remontam a épocas tão remotas e tiveram um papel tão importante na sedimentação da cultura portuguesa e da essência profunda do povo português!

Não deixo contudo de louvar o esforço efectuado pela Associação Grupo de Caretos de Podence e de RECOMENDAR uma visita à exposição. Afinal, a minha ingénua 'desilusão' não significa que não encontrem lá motivos de interesse e alguma coisa para aprender.
Mas não fiquem apenas por ela. Complementem-na com uma visita ao site oficial e, nas férias, porque não dar um passeio até Podence e visitar a Casa do Careto?

Recordo que a exposição está aberta até dia 7 de Abril, de Terça a Domingo, das 10 h. às 13 h. e 14 h. às 18 h.

p.s.: Lamento não poder apresentar-vos pelo menos uma fotografia da exposição, mas não fui autorizado a fotografar.

imagem: digitalização do autocolante disponibilizado ao público no local.

Sábado, Março 11, 2006

sabe o que são CARETOS?


NÃO SABE!? Pois tem aqui uma excelente oportunidade para ficar a saber e para conhecer uma das mais fascinantes tradições festivas portuguesas.

Exposição da ASSOCIAÇÃO GRUPO DE CARETOS DE PODENCE.
17 de Março - 7 de Abril.
Terça a Domingo.
10h. às 13h. e 14h. às 18h.
Galeria Municipal Palácio Ribamar.
Alameda Hermano Patrone, Algés.

Para saber mais sobre a Associação Grupo de Caretos de Podence vá a http://caretosdepodence.no.sapo.pt/
ou clique no título deste post.

Quarta-feira, Março 08, 2006

SABOR A MAR



Exposição de Pintura de Artur Vilhena

9 MAR - 1 ABR
seg-sex: 15 h.-19 h. / sab: 9 h.-13 h.

Biblioteca Operária Oeirense
R. Cândido dos Reis, 119 Oeiras

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

Bons Ventos !!!




Oeiras é sem dúvida um Concelho de tradição marítima. Ou não confinasse com o estuário do Tejo, onde o rio entra pelo mar dentro. E tantas vezes vice-versa, entra o mar pelo rio e pela terra dentro, com a violência de quem quer repôr as coisas como elas devem ser e estar. Coisas, como a orla costeira, que o homem insiste em alterar a seu bel-prazer, frequentemente sem o mínimo respeito pela lógica da Natureza.

Para aqueles que gostam do mar e o desejam, usufruindo dos inefáveis prazeres que este pode proporcionar, a Confiquatro (empresa direccionada para as actividades náuticas) apresenta um vasto conjunto de cursos e actividades e tem já online o Calendário de Formação para 2006.
Os interessados podem encontrá-lo aqui: http://www.confiquatro.pt/ ; ou cliquem no título deste post.

Bons Ventos !!!

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

o desabrigo...

É uma tristeza...

http://olharapoeiras.blogspot.com/2006/01/o-desabrigo.html

Domingo, Novembro 13, 2005

Oeiras evoca os 250 anos do Grande Terramoto


Já está online o site oficial, no qual podem ser obtidas informações variadas sobre o programa e os eventos a realizar no âmbito desta evocação. Recomenda-se uma visita a este site. Para tal, clique no título deste post.

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Paisagem Aprisionada


Exposição de FOTOGRAFIA de Rodrigo Bento d'Almeida.

Edifício 51, Fábrica da Pólvora de Barcarena.
Estrada das Fontainhas, Barcarena.
Terça a domingo das 14h. às 18h.
Patente até 11 de Dezembro.

Oeiras evoca os 250 anos do terramoto de 1755


informações: Câmara Municipal de Oeiras - DASC/DCT - Sector de Acção Cultural, tel: 21 440 85 52

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Carlos Santos Bueno


No meu post sobre a apresentação de "As Margens Vermelhas" faltou dizer quem é o autor. Ei-lo, segundo o convite da editora:

"Carlos Santos Bueno nasceu em 1966 em Lisboa. Foi seis vezes campeão nacional de remo entre 1981 e 1984, altura em que desistiu de estudar por motivos de saúde, tendo nascido na provação um gosto nunca antes experimentado pelas ciências humanas, a poesia e a filosofia. "As Margens Vermelhas" desenrolam-se entre o desconcerto de um mundo desfeito e a esperança de um engenho que se mantem intacto, sendo que são estas as verdadeiras margens da poesia."


Deixo também aqui um poema dum livro que o autor tem em preparação e cuja edição se espera aconteça em Março ou Abril de 2006:

O Soldado à Porta do Templo

Mestre, o soldado à porta do templo
Perguntou-me onde ia, e disse-lhe
Que vinha ao templo para pensar.
E ele perguntou-me “porquê?”
E eu respondi-lhe que a luz,
À hora em que o sol toca a última montanha,
Também põe os raios no gelo.
E assim as ideias sorriem como os raios do sol,
E os soldados novos que perguntam “porquê?”
E o soldado deixou-me passar.

Carlos Santos Bueno, 13/10/2005

Sábado, Outubro 29, 2005

as margens vermelhas


Hoje tive o grato prazer de ver concretizar-se algo que apoiei e incentivei por diversas vezes.
O meu amigo Carlos Bueno viu finalmente publicado o seu primeiro livro de poemas.

Conheci-o há já muitos anos atrás e o nosso comum interesse pela Filosofia causou uma imediata e forte empatia entre nós. De vez em quando dava-me a ler alguns dos seus poemas. E cedo tive a percepção de estar perante um Poeta com maiúscula. Muitas vezes lhe disse isso e o aconselhei a procurar apoios para uma edição da sua obra, para que a nossa Cultura não ficasse privada de tão sublime escrita e peculiar visão do mundo.
É pela mão da Editorial Minerva que a obra está agora à disposição de quem a quiser ler e apreciar, o que aconselho vivamente.
Para o Carlos os meus votos de felicidade, boa sorte e... muita poesia!

p.s.: nunca nos entenderemos a respeito do Kant...

Terça-feira, Outubro 18, 2005

4 INTERVENÇÕES - escultura ao ar livre


Para já, não tenho mais informação acerca deste evento, mas fica aqui aquilo de que disponho:

4 Intervenções No Jardim Municipal de Oeiras.

Escultura ao ar livre.

Leonor Pêgo, Pedro Pires, Raquel Melo e Sérgio Reis.

23 de OUT a 22 NOV, 8-20 h., todos os dias, junto à C.P. de Oeiras.

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

resultados eleitorais

Sexta-feira, Outubro 07, 2005

a manobra de diversão dum chefe em Oeiras


Tenho pensado muito nos últimos tempos na estranha aparição da mirabolante candidatura de Isaltino Morais à presidência da Câmara Municipal de Oeiras. E pus-me a pensar porque carga de água Isaltino quereria voltar para a Câmara.
Ora vejamos, se ele está sob investigação por suspeita de fraudes no lugar de presidente que ocupou, é óbvio que voltando a ocupá-lo, ficaria sob um verdadeiro manto de suspeição e policiamento de todos os seus gestos. Nem um traque poderia dar, que não aparecesse logo alguém da oposição a cheirar se ele estaria a roubar alguma coisa...! A única coisa que lhe restaria fazer seria trabalhar MESMO. Ora esta não me parece ser a sua maior vocação.
Naaaaaão... a resposta tem que ser outra.

Imaginei as possibilidades, se a Teresa Zambujo concorresse sozinha.
Sozinha com a imagem que tem junto dos munícipes; sozinha com a obra 'visível', que encha o olho, que não fez; sozinha com a obra positiva 'invisível', que ninguém vê, que fez; sozinha com a opinião negativa que a generalidade dos munícipes têm demonstrado a seu respeito; sozinha contra o ambicioso PS.
Não é difícil imaginar que o PS ficaria com as portas da Câmara escancaradas. Bastar-lhe-ia, o que talvez fosse difícil, concordo, apresentar um candidato credível, boas ideias, um discurso convincente. A Teresa Zambujo restar-lhe-ia apostar no discurso vago, que tem andado a fazer, e ter a esperança de que o PS não tivesse candidato à altura.
Mas o risco do PSD perder a Câmara de Oeiras era grande, demasiado GRANDE.
E o Marques Mendes pode ser pequenino de tamanho, mas não é estúpido. Só havia uma forma de garantir a vitória 'absoluta' do PSD na Câmara de Oeiras. Arranjar uma forma de conduzir os eleitores a uma votação maciça na candidata Teresa Zambujo.
E a forma que, acredito, os três (Marques Mendes, Teresa Zambujo e Isaltino Morais) cozinharam foi na verdade muito simples. Aliás, é com coisas simples que se enganam os simplórios: Atirar com uma candidatura do Isaltino para a molhada (disfarçar a tramóia com umas quantas peripécias e malabarismos que todos conhecem) e subrepticiamente instilar no espírto das pessoas que existia um perigo real de Isaltino ganhar as eleições e voltar à presidência da Câmara, para continuar a 'meter no bolso' o dinheiro dos contribuintes.
Esta jogada bestial fez o seu efeito e começou-se a sentir nas pessoas o medo de que acontecesse mesmo. Começou-se a espalhar a ideia de que a única forma de evitar a vitória do Isaltino era garantir a vitória da Teresa, através duma votação maciça nesta. Votos que teriam que vir de todo o lado, claro. Daí o brilhantismo do golpe. O medo atingiu tal proporção que ouvi eleitores tradicionais do PS, do BE e até do irredutível PCP dizerem que iam votar Teresa (só para a Câmara...) tal o medo que tinham que o Isaltino ganhasse!

A jogatina continua: Ainda há pouco o Jornal da Noite da SIC afirmava que as sondagens, ou projecções ou lá o que é, apontam para uma vitória de Isaltino Morais em Oeiras. A VER VAMOS...

josé antónio


Foto: © josé antónio 2005.

Sábado, Outubro 01, 2005

a certa infinitude



Um dos problemas no meu prédio era o assédio quase diário dos moços e moças da publicidade, o dia todo a tocarem às campainhas para lhes abrirem a porta, para além do habitual, e mais ou menos regular, carteiro. Já referi aqui um caso (muitos outros terão acontecido) em que alguém se fez passar pelo carteiro para lhe franquearem a porta...
As caixas de correio eram das antigas e instaladas no interior do hall de entrada.
O facto de serem antigas e colocarem este problema da porta, não temos video-vigilância e isso coloca problemas de segurança, levou-nos a vários debates em assembleias de condóminos no sentido de as substituirmos pelo modelo actual, moderno, recomendado pelos CTT, com abertura para o exterior do prédio. Decisão que acabámos por tomar.
Estas novas caixas têm algumas vantagens: a abertura é no exterior pelo que não é necessário entrar no prédio para nelas colocar a correspondência e são também maiores, o que é muito útil para quem recebe revistas ou livros, como cá em casa. Tenho diversos exemplares da Revista Portuguesa de Filosofia, uns calhamaços de cerca de 600 páginas, com as lombadas todas estuporadas da força que o carteiro fazia para as meter, até meio..., na caixa (isto sabendo eles que em tais casos devem tocar à campainha para entregar em mão, o prédio até tem elevador; ou deixar aviso; algumas fui levantar à estação de correios, apesar de eu estar em casa à hora a que o carteiro deixava os avisos..)

Mas não são só estas as vantagens. A grande vantagem é de facto a desnecessidade de entrar no prédio, logo de ter de tocar à campainha para alguém abrir a porta.
Ora no meu prédio, e também por diversas vezes referimos isso nas reuniões, há pessoas que têm o péssimo hábito de, quando lhes tocam à campainha, destrancar a porta da rua sem sequer perguntarem "quem é?", o que tem como consequência que toda a gente pode entrar à vontade, seja para pôr publicidade, seja para andar a pedir às portas, seja para divulgar serviços, seja para 'estudar' o prédio, seja para o que for. Quantas vezes atendi à porta e após ouvir que era 'publicidade', e responder que não abria, ao mesmo tempo ouvia o barulho do intercomunicador a ser mexido e o som do trinco indicando que alguém, cuja voz não se ouvira, tinha aberto a porta.

Há pouco tempo a obra foi finalmente executada e as caixas substituídas. O acesso a elas é agora feito pelo exterior do prédio, pelo que não há necessidade de tocar às campainhas. Este tipo de caixas, aliás, não tem ranhura pelo lado interior pelo que nada se pode lá meter, a não ser mesmo pelo exterior. Assim sendo, não há qualquer razão lógica para abrir a porta. Dita o mais puro bom-senso que tal não seja feito, não é?
Por isso, pensei que se fosse generalizando o hábito de não tocar para abrir a porta, à medida que carteiros e distribuidores de publicidade e propaganda fossem aprendendo e apreendendo a nova realidade.
De facto, tenho notado que tocam menos à porta. Agora quanto ao resto...

30 SET 2005.
Eram umas 17:35 quando soou a campainha da minha porta. Pelo timbre percebi que era a da entrada do prédio.
Dirigi-me à porta, levantei o intercomunicador, quem será a esta hora?
— Quem é?
— Fá favô, publicidadji tele-pizza — respondeu-me uma voz de rapaz, com sotaque.
— Desculpe, as caixas são lá atrás, com licença — esclareci enquanto me preparava para repôr o intercomunicador no suporte. Ainda tive tempo para ouvir o som característico do trinco da fechadura a estalar. Alguém tinha aberto a porta...


"Só 2 coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E eu não estou certo do primeiro..." Albert Einstein

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

acelerando o passo

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

há novidades no olharapo!

trouxe-mouxe...

Domingo, Setembro 25, 2005

estive lá




e na feira quinta lá fui ver o Bernardo Sassetti Trio no auditório Eunice Muñoz.

adorei: a qualidade irrepreensível dos músicos um espectáculo memorável.
confirmei: o virtuosismo piano Bernardo Sassetti.
impressionei: com o contrabaixo Carlos Barretto.
surpreendi: com a bateria Alexandre Frazão.
detestei: a péssima acústica da sala a fazer perder o cromático musical.
detestei: ouvir os sinos da matriz em pleno solo contrabaixo. Isolamento acústico lamentável.
detestei: a falta de transporte público que me fez gastar mais em táxi que nos bilhetes.
mas valeu.

só me f... lixam!



se há coisa que me LIXA é a quantidade de LIXO com que a minha caixa de correio tem sido assediada ultimamente...

Quarta-feira, Setembro 21, 2005

buraco de sta. engrácia



O OLHARAPO está a crescer.
Para já, conta com um post chamado 'buraco de sta. engrácia' que vale a pena ver/ler.
Aqui: http://olharapoeiras.blogspot.com/

Outros posts se seguirão...

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

olharapo



O 'olharapo de Oeiras' acaba de ver a luz do dia!
Aqui:

http://olharapoeiras.blogspot.com/

ou no link ao lado com o mesmo nome.

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

exposições no Concelho de Oeiras

Olá, meus Caros!
Este post é muito rápido e só para anunciar dois eventos no Concelho de Oeiras:


"[ab] stratus de tempo"
Exposição de fotografia de David Lopes.
Edifício 51, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Estrada das Fontainhas, Barcarena.
terça a domingo, 9 SET a 9 OUT 2005, 14:00-18:00.


"vista parcial"
Exposição de obras de seis jovens artistas de origem africana.
Galeria Municipal Lagar de Azeite, Rua do Aqueduto, Palácio Marquês de Pombal, INA, Oeiras.
terça a domingo, 13 SET a 30 OUT 2005, 14:00-18:00.


mais informações: Câmara Municipal de Oeiras - www.cm-oeiras.pt

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada).

Abraços,

Domingo, Setembro 04, 2005

Jornadas Europeias do Património 2005


Olá meus Caros!

Vão decorrer nos dias 17, 18 e 24 de Setembro de 2005 as "Jornadas Europeias do Património 2005".

No folheto de divulgação pode ler-se: "As Jornadas Europeias do Património são uma actividade conjunta do Conselho da Europa e da União Europeia. O seu principal objectivo é permitir, nos países participantes, o acesso gratuito a monumentos e sítios que não estão habitualmente abertos ao público (...)", e "(...) o património edificado no século XX é mais dificilmente reconhecido como um elemento a preservar e a analisar, destacámos uma peça arquitectónica existente no concelho (...)"

Dentro deste espírito as Jornadas Europeias do Património 2005 decorrerão no Estádio Nacional - Complexo Desportivo do Jamor.
A iniciativa incluirá a conferência "O Estádio Nacional — Um Paradigma da Arquitectura do Desporto e do Lazer", comissariada pela Prof. Dra. Teresa Andresen (FCUP), uma visita guiada ao local e um peddy paper.
Como o tema proposto pelo IPPAR para as Jornadas Europeias do Património 2005 é a Música, realizar-se-á ainda um concerto pelo organista Rui Paiva e a edição da brochura de divulgação da história do orgão oitocentista da Igreja Matriz de Oeiras.

mais informações: 21 440 85 29 - Câmara Municipal de Oeiras, Sector de Acção Cultural - www.cm-oeiras.pt

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada)

Fortes da Barra do Tejo


Olá meus Caros!

Creio já ter publicitado isto uma vez. Mas não é demais repetir, pela qualidade e valor destes eventos.

A Confiquatro, empresa vocacionada para o desporto/turismo náuticos, tem um programa muito rico e interessante de passeios no rio Tejo.

De entre eles destaco "Fortes da Barra do Tejo (Lisboa - Oeiras)", por ser aquele que para o nosso Concelho é o mais relevante.
A história de Oeiras é indissociável da história dos seus fortes. Estes foram edificados para garantir a defesa da barra do Tejo e impedir o acesso de esquadras inimigas à capital, Lisboa. Em 'bom português', "Quem quiser conquistar Lisboa têm primeiro que se haver co' a gentes d' Oeiras..."
E que experiência mais fascinante que ver os fortes do ponto de vista do 'inimigo', isto é, vê-los do mar? E, já agora, compreender 'in loco' a inexpugnabilidade dos mesmos e a quase impossibilidade de surpreender os lisboetas sem perder centenas de homens e dezenas de navios nesta autêntica muralha de pedra e fogo?

O passeio rio abaixo passa por: Torre de Belém, Forte de São Bruno de Caxias, Forte da Giribita, Forte de João das Maias e Forte de São Julião da Barra. Ao longo do percurso são também visíveis: Forte do Areeiro, Forte do Catalazete e Feitoria. Isto tudo sem esquecer a magia do Forte/Farol do Bugio.

Mais informações: www.confiquatro.pt

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada)

Sábado, Setembro 03, 2005

CICLO INTERNACIONAL DE JAZZ OEIRAS 2005



Meus Caros, tenho mais informações sobre o CICLO INTERNACIONAL DE JAZZ OEIRAS 2005, que publicitei no dia 13 de Agosto último.
Segundo o folheto recém-distribuído o programa é o que segue:

22 SET - TRIO BERNARDO SASSETTI (POR): Bernardo Sassetti (piano), Carlos Barretto (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).

23 SET - MOUTIN REUNION QUARTET (FRA + EUA): Stéphane Guillaume (saxofones tenor e soprano), Pierre De Bethmann (piano), François Moutin (contrabaixo), Louis Moutin (bateria).

24 SET - SHEILA JORDAN + SERGE FORTÉ TRIO (EUA + FRA): Sheila Jordan (voz), Serge Forté (piano), Marc-Michel Le Bévillon (contrabaixo), Stéphane Grémaud (bateria).

29 SET - QUINTETO RODRIGO GONÇALVES (POR + ESP): Libert Fortuny (saxofone alto), Mário Delgado (guitarra), Rodrigo Gonçalves (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).

30 SET - CHRISTIAN BREWER QUINTET (UK): Christian Brewer (saxofone alto), Jim Hart (vibrafone), Leon Greening (piano), Tom Herbert (contrabaixo), John Blease (bateria).

01 OUT - BEN ALLISON QUARTET (EUA): Ron Horton (trompete), Steve Cardenas (guitarra), Ben Allison (contrabaixo), Michael Sarin (bateria).

local: Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras.
dias: Quintas, Sextas e Sábados, 22h00.
bilhete diário: plateia 6 € / balcão 5 €.
bilhete ciclo: plateia 30 € / balcão 25 €.
informações: DCT/Sector de Acção Cultural tel.: 21 440 85 822/24 - paulo.afonso@cm-oeiras.pt

HAJA SWING !


Cumprimentos,
José António
Oeiras, Portugal.

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada).

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

A Bela e o Monstro ???




A Bela e o Monstro ou o Anjo e o Demónio?
E qual é qual?

Só 'tou perguntando.
Quem souber, responda. :)


"Livrai-vos de cuspir contra o vento" - Zaratustra

Domingo, Agosto 14, 2005

o comboio do fantasma



Muito se tem criticado o SATU: que ninguém o usa, que só serve para fazer despesa, a gastar energia, a pagar a técnicos, porque anda ali para cima e para baixo o dia todo, sempre vazio.
Que anda para cima e para baixo o dia todo, enfim, agora VAZIO... não é de todo verdade!
Basta um salto ao Site da Câmara Municipal de Oeiras, para o ver o dia todo de um lado para o outro, é certo, mas olhando com atenção vê-se dentro dele a figura fantasmagórica do Marquês de Pombal, que nunca em vida deve ter sonhado um dia andar-se a passear numa página de Internet.

O SATU pode não servir para mais nada, mas serve para passear o fantasma...

Ah, e já agora, por falar em Marquês: Bem que se podiam lembrar do triste e quase invisivel monumento ao Marquês de Pombal colocado na beira da Rotunda do Marquês, na Qta. do mesmo nome, e dar-lhe um pouco mais de DIGNIDADE, não?

Sábado, Agosto 13, 2005

JAZZ em Oeiras



Meus Caros, é sempre de saudar!
Segundo o anúncio publicado no Roteiro da Câmara Municipal de Oeiras, 30 DIAS de Agosto de 2005, vamos ter JAZZ em Oeiras.
Ainda segundo o mesmo, o programa é o que segue:

Trio Bernardo Sassetti (POR).
Moutin Reunion Quartet (FRA + EUA).
Sheila Jordan + Serge Forté Trio (EUA + FRA).
Quinteto Rodrigo Gonçalves (POR + ESP).
Christian Brewer Quintet (UK).
Ben Allison Quartet (EUA).

22 SET a 1 OUT 2005.

local: Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras.
dias: Quintas, Sextas e Sábados, 22h00.

HAJA SWING !

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

o carteiro do P.S.

Seriam umas 11:50 quando hoje soou a campainha da porta. O timbre indicava que era a campainha da entrada do prédio e não a do patamar. Pensei "a esta hora se calhar é publicidade... ou algum pedinte" e continuei na minha árdua tarefa de me barbear. A minha mulher estava a pé, ela iria à porta atender.
Poucos minutos depois, completas as minhas abluções, saí da casa-de-banho e ao cruzar-me com ela perguntei-lhe "Quem era?", "O carteiro" respondeu-me.
Estranhei porque o mesmo só costuma aparecer lá pelas 12:30, mas talvez hoje estivesse acelerado coisa estranha num dia quente de verão talvez estivesse esfomeado.

Seja como for, o carteiro costuma escolher o andar para onde toca para a abertura da porta do prédio escolhendo um dos andares para o qual haja correspondência lógica de carteiro que me faz lembrar Neruda.
Como trabalho em casa sou muito caseiro e o tipo já me apanhou a presença lareira além de eu receber muitas contas para pagar, o botão da minha campainha já está metido para dentro com a impressão digital do carteiro... é por isso que sei bem a que horas ele costuma aparecer e aquela lógica dele para escolher para casa de que condómino vai tocar.
A minha lógica simples e geral dizia-me então que se ele tinha tocado para mim então logo existo e então eu tinha certamente correspondência na minha caixa de correio. Pois é. Mas desta feita a minha pobre lógica deixou-me ficar mal.
Quando pelas 12:26 desci para ir almoçar abri a caixa de correio para ver se seria mais uma das habituais continhas...

Oh! Espanto!
Lá dentro, um simples envelope branco com alguns dizeres impressos na frente, nos cantos superiores dum lado "oeiras a mudança tranquila www.oeirastranquila.com", do outro lado "infomail", e sem qualquer selo, carimbo ou vinheta, logo não tinha vindo pelo correio, tinha sido posto em mão. A caixa nada mais continha nenhuma correspondência.
Cheirou-me a esturro mas curioso, abri o envelope, para constatar apenas que envelopava uma missiva impressa dum dito cujo candidato socialista às eleições autárquicas a convidar-me a votar nele por ele e o partido dele se acharem o mÁximo!

Por acaso, ainda estou algo indeciso sobre o meu sentido de voto. Oeiras não é um Concelho onde a escolha seja fácil, em particular para quem nutre por ele um sincero carinho. E por 'indeciso' refiro-me a todo o espectro político da Esquerda (ou aparentado.)
Mas se eu não estava inclinado para o P.S. então agora é que posso dizer que neles não voto de certeza!
Pois se para fazerem campanha eleitoral vale tudo, vale até o tipo ou tipa ou afim que anda a distribuir a propaganda MENTIR aos munícipes e fazer-se passar pelo carteiro para garantir que lhe franqueiam a entrada, imagino como serão com o poder...

p.s. (o scriptum...): curioso a dita missiva mencionar coisas como qualidade de vida obras estruturantes acessibilidades creches infantários trabalhadores famílias felizes fóruns provedores web (leia-se micro$ofre e windows) e etecéteras, e não ter uma única menção à palavra CULTURA... olhem que esta já foi inventada... há muitos anos...


NISI CREDIDERITIS NON INTELLIGETIS

Segunda-feira, Junho 27, 2005

COOL JAZZ FEST

Caros visitantes:

Aproxima-se a segunda edição do COOL JAZZ FEST, que se realiza de 10 a 30 de Julho de 2005.
Do programa sobressaem os 3 primeiros espectáculos, que terão lugar em Oeiras:
10 - Us3 - Casa da Pesca, Oeiras
12 - José Feliciano - Casa da Pesca, Oeiras
13 - Thievery Corporation - Casa da Pesca, Oeiras
16 - Maria Bethânia - Jardim do Cerco, Mafra
26 - Mariza - Cidadela, Cascais
27 - Jaime Cullum - Cidadela, Cascais
30 - Marianne Faithfull - Cidadela, Cascais
Todos os espectáculos começam às 22 h.

No site oficial pode ler-se, cito: "A primeira edição do COOL JAZZ FESTIVAL, decorreu de 9 a 26 de Julho de 2004, em várias salas dos concelhos de Mafra, Sintra (Património Mundial da Unesco), Oeiras e Cascais. A escolha recaiu sobre estes locais por serem zonas emblemáticas, descontraídas, reconhecidas como locais turísticos ao nível nacional e internacional e, de certa forma, associadas à música, ao lazer e à descontracção.
Em cada concelho os espaços escolhidos, históricos, bucólicos e intimistas, acolheram este Festival num ambiente único, abrilhantado com as actuações de Ravi Coltrane, Adriana Calcanhotto, Roy Ayers Camané, Ed Motta, Barbara Hendricks & the Magnus Lindgren Jazz Quartet, Jacinta e Buddy Guy.
Em 2005, o desafio continua, trazer artistas de qualidade, dentro do conceito do Cool Jazz Fest.
As palavras de ordem do 1.º COOL JAZZ FESTIVAL são: criatividade, fusão e liberdade musical, diversão e descontracção.
Tendo como referência festivais consagrados como Tim Festival (Brasil) e o Festival de Jazz de Montreaux (evento que vai já para a 38ª edição e hoje em dia apresenta também derivações e fusões com outros estilos musicais, que não só o Jazz), este evento pretende – reconhecendo ainda a sua fase embrionária – assumir-se como um evento de referência no panorama musical português.
A constatar pelo calibre dos nomes que compõem o cartaz do COOL JAZZ FEST’2005 – Jamie Cullum, Marianne Faithfull, José Feliciano, Us3, Mariza, Thievery Corporation, Maria Bethânia -, acreditamos que a 2.ª edição deste festival será novamente um sucesso."

Mais informações no Roteiro 30 Dias de Julho (editado pela CM Oeiras) e em http://www.cooljazzfest.com/

HAJA SWING !

Quinta-feira, Junho 16, 2005

lembrete

ADIAFA !

Amanhã, às 22 h., no PICADEIRO, Jardim Municipal de Oeiras, os ADIAFA !

Quinta-feira, Junho 02, 2005

música nas Festas de Oeiras

Olá Visitante.
Estão quase a começar as tradicionais Festa de Oeiras!

Ora, é o calor e as noites quentes de Verão... são os Santos Populares e os bailaricos... é a bela sardinha assada e o valente chouriço assado... o que quer que seja, acompanhado dum bom tinto alentejano... talvez seguido dum passeio nocturno à beira-rio / beira-mar, em boa companhia... são coisas a convidar a não ficar em casa!

Para quem gosta de música, destaco do programa das Festas (03-19 Junho), para quase todos os gostos:

03, sex., 22:00 - Rui Veloso - Parque dos Poetas, Oeiras.
04, sab., 22:00 - Tony Carreira - Palco da Feira, Oeiras.
05, dom., 22:00 - Paulo de Carvalho e Banda - Palco da Feira, Oeiras.
06, seg., 22:00 - Camané - Largo 5 de Outubro, Oeiras.
09, qui., 22:00 - André Sardet - Fábrica da Pólvora, Barcarena.
10, sex., 22:00 - Pedro Miguéis - Palco da Feira, Oeiras.
11, sab., 22:00 - Vitorino e Banda - Centro Cívico de Carnaxide.
17, sex., 22:00 - ADIAFA - Palco da Feira, Oeiras.
18, sab., 22:00 - Madredeus - Casa da Pesca, Oeiras.
19, dom., 22:00 - Pedro Abrunhosa - Zona Ribeirinha, Algés.

nota: este apontamento é passível de erros e omissões pelo que aconselho a que o programa oficial seja consultado no site da Autarquia, em http://www.cm-oeiras.pt/

Bom fim-de-semana e boas sardinhadas!

Quinta-feira, Maio 26, 2005

Oeiras Local - informaçao

Olá !
Hoje não trago uma estória mas uma informação.
Venho divulgar um outro blog de cuja existência tomei há dias conhecimento, e que me parece merecer destaque e uma visita.
Chama-se Oeiras Local, debate temas relacionados com o Concelho de Oeiras e, pelo que me pareceu, fá-lo com um espírito bastante democrático.
Podem encontrá-lo aqui: http://oeiraslocal.blogspot.com/

Até já!

Sábado, Maio 07, 2005

in memoriam - António Martins

Este texto é uma pequena e breve homenagem a um homem que, se fosse vivo, faria hoje 126 anos e que conheceu Oeiras muito antes de eu ter vindo ao mundo.



ANTÓNIO FERREIRA MARTINS nasceu a 7 de Maio de 1879 em Albergaria-a-Velha, filho de Ana da Silva dos Santos. Não lhe conheço nome de pai mas tê-lo-ia certamente como todos nós e, segundo o meu pai, que o conheceu bem pois foi educado por ele, ele sabia quem era o seu progenitor (há quem diga que era o patrão de sua mãe...)
A crer no Bilhete de Identidade 118336-A, datado "Lisboa, 28 de Outubro de 1941", era um homem baixo, 1.60 m., e tinha olhos castanhos.

Sou bisneto dele e a partir daqui vou referir-me a ele como o 'avô', pois foi assim que sempre ouvi referi-lo, ao longo de toda a minha vida. Não só pelo meu pai, seu neto por parte de mãe, mas por todos os familiares, incluindo o meu ramo materno, pois o avô foi uma referência e um pilar de toda a família enquanto foi vivo, e ainda é recordado com profunda saudade por todos.

Enviuvou de Candida Mendes Martins, sendo uma das filhas deste casamento Hortense Martins. Esta Hortense é a mãe de meu pai, e portanto Candida é avó de meu pai.
Casou em segundas núpcias com Sofia da Silva, de quem, aliás, não houve descendência.
E aqui começa a desenhar-se o motivo que o tornou um pilar central da família.
Sofia era irmã de Angelina, minha avó materna, logo era tia da minha mãe.
O avô era avô do meu pai, este casado com a minha mãe, logo era 'avô adoptivo' desta...
Sofia era mulher do avô, avô do meu pai, logo 'avó adoptiva' dele...
O avô era marido de Sofia, tia da minha mãe, logo 'tio adoptivo' dela...
Sofia era tia da minha mãe, casada com o meu pai, logo 'tia adoptiva' dele...
Assim, o avô era simultaneamente avô e 'tio adoptivo' do meu pai, e Sofia era tia e 'avó adoptiva' da minha mãe! Os meus pais, além de esposos, são 'primos adoptivos'!!!
Claro que com esta relação entre os dois ramos familiares, toda a gente se sentia 'neto' do avô, p.ex. os irmãos da minha mãe, os primos dela, etc.

Desconheço o percurso do avô desde que saiu da terra onde nasceu até se fixar em Lisboa. Sei que trabalhou na Metalúrgica de Benfica, julgo que era uma fundição, onde terá fundido os candeeiros de ferro que rodeiam o obelisco dos Restauradores. Orgulhava-se, aliás, de o ter feito, pois fundiu-os em peça única, contrariando a opinião do engenheiro, que considerava tal coisa impossível e que após constatar os bons resultados do trabalho, deu o braço a torcer e fez questão de desfilar de braço dado com o avô pela oficina, entre alas formadas pelos operários. O engenheiro de fato e gravata, o avô de fato-macaco sujo e encardido... O avô contava esta história com grande orgulho e entusiasmo, segundo testemunhos. Sei que mais tarde, já comerciante, a sua firma teve relações comerciais com esta empresa.

Desconheço também o que aconteceu até casar com a minha tia-avó Sofia.
Tanto quanto sei, ela, empregada numa fábrica ou oficina, conheceu-o por via do armazém de velharias (ferro-velho, sucatas) que o avô tinha em Alcântara ao lado do local de trabalho dela... ele, homem dos seus cinquenta e tal anos... ela, moçoila de vinte e poucos anos... e as coisas aconteceram...
Como certo tenho que o avó, era um comerciante ligado à indústria.
Tinha o citado armazém de 'trastes' em Alcântara. Talvez tenha começado aqui a sua actividade comercial.
Sobre esta actividade há uma história trágica. Alguns operários da firma do avô tinham ido a uma fábrica, relacionada, ao que se sabe, com gás, desmontar alguns equipamentos ou máquinas. Estas teriam sido adquiridas pela firma do avô à tal fábrica, que certamente já não necessitava delas, para serem vendidas como sucata. Quando estavam a trabalhar ocorreu uma explosão que, tanto quanto sei, matou um ou dois dos operários. O avô pagou uma choruda indemnização às famílias, pois estes operários estavam a trabalhar numa situação ilegal.
O mencionado armazém talvez pertencesse à empresa de sucata, de grande dimensão, "Martins & Cadório, Lda." da qual o avô era sócio, julgo que ou maioritário ou com metade das quotas, ou não faria sentido o seu nome aparecer na designação da firma. Ou talvez esta firma tenha nascido a partir da actividade daquele armazém.
Para dar uma ideia da dimensão desta empresa, à data da morte do avô, estava acostado no cais de Alcântara um velho cargueiro que a empresa tinha adquirido para desmantelar e vender a sucata resultante às fundições.
Negociavam sobretudo com fábricas e fundições, de metalurgia e metalomecânica, e por isso a sua ligação a Oeiras, por via dos negócios que tinha com a Fundição de Oeiras.

Era grande amigo do Cardoso, que foi dono da Fundição de Oeiras, e frequentava a casa deste, nesta localidade, junto à estação da CP.
Julgo saber que o Cardoso apenas terá adquirido a Fundição de Oeiras nos anos 40. Desconheço se este Cardoso já tinha alguma ligação anterior com esta. Talvez fosse engenheiro e lá tivesse trabalhado antes de a adquirir, o que era algo comum na época. Tenho documentos fotográficos de visitas do avô ao que ele chama a "Quinta do Cardoso" datadas de 29 de Agosto de 1926 que mostram o avô e o Cardoso na casa deste. Isto demontra que o avô já conhecia o Cardoso nesse ano e também que já frequentava Oeiras nessa época. Disto presumo que talvez nessa altura já existissem relações comerciais entre a "Martins & Cadório, Lda" e a "Fundição de Oeiras".
Era ainda sócio da "Sociedade Ultramarina de Conservas, Lda.", proprietária duma fábrica de conservas, situada em Cabo Verde. Fábrica esta que, segundo ouvi, na Segunda Guerra Mundial forneceu os exércitos alemães. Há poucos anos esta fábrica ainda se encontrava em laboração.
Foi por esta via que a família conseguiu contornar parcialmente o racionamento imposto pela guerra. O avô recebia, na sua qualidade de 'patrão', latas de atum em sua casa que distribuía pelos familiares. Eram umas latas redondas, umas mais pequenas e outras maiorzinhas.
A minha mãe conta a propósito deste período negro da nossa história, que alguém, não sei quem, ia à "Sena Sugar Estates" (antiga "Refinaria Colonial"), fábrica de açúcares em Alcântara, onde em tempos tinha trabalhado o meu avô Júlio Baptista como guarda-livros, buscar açúcar, que lhe era fornecido em pacotes com torrões quase negros de açúcar. Talvez o chamado 'açúcar mascavado' (tenciono falar um destes dias dos meus avós e daquele período 'fantástico' dos anos 20-30 em que viveram, se a tanto me ajudar engenho e arte...) O edifício desta refinaria foi demolido há poucos anos (por volta de 1993 a refinaria foi abandonada). Era um enorme edifício de tijolo e situava-se junto da estação da CP. Tenho uma vaga ideia de que o mesmo chegou a pertencer à Sidul/Sores. Quanto à Sena Sugar, encontrei na Internet referências à empresa que a situam actualmente na África do Sul.

O avô gostava de passear: Espanha, França, Marrocos, foram locais onde veraneou em turismo, sempre acompanhado da esposa Sofia. Chegou mesmo a fazer-se acompanhar dos meus pais nalguns desses passeios turísticos, quando eles eram namorados.
Era, certamente, um homem duro e rigoroso. O meu pai conta que um dia levou um valente estaladão do avô, e já tinha 18 anos, por este o ter surpreendido a fumar um cigarro! Segundo o meu pai, estava distraído a sorver o fumo da sua cigarrada quando o avô surgiu por trás sem que ele se apercebesse e de repente... Plaf!, sai um chapadão! O avô não tinha dado autorização ao meu pai para fumar, daria mais tarde, e não admitia abusos.
Do seu carácter sobressai também que era um homem que gostava da boa mesa. Frequentava as melhores casas de Lisboa, como o Martinho da Arcada e o Tavares Rico, onde se reunia com os amigos frequentemente em grandes comezainas que, aliás, parece que ele é que pagava e por isso estava sempre rodeado de muitos amigos.... Existem muitos documentos fotográficos que o comprovam.
O meu pai conta a este propósito uma história, creio que passada no Martinho, que demonstra bem o seu apetite voraz: Era hábito o avô comer sopa, e aquele dia não foi excepção. O empregado, solícito como sempre, que as gorjas eram avultadas, trouxe a sopa do costume. Mas esta não encheu as medidas do avô, e ele pediu outro prato de sopa, que o empregado trouxe de imediato. Contudo o avô estava num dia de particular apetite e esta segunda sopa teve que ser seguida por outra... e outra... e outra... até o empregado se acercar embaraçado, acompanhado do cozinheiro, e comunicarem, após milhões de desculpas, ao "Sr. Martins que já não tinham mais sopa". O avô tinha, literalmente, devorado 19 pratos de sopa!

Entre os seus grandes amigos, e refiro-me aos verdadeiros, contava-se também o Sr. José Gonçalves Monteiro, proprietário da conhecida Casa Monteiro, na Baixa lisboeta. Sobre este Sr. Monteiro corre também uma história na família: Ao que parece, ele era casado (D. Laura) mas não tinha filhos. Talvez problema dele, talvez da esposa. A verdade é que se sentia infeliz por não ter descendência a quem deixar o seu 'império', conquistado à custa de tanto esforço. Refiro-me em especial à Casa Monteiro, na Baixa Lisboeta. Um dos grandes armazéns lisboetas, rival dos Armazéns do Chiado e da Casa Grandela. Diz-se que, quando eu nasci, o Sr. Monteiro ofereceu 300 contos, uma imensa fortuna na época (1957), ao meu pai, que trabalhava lá na casa, para abdicar da minha paternidade e permitir que ele me aperfilhasse e que eu fosse viver com ele e a mulher para ser educado por eles, como filho deles, e assim tornar-me herdeiro dele. O meu pai recusou... quem me conhece nota...

Só me lembro de ter visto o avô uma única vez. Apenas uma, mas é uma imagem que se gravou a fogo na minha memória, e se tornou indelével. Foi pouco antes de ele falecer e eu teria os meus 3 anos.
Foi na casa que ele habitava, num prédio da Rua Domingos Sequeira, na Estrela.
Lembro-me de ter entrado numa sala ou quarto, mergulhado na semi-obscuridade, no centro do qual estava um senhor idoso imóvel, sentado numa enorme poltrona. Parece-me recordar que tinha um cobertor sobre as costas e outro sobre as pernas. Estava bastante agasalhado. Alguém, talvez o meu pai, disse "zézinho, este é o teu bisavô". Aproximei-me dele levemente, olhei-o com os meus olhinhos infantis e curiosos, e julgo que me acariciou os cabelos. Nunca mais o vi.

Por vezes penso no quanto ele saberia sobre Oeiras, como esta era quando ele a visitava. A estação de comboios, as ruas, as quintas, a praia, o ar... O que ele sentia e o que os seus olhos viam quando aqui vinha. Como eram as casas, as gentes... tantas perguntas que eu teria para lhe fazer...

Pois é, gostava de ter conhecido o AVÔ.


post scriptum: indo a http://homepage.mac.com/zetolas/Hueiras/PhotoAlbum9.html - ou clicando AQUI -, pode ver algumas das citadas fotografias do avô em Oeiras em 1926.

Terça-feira, Dezembro 07, 2004

Bairro-Liceu


Como já referi noutra prosa, quando vim para Oeiras fomos morar para a casa do 43 da avenida Infante D. Henrique. Aí permanecemos cerca de dois anos. A propósito desta casa, segundo me lembro, ela pertencia a um homem do Partido Socialista cujo nome não recordo agora, e que na altura estava preso. Íamos a Nova Oeiras pagar a renda, a casa do advogado dele, que também estava preso!!! Sim, que a Pide adorava prender pessoas, e quando lhe dava para aí, começava numa ponta e acabava na outra. Ia tudo dentro! Às vezes pergunto a mim mesmo como ainda havia pessoas fora da cadeia em Portugal...
Nesse interim em que ali vivemos, e hei-de escrever também sobre esta casa, estava a ser construído o cognominado 'Bairro Novo', do Fundo de Fomento da Habitação, contíguo ao 'Bairro Velho', da mesma instituição (pseudo habitação social...), na antiga Quinta da Medrosa.

O nome desta antiga quinta servia também para designar ambos os Bairros, como 'O Bairro da Medrosa', aglutinando-os numa unidade habitacional que, quando era usada como resposta ao 'onde moras?', habitualmente provocava a pergunta 'no Novo ou no Velho?' ou ainda, mercê da relação topológica, 'no de Cima ou no de Baixo?'.
Era ainda apelidado de 'Bairro das Caixas', não devido ao aspecto ou à qualidade arquitectónica do mesmo, mas derivado de 'Caixas de Previdência', através das quais, julgo saber, era feita a inscrição para obtenção de casa. É, o Bairro, os Bairros, tinha, tinham, muitos nomes...

Mas para a generalidade dos oeirense e mesmo forasteiros, não pasmem porque tem uma explicação muito chã, a simples menção de Medrosa era mais que suficiente para situar o local.
A explicação para muitos forasteiros conhecerem a Medrosa era o facto de a Praia da Torre ser local de veraneio para muitos. Como não existia qualquer espécie de transporte (eu devia dizer 'já não existia'; ao que parece, em tempos remotos, existiu um transporte em carroça), as pessoas faziam o percurso entre a estação de comboios de Oeiras e a praia a pé. O percurso mais curto era precisamente seguindo pela avenida Infante D. Henrique e atravessando pelo meio do Bairro. Mesmo seguindo pelo percurso mais longo e natural, a Estrada Militar (hoje Estrada da Torre), esta bordeja a Medrosa, a bombordo, separando-a dos Lombos, a estibordo.

Faço aqui um pequeno apontamento intercalar sobre os dois Bairros: Para além da qualidade de construção e acabamentos, superior no mais antigo, o Bairro Velho, este era de renda económica. O Bairro Novo era de renda resolúvel, pelo que ao fim de 25 anos as casas passaram automaticamente a pertencer de pleno direito aos respectivos moradores. No Bairro Velho, creio que ao fim dos 25 anos, os moradores tiveram que comprar as casas para ficarem com elas. Acho que pagaram o diferencial entre o que já tinham pago em rendas e o valor das habitações.
Seja como for, havia muita gente a saber onde era a Medrosa e o respectivo Bairro.

Foi para este Bairro da Medrosa, o Novo, que mudámos então, passado algum tempo.
Isto terá ocorrido em 1972, talvez por altura das férias do Verão, visto que só habitámos o 43 cerca de dois anos, e não creio que tenhamos feito a mudança a meio do ano lectivo. Sei que estávamos à espera que acabassem a construção do Bairro e que a casa que fomos habitar ainda esteve habitada por outra família, que a estreou e lá morou durante cerca de um ano.

Lembro-me de, antes de entrar para o Liceu (1973), algumas vezes ir a pé para o Colégio Portugal, na Parede, pela praia fora, só pelo gozo do passeio.
Saía de casa, na praceta Gonçalves Zarco n.º 5, onde habitávamos o 4.º andar, e que os meus pais ainda habitam, seguia pela Estrada Militar até ao Forte de São Julião da Barra, inflectia à direita na direcção da pequena Praia do Moinho, e seguia pelo 'paredão' da Praia de Carcavelos. Dum lado o mar imenso, do outro a Avenida Marginal e a Quinta dos Ingleses. Apenas no fim da praia surgiam as primeiras construções, no Junqueiro, sobressaindo pela dimensão o Hotel Praia Mar e o Hospital Dr. José Almeida, já à entrada da Parede, na Ponta da Rana.
Este magnífico passeio era uma oportunidade excelente para 'catar' toda a espécie de fósseis, existiam imensos espalhados pelo chão junto ao 'paredão', e era só metê-los no bornal. Na sua maioria eram Turritelas, das quais guardo ainda uma meia dúzia. Na Ponta da Rana, próximo dos viveiros, existia também um grande rochedo cuja superfície era um incrível mar de cristais. Não sei o que era. Mas existiam pedaços a juncar o chão à volta, e também aí recolhi alguns espécimes desses cristais que, apesar do meu interesse pela Geologia, nunca soube o que eram. Mas lá bonitos, eram eles! E como faziam brilhar a minha in-fi-ni-ta colecção de rochas, pedras e calhaus!

Durante esse ano lectivo de 72-73, o meu percurso habitual era pela avenida Infante D. Henrique ou pela Estrada Militar, até à estação de comboios de Oeiras. Exceptuavam-se, como já referi, os eventuais percursos a pé pela praia.
Em 1973 entrei finalmente para o Liceu Nacional de Oeiras, para frequentar o antigo 6º Ano. A minha forte apetência pela área científica levou-me a optar pela alínea de Geologia. Apenas dois anos para acabar o Liceu e depois... quem sabe, talvez desse para a Faculdade. Mas muita água correria ainda por baixo da ponte...
O meu percurso a caminho das aulas, que era antes feito entre casa e o Colégio Portugal, mudou então e passou a ser através do Bairro Novo e do Bairro Velho em direcção ao Liceu.
Seguia pela rua D. Filipa de Lencastre, descia a rua à esquerda, rua Infante Santo, hoje serventia do Casal da Medrosa.
Chegando à avenida D. João I o panorama era muito diferente do de hoje. As vivendas na rua Alexandre Herculano já existiam. Mas pouco mais havia, e o que ali estava desapareceu para sempre.

Olhando para a esquerda, via-se o Bairro Velho, e em frente do outro lado da avenida um terreno baldio a confinar com as traseiras das vivendas da rua Alexandre Herculano. Este espaço está hoje ocupado pela Igreja, pelo snack Sentença, e por um parque de estacionamento.
Olhando para a direita, via-se logo ali ao lado uma taberna, genialmente chamada de "Apolo 70", talvez porque a fauna habitual normalmente saía de lá em condições óptimas para entrar em órbita..., frente à qual estava uma enorme e elegante palmeira, que me impressionava pela altura que atingia. Desafortunadamente não tenho nenhuma fotografia da mesma, mas se não ultrapassava a altura dos prédios do Bairro Velho (4 pisos), muito não faltaria. Também esta seguiu o destino de muitas outras espécies arbóreas, trucidadas impiedosamente pela sanha urbanística.
A seguir a esta taberna existia um imenso bairro de barracas que só acabava no fim da avenida, onde esta entronca com o princípio da rua Infanta D. Isabel. Aquele troço de rua que dá acesso ao Lar dos Filhos dos Oficiais e Sargentos, na época ligava directamente à Avenida Marginal. Não existia a rua da Cidade do Mindelo, recente, paralela à Avenida Marginal, que cortou este acesso. Esta referida zona está hoje ocupada por parte do Casal da Medrosa, pelo Pavilhão Desportivo Escolar e pela Escola Preparatória de São Julião. Em frente às barracas, do outro lado da avenida, existia apenas o Campo da Bola, no espaço hoje ocupado por um condomínio privado (mais um...).
Olhando em frente tinhamos a calçada com que termina a rua Infante Santo, que liga à rua Alexandre Herculano, calçada que ainda existe.
Do lado direito desta era também terreno baldio até ao Campo da Bola. Hoje está ocupado pelo Tribunal.
Ainda do lado direito da calçada e bordejando esta existia uma meia dúzia de figueiras que davam os mais doces e celestiais figos que já alguma vez comi. Por isso tantas vezes ali íamos à 'chinchada'. Era à sombra destas figueiras que existia ali um acampamento permanente de ciganos, com os quais, aliás, nunca tivemos problemas.

Sobre estes ciganos conta-se uma história muito engraçada: Aquando da 'campanha' de erradicação de barracas promovida pelo Isaltino de Morais, que acabou com o bairro de barracas já citado anteriormente, diz-se que o presidente terá dado cerca de 100 contos áqueles ciganos para sairem dali e do Concelho.
Eles sair, até sairam. andaram 200 metros mais para o lado e acamparam do outro lado da Estrada Militar!
Ora o 'outro lado' já é pertença do Concelho de Cascais, logo...
No dia seguinte andava o cigano pelo Bairro a conduzir o seu novo triciclo motorizado azul, certamente comprado com a massa recebida do Isaltino, com as ciganas sentadas atrás, e com um sorriso malicioso no rosto, talvez a recordar a cara do Isaltino quando lhe passou as notas para a mão, sim que os ciganos não aceitam cheques.
Se a história é verdadeira ou falsa, não posso confirmar. Apenas confirmo a 'migração' para a 'outra banda' da Estrada Militar, porque vi o acampamento nesse local, onde permaneceu durante largo período, e a cena do triciclo azul, porque a testemunhei.

Enfim, após subir a calçada, virava à direita, já na rua Alexandre Herculano, e pouco depois virava à esquerda, para subir a rua do Liceu, et voilá! Aulas e depois o regresso a casa pelo percurso inverso, com mais uns figuitos pelo caminho, e muito regabofe, que sempre se encontravam amigos pelo caminho e isto de ser adolescente tem muito divertimento à mistura!

Como o Bairro da Medrosa era diferente naquele tempo!

Sábado, Dezembro 04, 2004

forja de caracteres


Quando em 1970-72 eu miúdo acordava estremunhado com o uivo sinistro da sirene da Fundição, ali mesmo ao lado da minha casa, ali mesmo ao pé da minha cabeça, ali mesmo aninhado na minha almofada, a gritar doidamente que era chegada a hora...
quando espreitava à janela no meu ensonado voyeurismo matinal para, por entre a veladura das ramelas, ver a chuva cair lá fora, a anunciar um frio, arrepiante, deprimente e molhado dia de Inverno, ou para ver a límpida luz do sol prenunciadora dum belo dia de praia, prenhe de alegrias, risos e prazeres...
quando via passar lá em baixo na rua as operárias e os operários a caminho de mais um dia suado, imensa mole de ganga escura e remendada, lugubremente encardida pela fuligem, que sabão algum do mundo conseguia expurgar...
quando passava, frente áquele enorme portão verde de correr, evocativo das grades de uma prisão, no seu ar ameaçador de boca escancarada, gulosa e lasciva, que convida a entrar para logo de seguida se fechar nas nossas costas com um sorriso malévolo de quem sabe que nos tem na mão, aprisionados para sempre, o que se tornou realidade para alguns, que lá deixaram dedos, mãos, braços, triturados, mastigados e devorados por aquela máquina gigante e antropófaga, antropofagia do ser incauto...
quando olhava infantilmente, contudo sobranceiro e altivo, do terraço do 43 para as coberturas das secções, por baixo das quais, sabia, escorria o sangue e o suor dos labutadores à míngua da sobrevivência pedinchada, numa época em que a única aspiração do povo era o ar...
quando sentia e quase via aquele grosso rio de ferro em fogo líquido escorrer braseiro, denso e rubro, numa força medonha e milenar cristalizada na história dos homens, forjados, forjadores, de forjas forjadas, dialéctica metalúrgica companheira da outra...
quando encontrava numa vala medroseira as escórias displicentemente abandonadas, infraprodutos residuais vidrados, belas na translucidez esverdeada, mas inúteis e abandonadas ao esquecimento da sepultura sob os posteriores edifícios outeirianos e lombosianos e condomínios privados, assombrados por fantasmas vulcânicos evolados delas...
quando falava com alguém que lá tinha trabalhado e que tinha sempre histórias as mais fascinantes de-ser-operário-num-país-fascista para narrar, como aquela em que os patrões fecharam a fábrica durante vários dias com os operários lá dentro, numa inglória batalha da produção, para sustentar inúteis esforços de guerra, alimentando-se aqueles homens com a comida que as mulheres lhes levavam diariamente e passavam através das grades...
quanda lá entrei pela primeira vez, para um comício, um encontro, um almoço ou algo assim, no calor da refrega e do ardor revolucionários imediatos à acção capitã, em que nos chamávamos ches, lenines, karls, josefes, fideles, maos, mas também zés e marias...

... eu não imaginava que um dia, em 1981, eu ali entraria para, durante quase dois anos e meio, me forjar operário de metalomecânica!

Quinta-feira, Novembro 25, 2004

novos links


Olá visitante.

Chamo a atenção para os dois novos LINKS deste blog.
Estão aqui mesmo ao lado e chamam-se:
"Património Histórico e Cultural de Oeiras" e "Oeiras em fotografia".

O primeiro conduz a um grupo de discussão aberta sobre Património de Oeiras.
O segundo encaminha para uma página com algumas fotografias de motivos patrimoniais interessantes localizados em Oeiras.

Até breve.

Quinta-feira, Outubro 28, 2004

adeus choupo que foste vítima de mentecaptos

1.

Hoje o acordar foi triste.

Eram talvez umas 09:45 quando saí do quarto e entrei no escritório.
Olhei pela janela, em parte para ver como estava o tempo, ultimamente manhoso, mas também para deixar os meus olhos passearem-se pela copa do magnífico e imponente choupo, visível a uns 5 ou 6 metros da minha varanda.

Um pormenor de imediato captou a minha atenção: um preto empoleirado num ramo, de serrote em punho, serrava furiosamente algumas grossas ramadas à sua volta.
No entorpecimento matinal, ocorreu-me ingenuamente que a Câmara, receosa de potenciais acidentes, ou avisada da iminência de algum, tivesse decidido podar algumas ramadas de natureza mais instável.

Achei bem.
Há que zelar pela segurança de pessoas e bens.
Há que acautelar, antes, para não ter depois que 'reparar o irreparável'.

Sentei-me na cadeira e concentrei-me no ecrã do computador.
Havia muito trabalho para fazer.
Muitas ilustrações para desenhar.
Assim se passou talvez uma ou duas horas.
Concentrado, como é meu hábito, desligado de tudo o que me rodeava, não assisti, felizmente, ao crime hediondo e inqualificável que estava a ser perpetrado.

Fui para ele despertado pelo grito de horror de minha esposa, que entretanto entrara no escritório:
— Destruíram o nosso choupo!
Olhei para a janela e fiquei horrorizado, completamente estarrecido.
Da frondosa e imensa copa, refúgio de centenas de pardais e outra passarada, já nada existia.

Via-se apenas a ponta serrada, partida, triste e ferida do tronco, projectando-se deste os cepos selvaticamente rachados do que antes foram grossos ramos e compridas ramadas, que sustentavam como braços de gigante aquela copa imensa que murmurava no silêncio da noite, que dançava na brisa fresca, que tantas vezes me embalara em noites de insónia.

É indescritível, é inefável, o som do murmúrio daqueles milhares de folhinhas a roçagarem umas nas outras no silêncio lunar.
Não tenho palavras para descrever o profundo, sublime, sentimento de prazer provocado por essa sinfonia, que era o ciciar das folhas acompanhado pelo pipilar cúmplice da passarada.
Quantas vezes, à noite na cama, me deliciei a ouvir esse autêntico concerto de jazz consubstanciado no swing das vibrações do ar, que vindas do choupo me entravam pelo quarto dentro e se espraiavam por cima da cama como um suave véu de seda macia, que me adormecia na convicção da transcendência.


2.

Quando saí de casa para ir almoçar, tive oportunidade de falar com algumas pessoas, sendo que a primeira foi uma engenheira florestal da Câmara Municipal de Oeiras, assim se identificou, que tinha sido alertada por um munícipe e estava a procurar averiguar de quem partira a ideia daquela barbárie.
Pouco tempo passado, disse-me, sem o garantir, que a acção parecia ter partido da própria Câmara, por razão de um qualquer projecto de acesso pedonal com rampa para deficientes, a construir naquele mesmo local.

É de louvar a preocupação com a melhoria das acessibilidades, mas quem conhece o local não acredita de modo algum na impossibilidade de desenhar uma solução capaz de poupar a vida a tal árvore, cujas características a tornavam indubitavelmente Património Natural do Concelho.

Uma outra senhora com que falei referiu-me que morava ali há cerca de 30 anos e lembrava-se de sempre ter visto ali a árvore.
Um senhor disse-me da dificuldade de uma mãe ou avô, não recordo bem, que passava, explicar à criancinha com quem ia e que a questionara, o que estava a acontecer e porque razão aqueles homens estavam a fazer aquilo à árvore.
Mais duas ou três pessoas com quem também falei mostraram-se escandalizadas com o acontecido.
O léxico utilizado pelas pessoas contemplava, em regra: crime, barbaridade, selvajaria, hediondo, etc.
O sentimento geral dos munícipes pareceu-me de revolta e indignação.

Para dar uma ideia da dimensão da citada árvore refiro que moro num 2.º andar e a minha varanda ficava abaixo do meio da copa.
Tanto quanto recordo, e tenho ainda documentado com 2 fotografias, a árvore atingia no seu ponto mais alto quase o 5.º andar do meu prédio.
Refiro ainda que o ponto de implantação da árvore não era ao nível do prédio, mas mais abaixo, cerca de uns 2,5 m., pois daquele lado existe um pequeno talude.
Isto tudo somado dava ao choupo uma altura estimada de cerca de 15 a 20 m.


3.

Onde estava um choupo, que nos dava qualidade de vida, agora vamos ter ferro e cimento...

Onde estava um choupo cuja copa nos dava privacidade, agora temos as janelas dos vizinhos...

Onde estava um choupo que era uma barreira natural contra o vento agora vamos ter a ventania...

Onde estava um choupo que era um 'planeta' carregado de vida vegetal e animal, numa miríade de microorganismos e de pequenos seres vivos que nele tinham o seu habitat, o seu ecossistema, ou parte dele, e que com a árvore interagiam num processo vital de simbioses e cadeias alimentares multifacetadas e riquíssimas, agora vamos ter...


4.

Enquanto escrevo isto, sentado frente ao computador, no mesmo sítio de sempre, olho para a direita através da janela e sinto um aperto na garganta. Há algo que me estrangula e falta-me o ar!

Sexta-feira, Outubro 01, 2004

PATRIMÓNIO - curso livre em Oeiras


A Câmara Municipal de Oeiras organiza o curso livre:

PATRIMÓNIO(S), Do Global ao Local

onde - Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, Urb. do Moinho das Antas.
quando - 7 de Outubro a 4 de Dezembro.

mais informações - CM Oeiras, DASC/DCT/Sector de Acção Cultural, Tel. 21 440 85 52/87, Fax. 21 440 48 33, e-mail: susana.pereira@cm-oeiras.pt

Terça-feira, Setembro 21, 2004

Ciclo Internacional de JAZZ


JAZZ em Oeiras aplaudo mesmo saber sem ver vou se.

22 a 25 de Setembro 2004.

No Auditório Municipal Eunice Muñoz.

- Século do Jazz.
- Trio Filipe Melo.
- Sud - Sylvain Luc Trio.
- Ivan Paduart Trio.

jazzétó :)

justificação


Quando criei este blog o meu objectivo inicial foi dispor de um lugar onde pudesse deixar registadas as minhas memórias de Oeiras.
E assim foi acontecendo durante algum tempo.

Entretanto, um acontecimento recente introduziu uma nova linha de orientação a este projecto.
Refiro-me à criação do Fórum OeirasReminiscente < http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ >.

Sendo que apenas disponho, por enquanto, deste blog para deixar informações e elementos diversos que complementem a actividade do Fórum, o propósito inicial sofre uma ligeira alteração.
Não pretendo abdicar do projecto original (memórias de Oeiras), mas sim incrementá-lo, utilizando o blog para as duas actividades: memórias e informações.

Desta forma, irão aparecendo textos com as minhas estórias, entremeados com informações as mais diversificadas.

Sábado, Setembro 11, 2004

Força Perpétua!


Quando pensamos em património, ocorrem-nos imagens de museus húmidos e fedorentos, habitados por almas penadas; de velhos edifícios, às vezes a cairem de podres; de ruínas de tempos antigos; de igrejas soturnas; de palácios solitários; de fortes cinzentões; de castelos tristonhos; de estações arqueológicas... em suma, de pedras, calhaus e coisas que tais.
Esquecemos sempre o PATRIMÓNIO HUMANO, as pessoas! O que seria daquele património feito de matéria inanimada se não existissem as pessoas?

Reside em Oeiras, tem 39 anos, chama-se Perpétua Vaza, é atleta paralímpica na modalidade de natação, e vai representar Portugal em Atenas, Grécia. Sim, essa Grécia com a qual temos umas contas a ajustar...
Vai representar Portugal, mas também Oeiras, pois é uma atleta cá do nosso burgo.
Pessoas assim também são Património. Colocam a nossa terra no mapa. Em muitos mapas. Por isso, merecem todo o nosso apoio e carinho.
Para a Perpétua, o nosso apoio na sua luta e os nossos votos de uma grande vitória. Vitória que já começou, no facto de lá estar presente.

FORÇA PERPÉTUA!

Terça-feira, Setembro 07, 2004

OeirasReminiscente - Património Histórico-cultural de Oeiras


Criei há pouco tempo um Forum — OeirasReminiscente — cujo objectivo se centra no Património Histórico-cultural de Oeiras.

Transcrevo a apresentação, que se encontra na página de abertura do Forum:
"Este lugar é um convite.
Um convite à troca de ideias, à reflexão, à divulgação de eventos, à partilha de conhecimentos e à entreajuda, com o objectivo de não deixar cair no esquecimento aquilo que os oeirenses construíram, no sonho de que durasse eternamente: o seu Património Histórico e Cultural.
A memória pode ser curta. Compete-nos contribuir para que se prolongue o mais possível, para que os nossos descendentes ou substitutos, os vindouros, tenham orgulho em herdar e viver nesta vila."

Trata-se de um Forum sem moderador, aberto à participação daqueles que se interessam por esta temática.
O funcionamento é muito simples: mailing list - qualquer membro participa enviando emails e todos recebem esses envios (mais pormenores podem ser conhecidos na página do Forum no endereço citado mais abaixo).
O Forum não tem quaisquer objectivos político-partidários nem pretende ser uma 'praça pública' para lançar ataques pessoais ou ideológicos, para 'lavar roupa suja' ou para 'peixeiradas'... Existem locais e meios próprios para isso.
Pretende, muito modestamente, ser apenas um espaço, isento q.b., de encontro de pessoas e ideias. Um espaço aberto à partilha de memórias, de estórias e de histórias, quiçá também de reflexão, de divulgação de eventos, enfim, um espaço para si, onde se sinta livre para fazer o que quiser e como bem entender.
O meu objectivo em criar este Forum foi proporcionar um espaço acessível e rápido, que seja um canal de comunicação entre todos aqueles que se interessam pelo Património Histórico e Cultural do Concelho de Oeiras ou que, não tendo nenhum interesse particular no assunto, disponham (e estejam dispostos) a contribuir com o seu saber e experiências para a defesa deste património.
Mesmo que não habite em Oeiras, talvez Você tenha passado por cá num qualquer dia, talvez tenha feito aqui a tropa ou namoriscado alguma catraia :) , talvez tenha uma história engraçada para contar, talvez tenha tirado uma fotografia, ... partilhe isso connosco!
Esperamos por si. Todos teremos a ganhar.

A página de abertura encontra-se em
http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/

Para subscrever envie um email para
OeirasReminiscente-subscribe@yahoogrupos.com.br

Sexta-feira, Agosto 13, 2004

Luis da vacaria


Não tenho nenhuma imagem na memória, dele pessoa nova. Sê-lo-ia certamente naquele tempo.
Mas a memória é como um rio heraclítico a fluir intemporal. A água que vemos agora passar parece a mesma de há pouco. Mesmo que entretanto tenham decorrido mil anos. Além de que, quando se é crianças, uma pessoa de, digamos, 40 anos, é velha, um 'cota' como se diz hoje. É necessário que o tempo faça desmaiar as frágeis folhas da vida, na luxúria outonal duma dialéctica sazonal, na aparentemente triste continuidade, para um dia percebermos, porque chegámos nós a essa idade, que velhos são os trapos.
E, assim, recordo-o velho, olhinhos vivos e brilhantes, um pouco ossudo e alquebrado, mas de voz espessa e possante a gritar o seu pregão. Se não avisava a chegada com a voz do corpo avisava com a voz da buzina da carroça, o que vai dar no mesmo. Fonc, fonc. Sentado na chiante carroça, puxada por uma mula que já vira melhores dias, debruçado sobre as rédeas, chibata na mão, num troc-troc rítmico, percorria o bairro, perseguido pela miudagem saltitante, ou com uma guarda-de-honra de bicicletas, parando nas ruas e pracetas, onde as mães e as avós acorriam a comprar o leite, os iogurtes, o pão, os ovos, que todos os dias ele religiosamente fornecia. E que, aqui para nós, eram do melhor e que bem que sabiam! Aquele pãozinho fresquinho logo pela manhã, espessamente barrado com boa manteiga, a acompanhar o café com leite, era uma oferenda divina que abria o apetite para o dia todo! Abria o apetite para a Vida!
Chamavamos-lhe sr. Luís da vacaria. 'Luís' de seu nome próprio e 'da vacaria' por ser proprietário de uma dita que existia nas imediações do bairro, próximo da Estrada Militar, actual Estrada da Medrosa.
O velho edifício, atrás do qual se situava a vacaria, ainda se conserva no local, hoje desabitado e de portas e janelas entaipadas a tijolo, sorrindo placidamente dos rumores de assombração fantasmagórica, que faziam passar ao largo a criançada, ali na ampla curva próximo do cruzamento de aceso aos Lombos, fazendo companhia ao pequeno forte de S. Gonçalo que fica também mais ou menos por trás.
Mas é do sr. Luís que quero falar.
Tinha fama de mulherengo. Diziam as más-línguas que na zona não havia empregadita ou criadita que escapasse ao seu faro apurado e ao catrapiscar do seu olho maroto, apesar da aliança doirada que trazia no dedo. Fama... tinha. Agora, se alguma vez teve o proveito...
Também, as mesmas línguas viperinas diziam em surdina, estas coisas não se dizem em voz alta, que ele aguava o leite. É caso para perguntar: se tinham, assim, tanta certeza, porque é que lho continuavam a comprar?
Nisto das más-línguas, nunca se sabe se falam por conhecimento de causa, se por despeito ou dor de cotovelo. Quem sabe, talvez quisessem apenas rivalizar com a mula que puxava a carroça do sr. Luís?
Antes da proibição de venda directa de leite, ele transportava na carroça as vasilhas metálicas, que atestava com o leite que tirava das suas vacas, vasilhas das quais retirava a quantidade que o cliente pretendia. Mas a proibição levou-o a mudar e a ter que se abastecer na UCAL, a passar a vender o leite empacotado. Uma consequência desta mudança foi ter passado também a vender iogurtes, que comprava à mesma empresa.
Como na vacaria também tinha porcos, além das vacas que nomeavam o local, e das galinhas, e sei lá que mais, ele ia frequentemente, com a carroça puxada pela tal mula que já vira melhores dias, pela Estrada Militar afora até ao quartel do RAC, buscar a 'lavagem' para dar de comer aos ditos. Para quem não sabe o que tal coisa é: a 'lavagem' é o resíduo que sobra das cozinhas e refeitórios. Cascas de batata, restos de legumes, restos de fruta, restos de comida, os porcos são omnívoros e não são esquisitos.
Esse percurso ao longo da estrada era uma oportunidade única para a miudagem andar de carroça. Pediam-lhe autorização, que ele sempre dava, e sentavam-se todos na parte de trás com as pernas de fora a baloiçar, numa gritaria eufórica que só adormecia depois do regresso ao bairro, quando era dada a ordem para saltar para o chão. Experiências campesinas numa vila com sonhos urbanos.
Eu só o costumava ver nessas ocasiões em que ele passava a pente fino o bairro, na sua venda ambulante. Não me recordo de alguma vez o ter visto noutro lugar que não fosse o acento da carroça.
Vi-o, sim, há poucos anos, abandonada toda a actividade por força da concorrência inumana dos supermercados, em particular do Pingo Doce nas Galerias Alto da Barra (que nos habituámos a referir como as 'Galdérias', excuso-me de explicar porquê...). Encontrei-o no Centro de Dia dos idosos da Medrosa. Aí passou os seus últimos anos na companhia de amigos, a maioria deles seus antigos clientes, no carinho e ternura lenta das memórias que não esquecem.

Da carroça e da mula, nem vestígios.

Sábado, Julho 24, 2004

a Torre


A Torre não é uma praia, é uma paixão.
Daquelas paixões para a vida toda, que se colam à pele como o cheiro agridoce de mil langonhas do corpo duma puta, que se entranha nos poros, que entra na corrente sanguínea, que é levada ao cérebro pelo bater do coração, e que preenche todos os interstícios do ser, indelevelmente.
Tinha uma qualidade ímpar. Era à medida do meu corpo e do meu espírito. Tinha uma geometria variável, que dependia do meu humor.
Às vezes era imensa como um deserto, extensa e infinita. Quase não descobria nela vivalma, excepto um ou outro camelo suburbano em busca do oásis cuja localização só eu conhecia. Outras vezes, minúscula e opressiva como uma esquadra de polícia de bairro. O ar parecia rarear e paredes invisíveis avançar poderosamente sem que as pudesse evitar de me confinarem ao nada que era eu.
Por ser uma enseada abrigada, era calma e segura como uma piscina. Uma piscina com ondas e marés, mas uma piscina, mesmo assim. As correntes, perigosas, passavam ao largo, para lá do bico do forte. E de qualquer das formas nós sabíamos que em caso de arrastamento bastava não lutar contra a corrente e deixar ir. O destino era a praia de Carcavelos. Quantas vezes corremos até esta para ir buscar alguém que tinha sido arrastado, por exemplo num colchão de praia, e que, como previsto, tinha contornado o forte e 'aportado' no extenso areal de Carcavelos. Era matemático.
O incontornável banheiro, sempre descalço, de t-shirt branca e calções azuis, que geria a concessão era o sr. António. Tinhamos simpatia por ele.
Só não gostávamos era dos binóculos gigantescos que usava, não só para a prevenção de acidentes com banhistas, mas também para vigiar o comportamento ético e moral na praia 'dele', como mandavam os bons-costumes...
Se algum casal de namorados se afastava para o fundo da praia ou para junto da muralha do forte, e se deitava na areia e aproveitava a distância, convencido duma privacidade inexistente, para um namorico um pouco mais fogoso, lá surgia ao pé deles, como um raio súbito, o banheiro a avisá-los que ali não podiam fazer aquelas poucas-vergonhas qu'ele bem os tinha visto pelos binóculos a beijarem-se a fazerem porcarias e se não param corro-vos da praia e nunca entram cá mais!
Além da merda dos binóculos, o sr. António tinha também um megafone com o qual, do muro dos balneários, lançava avisos aos banhistas ou para toda a praia informando que alguma criança tinha sido encontrada. O que nós gozavamos quando ouviamos ressoar pelo ar a sua voz megafonizada: "Achou-se uma criança perdida..." Na nossa lógica achavamos que se a criança tinha sido 'achada', então não estava 'perdida'! E numa praia daquela dimensão, perder uma criança era obra de monta.
A última vez que o vi, na Figueirinha, há 2 ou 3 anos, lia-se-lhe nos olhos e no rosto de rugas calcinadas pelos anos salobros a saudade do mar e da praia, impossíveis devido a uma perna amputada.
A Torre era, sobretudo, a nossa praia.
Conhecia-a como a palma da minha mão. Talvez até melhor.
Ali fiz os meus primeiros amigos de Oeiras. Todos os Verões alugávamos uma barraca, com direito a 2 banquinhos de madeira. Provavelmente os primeiros rapazes que conheci ali foram o Toni, o Mané e o Carlitos. Presumo isto pela simples razão de eles serem filhos de faroleiros do forte de S. Julião da Barra e morarem ali mesmo ao pé, nas casas dos faroleiros à entrada da praia. Naturalmente que eles passavam o dia todo na praia.
Depois seguiram-se todos os outros. Na maioria rapaziada que morava nos bairros velho e novo. Rapidamente conheci muita gente.
Tinhamos um grupo imenso de moços e moças. Brincávamos; nadávamos; pedíamos o côco emprestado ao Rui pescador para remarmos ou darmos mergulhos fora-de-pé; fazíamos concursos de mergulho a ver quem conseguia mergulhar na menor altura de água possível; entrávamos todos para a água, despiamos os calções e saíamos da água com eles trocados entre nós, o que era motivo de gargalhadas das nossas mães e pais; fazíamos corridas uns contra os outros a ver quem chegava primeiro ao Motel (não havia passeio-marítimo, porto de abrigo ou piscina oceânica; corríamos de pés nús sobre as rochas aguçadas e não era raro alguém acabar com um pé escortanhado; o regresso era feito pela marginal, para aliviar os 'presuntinhos'); jogávamos à 'verdade ou consequência' à sombra dum toldo, foi assim que uma vez tive que dar um beijo no nariz da Paula 'Pencas'...; quando veraneávamos por ali, abandonávamos as toalhas sem medo de ficar sem elas; comíamos umas enormes e magníficas Bolas-de-Berlim, vendidas numa barraquinha ao pé das escadas ou compradas à vendedora ambulante que palmilhava a praia agarrada à sua caixa de madeira; comíamos gelados comprados ao vendedor ambulante que gritava "é n'anilha ó chocolate", ou aqueles saborosos semi-frios que se vendiam no restaurante da praia; levávamos sandes para a praia para não perdermos um segundo que fosse por ter de ir a casa almoçar; dávamos beijinhos às escondidas, apalpões nem pensar; espojavamo-nos ao sol como lagartos, a ver quem conseguia o bronzeado mais escuro (era uma questão de honra, vá-se lá saber porquê); à sombra da barraca, ouviamos música num gira-discos portátil a pilhas que tocava os nossos discos preferidos de 45 rotações, que invariavelmente provocavam nos nossos pais comentários do tipo 'isso é só barulho'; e etc.

Na Torre a vida não tinha limite nem fim. Na Torre a vida era um vôo infinito.

Domingo, Julho 11, 2004

Agar, a escrava

Foi a primeira vez que fui apalpado de alto a baixo por um homem. Primeira e última, é bom que se saiba.
Seriam talvez umas dez da noite. Lá fora estava escuro como breu pois os candeeiros da rua eram poucos e iluminavam mal. A própria luz no interior do snack Agar criava uma cortina que acentuava a escuridão exterior.
Estava pouca gente no café. Apenas homens, era uma hora imprópria para as senhoras irem ao café, e rapazes, eu era o único. A maioria da fauna presente morava ali no quarteirão ou no bairro velho. O bairro novo, ou estava a ser construído, ou ainda não estava habitado. Fui habitá-lo cerca de um ano após a construção. Ora quando este episódio aconteceu, tenho a certeza, eu morava ainda no 43, lá ao lado do Agar.
O cliente que mais caminhara para ali chegar era o mestre Rocha, pescador, algarvio dos quatro costados que morava numa estranha casa de pedra na praia do Moinho, castigada pelas vagas das invernias tormentosas, ao lado do forte de São Julião da Barra. Era um homem ímpar. Lembro o fascínio que me provocaram as suas habilidosas mãos uma vez em que o vi na praia da Torre a construir um côco (pequeno botezinho de fundo chato, geralmente de pinho e tabopan). As suas mãos metamorfoseavam o pinho como se este fosse barro mole, como se uma antiga e velha cumplicidade ligasse carne e madeira.
Recordo que ele estava sentado ao balcão, de copo na mão, em amena cavaqueira com a rapaziada. Os restantes espalhavam-se em pé pela sala, uns aqui, outros ali ou acolá. Eu, tenho ideia que estava sentado. Todos bebiam e conversavam animadamente.
Contavam como lhes tinha corrido o dia de trabalho se referiam o chefe ou o patrão olhavam primeiro em redor e para a porta e depois uns para os outros e baixavam a voz até um nível quase inaudível, falavam do clima do tempo que chove ou não e se está frio como cornos, mais a merda do funeral que é no domingo daquele sacana que morreu com um ataque cardíaco e deixa viúva e três filhos por criar e reforma ou pensão agarra-te ao pau puta-que-pariu, falavam das vizinhas como aquela é uma boazuda ca-ganda-par-de-mamas-e-ganda-cu e até está separada do marido pelo que, e sempre havia alguém que jurava que já lá tinha ido e que ela tinha uma rata que parecia o túnel do rossio aldrabão foste mas foi o caralho, e olhar em redor aquele fedorento casado com aquela magricelas-tábua-de-engomar-que-nas-mamas-sai-ao-pai muita feia que anda sempre de fato cinzento ós quadrados e que tem pinta de bufo esse cabrão é da legião e um par de murros naquelas trombas ainda é pouco qu'o gajo é que lixou o do terceiro direito, e o filho do outro que tinha regressado a semana passada da guerra felizmente inteiro com os dois bracinhos e as duas perninhas e a piça e os tomates que é o mais importante e que contava a foda de arrebenta-peida que tinha dado no cu da preta na borda da picada em troca duma moeda de cinco coroas, e preciso de vinte continhos onde é que os vou arranjar conheço um gajo que tos empresta mas só através de mim e o gajo come-te trinta por cento e se não pagares no dia que ele diz manda os rapazes dele terem contigo e já sabes como é que é tens muita sorte se ficares vivo queres a massa vai ter comigo amanhã,
Eu, apenas ouvia, ria com as larachas, sempre havia alguém com uma piada nova, e aprendia.
Os três irmãos donos do snack-bar, creio que um era o Miranda e o outro Luís, do terceiro não me lembro o nome, Silva talvez, revesavam-se à vez no serviço. Mas muitas vezes estavam lá todos os três, sobretudo à noite.
Lembrei-me agora, o pai deles era carpinteiro e tinha um jeito fantástico para a profissão. Pelo menos a julgar por uma estante que nos fez e que durou imensos anos (ainda existe; após muitas vicissitudes que incluem ter sido cortada na horizontal e pintada de branco cá pelo je, mantém-se orgulhosa no sotão da casa dos meus pais).
Subitamente, um 'creme-nívea' pára bruscamente à porta e dele saem vários polícias que entram intempestivamente pelo estabelecimento adentro. Uma voz poderosa e autoritária impõe o silêncio. Desnecessariamente, pois perante aquele folclore fascizóide já há muito todos haviam emudecido (eu fui o primeiro, até porque estava calado). A memória é difusa mas tenho ideia que havia também alguns agentes à civil, talvez 'judite' ou 'pevide'. O último polícia a entrar volta-se e fecha a porta atrás de si. Ninguém entra nem sai. A mesma voz ordena que todos tirem para fora os BIs, se voltem para as paredes, mãos no ar apoiadas, braços e pernas afastados, e bico calado pouco barulho aí ao fundo.
E começa a sessão de apalpanço. Os agentes acocoram atrás de nós e de baixo para cima vai de apalpar. Tornozelos, pernas, coxas, por dentro e por fora, tronco, sovacos, braços. Temo que o polícia me descubra no bolso o maço de tabaco e a caixa de fósforos e me denuncie perante o meu pai, o qual ainda ignora que estou a resvalar para uma vida de 'droga'. Ocorre-me: tanto paneleiro por aí que adorava substituir-me nesta hora!
Enfim, terminada a apalpação, a polícia faz o balanço. Não encontraram nada. Nem armas de fogo ilegais, nem panfletos comunistas anti-patrióticos e subversivos, nem coisa nenhuma. Excepção feita para a navalha do mestre Rocha. Uma arma perigosíssima e subversíva, de acordo com eles! Os agentes ensurdecem perante as vozes que explicam que o homem é pescador e que a navalha é uma ferramenta de trabalho, para consertar redes, cortar fio de pesca, amanhar peixe... 'Dura lex sed lex', a lâmina tem mais de dez centímetros, medidos na palma da manápula do agente, e se o homem é pobre e não tem dinheiro para comprar outra, isso não é problema deles. A navalha desliza para o bolso dum agente.
Fica-me a impressão dela ter apenas um carácter justificativo e argumentativo de 'missão cumprida com êxito'... Fica-me uma sensação a que os brasileiros tão inspiradamente chamam sacanagem!
Saem todos após um delicado e educado, anacrónico, como mandam as neps, 'boa noite meus senhores'. Um boa noite que soa a portem bem senão levam um tautau.

Acabou a rusga e ninguém foi preso. A verdade verdadinha é que estas merdas eram só para chatear...

ai Portugal

Que relação poderá existir entre Oeiras e a Parede, sita que está esta no Concelho de Cascais?
Que a Parede foi em tempos um pequeno lugar atravessado pela estrada Lisboa-Cascais, já o sabemos. Que essa estrada passava por Oeiras, também o sabemos. Que, por estrada, seria difícil, senão impossível, ir de Oeiras a Cascais sem passar na Parede, parece-me uma dedução simples e quasi óbvia. Isto é uma relação, mas não parece muito relevante, assim como também não o parece ser o facto de tanto Oeiras como a Parede terem sido praias-de-banhos com alguma importância nos sécs. XIX-XX. Afinal, toda a Linha, de Algés a Cascais, o foi.
Rio, mar, praia, pesca, hótéis, esplanadas, casinos, são um fio condutor a ligar Algés a Cascais, a unir os dois concelhos, num movimento humano, social, histórico, que a Linha férrea consubstanciaria e a estrada Marginal consolidaria.
Quando vim de Alcácer do Sal em 1969/70 eu nada sabia sobre isto. Mal sabia o que eram concelhos e freguesias e que Oeiras e Cascais eram dois concelhos irmanados por uma longa história. Desconhecia ainda que as estações da CP da então chamada Linha do Estoril, correspondiam mais ou menos a antigos lugares e aldeias ribeirinhas dos citados concelhos.
A relação que para mim existia entre Oeiras e a Parede, era apenas o facto de que a minha vida estava repartida entre ambos os lugares. Em Oeiras, eu residia. Dormia e comia aqui. E depois do jantar via um pouco de televisão, que só transmitia umas poucas horas à noite. Na Parede, eu estudava, brincava, convivia, fazia amigos. Mas como, se o Liceu de Oeiras estava ali tão perto, apenas a cem metros da minha casa?
A explicação é simples e prende-se com o sistema de ensino. Em Alcácer, eu frequentara um colégio particular. Não existia ainda escola secundária na vila, como hoje acontece, e era o Colégio Dr. José Gentil que assegurava o ensino liceal, até ao 5º ano. Os exames, íamos fazê-los ao Liceu de Setúbal, o que era uma aventura. Ora quando vim, eu tinha acabado o 3º ano com aproveitamento e tinha passado para o 4º ano. A minha matrícula no Liceu de Oeiras, ou em qualquer outro, não era permitida. O sistema só permitia o trânsito do particular para o público em anos de início de ciclo, ou seja, 1º ano, 3º ano e 6º ano. Eu podia matricular-me, mas tinha que o fazer no 3º ano, o que implicava atrasar um ano os estudos (o que acabou por acontecer na mesma, mais tarde, mas isso é outra estória). Para me matricular no 4º ano só existia uma possibilidade, fazê-lo num colégio particular.
Neste plano a Linha não oferecia muitas alternativas. Alternativas que não fossem muito onerosas, claro. Que me recorde existiam: Os Salesianos, colégio de religiosos, no Estoril; o Portugal, colégio exclusivamente masculino, na Parede; os Maristas, também de religiosos, em Carcavelos; o St. Julian's, chamado 'dos ingleses', também em Carcavelos; o Bafureira, apenas feminino, na Parede; provavelmente existiam mais alguns, mas tão dispendiosos ou com acesso apenas mediante 'cunha', que nem me lembro deles.
A escolha recaiu sobre o Portugal. Era muito acessível, mesmo ao pé da estação, e eu tinha também estação à porta de casa, bastava-me o passe de estudante Oeiras-Cascais
A propósito, uma curiosidade: ainda tenho o passe de estudante Oeiras-Cascais com o último bilhete mensal, 2.ª classe, que comprei. Em Junho de 1973 o bilhete custava 47$50, na moeda actual 0.24€ ! Hoje parece uma ninharia mas na altura era muito dinheiro.
O Colégio Portugal, dizia eu, não era dos mais caros, eu conseguia vir almoçar a casa, enfim, lá me matricularam no Portugal. Oeiras e a Parede 'linkavam-se' por meu intermédio, diríamos em gíria Internet.
A maior parte do dia passava-o na Parede. Por isso tanto tempo demorei até ter amigos em Oeiras. Durante o tempo de aulas, como já referi, só cá estava para dormir e comer. No resto do ano, férias incluidas, passava a maior parte do tempo metido em casa.
Quando puder hei-de falar do Colégio Portugal, que tinha uma característica que o tornava especial. Era uma das poucas alternativas ao ensino público e, por isso, muito procurado por aqueles que não podiam frequentar este. Nomeadamente alunos que tinham sido expulsos dos Liceus de Cascais e Oeiras, habitualmente devido a mau comportamento. Eram os 'meninos maus das famílias boas'... Conheci toda a sorte de 'bandidos'. Deixo isso para outra altura.
Foi esta vida dupla que me levou tanto tempo a assumir-me um filho de Oeiras. Dois acontecimentos concorreram para que tal acontecesse. O ter começado a frequentar a praia da Torre em 1971 e o meu ingresso no Liceu de Oeiras em 1973. A partir daqui comecei a ter imensos amigos e amigas em Oeiras e comecei a frequentar a 'minha' terra com grande intensidade.

Oeiras nascia para mim. Eu retribuia-lhe.

Sábado, Julho 03, 2004

os mortos

Ao jeito de intermezzo.
Ao longo destes 35 anos muitos são aqueles que nunca lerão as minhas memórias de Oeiras. Todos fazem parte delas, de uma forma ou de outra, por boas ou por más razões, ou por razões assim-assim. Todos pertencem a essa memória remota ou próxima. Vários conheci como amigos do meu irmão. Pertenciam à geração com menos meia dúzia de anos que eu. Outros, menos, pertenciam à minha geração. Acompanhei muitos em festas de 'garagem', que aconteciam em sótãos porque viviamos em prédios. Também alguns acompanhei a pubs e a discotecas, ou em mergulhos 'tudo nu' à meia-noite na praia da Torre.
Da maioria deles eu nem sabia o nome. E nisso era correspondido. Para eles eu era o 'irmão do Júlio', o que era mais que suficiente para me identificarem. É tão bom não necessitar de B.I.!
Todos eles estiveram aqui, ali ou acolá, num qualquer lugar, neste, naquele ou num qualquer dia outro. Todos riram, todos ficaram sérios, todos choraram, todos morreram. Fosse por acidente, suicídio ou doença, álcool ou droga, ou a explosiva mistura de tudo isso, a temível gadanha abateu-se sobre eles e cerceou-lhes o fio da vida. Uns mais cedo, ainda adolescentes, outros mais tarde, jovens adultos. Todos tinham o futuro à espera deles. Mas a única coisa que encontraram foi a frieza gelada do presente permanentemente feito passado, na iniludível transmutação em pó.
Para que saibais, quero deixar aqui registados alguns nomes que ainda lembro, deles e delas, sabendo que estou a esquecer vários outros (a ordem é meramente alfabética): Calita, Fufu, Guida, Ilídio, Quim, Litri, Marçal, Nuno, Cigano, Rafael, Rui, Teresa e Toninho.

Mors ultima ratio.

Sábado, Junho 19, 2004

o zé dos óculos

Era assim que nomeavamos a taberna que hoje é o restaurante Mira-Ponte. Era assim apelidada porque o dono se chamava José e usava óculos (esta aparentemente inútil explicação é para os menos familiarizados com a alkunya-onomastikon-genesis in taberna). Na verdade acho que nunca soube o nome dele. Tratava-o, como toda a gente, por 'Sô Zé'. José, acho que era de certeza. Ah, e tinha um táxi por conta dele.
Lembro bem o ambiente. O intenso, quase nauseante, cheiro a vinho, a que o juramento a pés-juntos negava o martelar aquoso, e o odor a madeira velha, húmida, a lembrar vagina de peixeira idosa. Odor que me evocava imagens dum cais lisboeta à beira-rio, de madeira escura e pútrida, noctívago sem noite, à espera do tempo. Os líquidos círculos púrpura sobre o balcão, mesclando-se uns nos outros, fundindo-se em movimentos surdos, como manchas de tinta numa tela de pop-art enófila, eram sinais de uma semiótica condensada na tradição masculina. O vinho corria a rodos, encopado em copos de três, tragado avidamente numa escatologia firmada, encerrada, com estalos da língua, e um 'oh Zé, dá aí mais um qué pró caminho'. O som estrebuchado e o cheiro de um ocasional traque, ressoava por vezes e odorava o éter, provisoriamente, numa alegoria demiúrgica da criação. As minis, os tremoços, as azeitonas e as alcagoitas (amendoins), os queijinhos secos, as carcaças, as sandes de presunto, o habitual impunha-se para não destoar. Como o espaço era exíguo, os homens ficavam de pé, arrimados ao balcão como andorinhas poisadas num fio de telefone. E alguns eram-no. Andorinhas de vôo planado em busca do alento para a migração do dia seguinte que sempre se seguia, de volta ao mesmo poiso. Estranhas andorinhas, de migração tão curta.
Lembro também o edifício. A parte que hoje é curva e acompanha o passeio, na época era aberta e ao ar livre, com um pequeno muro em pedra e era calcetada, e aí existiam duas ou três mesas metálicas verdes com cadeiras também metálicas. Claro que em cima do empedrado aquilo baloiçava por todo o lado. No Verão à tardinha, era um óptimo sítio para estar, até porque não existia o movimento automóvel que existe hoje. Era sossegado. A entrada propriamente dita era feita por duas portas situadas na parede vertical de que ainda existe a empena, visível no edifício e nos vestígios residuais duma espessa coluna no interior. O espaço era estreito, a toda a largura do edifício actual, mas com paredes interiores que depois foram demolidas e lhe deram a amplitude actual. O balcão tinha mais ou menos ao meio uma portinhola e por aí se seguia, por um comprido corredor, para as salas interiores e para a cozinha. Era nessas salas que eram servidas as refeições. Tanto quanto recordo havia uma sala do lado esquerdo, seguida da cozinha, e uma sala mais comprida do lado direito, equivalente ao comprimento das anteriores. Esta última tinha mesas de madeira forradas a plástico florido e em torno, encostadas às paredes, algumas pipas de vinho. O sentar ali e respirar o delicioso aroma que vinha da cozinha era uma tentação para o espírito e para o corpo. O apetite crescia e preenchia todos os cantos do ser. A tentação era forte e tornava-se incontornável. Tinha que ser satisfeita.
A cozinheira era a mulher do Zé, e que cozinheira! Íamos lá muitas vezes, ao domingo, comer um belo dum frango assado acompanhado com batatas fritas e salada. Não havia em Oeiras e arredores nada que se lhe comparasse. Desconheço a origem dos frangos. Não sei se eram do campo, de aviário, do supermercado, da vizinha, da Lua, ou doutro lugar qualquer. Sei que eram bons. Excelentemente temperados e assados. No carvão. Tinham aquele sabor carbónico que só a brasa e o fumo conseguem transmitir aos alimentos. Eram uns belos repastos, sempre ansiosamente aguardados.
Há ainda daquele tempo um curioso pormenor que recordo pela invulgaridade que representava para mim, pois nunca tinha visto nada assim. Quando se entrava, na parede do lado esquerdo existia uma jukebox pendurada. Aparentemente nada de estranho. Não há nada de errado em existir uma máquina de discos numa taberna. O que me fascinava era o modelo. Não era uma das vulgares máquinas que apoiam no chão, mas uma máquina vertical, pendurada na parede. Eu interrogava-me se aquilo estaria bem fixo e não cairia. Que eu saiba, nunca caiu. Tanto quanto recordo, ouvir um disco custava cerca de 2$50. Dois escudos e cinquenta centavos. Eram as chamadas moedas de cinco coroas. Para a época não era uma quantia desprezável, pelo que raramente a máquina funcionava. Mesmo assim, de vez em quando alguém mais endinheirado ou perdulário, ou alguém já ébrio e que, por isso, já perdera o sentido ao dinheiro, punha uma moeda na máquina e ouvia-se soltar-se do interior desta, após um complicado e fascinante processo mecânico de trelac-prelac-troc, a voz do Gianni Morandi, da Marisol, do Gabriel Cardoso, do Tony de Matos, do António Calvário, do Tom Jones, do Elvis Presley, do que a censura, na sua sapiência inquestionável (do ponto de vista deles), complacentemente autorizava que o povo ouvisse.
Anos mais tarde, já snack-bar-restaurante, foi cenário de encontro de estudantes cheios de sonhos de liberdade e justiça social e palco de confluências amorosas e cumplicidades as mais variadas. Mas isto são outras estórias.

Enfim, às vezes tenho saudade do zé dos óculos.

Quarta-feira, Junho 09, 2004

praia

Antes de começarmos a frequentar a 'nossa' Torre e de descobrirmos aquela que viria a tornar-se a nossa praia de eleição, a praia que frequentávamos era o motel, ali para os lados do Areeiro.
O apelidado forte do Areeiro, ao qual chamo forte-marinheiro por estar sempre guardado por marinheiros da Armada. Gente de potente caixa de ar, a julgar pelos assobios que eu ouvia vindos lá do alto das muralhas e que presumia dirigidos às moças de biquini na praia. A menos que tivessem outro objectivo, cujo sentido me escapava. Talvez fossem um código secreto entre sentinelas, por exemplo a avisar da aproximação dum almirante. Mas se era isso, então o forte era visitado por centenas de almirantes todos os dias...
Na época ainda existia o Motel de Oeiras, o qual hoje é o Inatel. Era e é uma praia pequena mas acolhedora, com uma esplêndida esplanada onde se disfrutava uma magnífica vista sobre o escorreito Tejo. Digo 'disfrutava' porque hoje está emparedada por uma cortina envidrada sempre baça que me faz sentir glaucomático. Perdeu-se a visão límpida e clara que se tinha naquele tempo, sem qualquer nebulosa de permeio. A praia era algo rochosa mas com algumas línguas de areia suficientes para penetrar o mar e dar uns valentes semicúpios, ou para os mais afoitos se lançarem em fortes braçadas a nadar por ali fora como se fizessem tenções de chegar à Trafaria, ali quase em frente, os convencidos!
Recordo que eu ia poucas vezes à praia. A mãe ia com a avó, a Tensinha e o Julinho, mas muitas vezes eu preferia ficar em casa. Era a minha forma de estar só. Só, comigo e com os meus medos de 'estranho numa terra estranha'. Devo referir que nesta época eu ainda não tinha amigos em Oeiras. Estudava no Colégio Portugal, na Parede, pelo que mesmo os colegas eram gente de todo o lado, e nenhum era de Oeiras.
Enquanto elas iam para o Motel eu ficava em casa a brincar sozinho perdido nas minhas aventuras espaciais em galáxias distantes. Ainda hei-de explicar como uma vulgar cadeira se transforma num ápice num acento duma nave espacial ou como uma mesa e um cobertor se metamorfoseiam numa gruta repleta de pinturas rupestres e vestígios pré-históricos. Até fósseis de Triceratóps se encontram por lá!
Não ia, talvez porque não gostava da praia. Não era a minha praia. Era uma praia simpática. Eu é que não conhecia ninguém.
Aquela praia não tinha nada a ver com o que estava habituado: São Torpes; São Torpes antes do Complexo anti-biótico; São Torpes quilométrica a perder de vista; São Torpes dos amigos franceses veraneantes; São Torpes das brincadeiras nos pinhais; São Torpes de espreitar as mulheres a mijarem no pinhal; São Torpes dos aviões na placa da pista de aviação; São Torpes das moreias nos buracos das rochas; São Torpes do caminhar 100 metros, à proporção da idade, até perder-o-pé; São Torpes dos 10 meses de sonho à espera das férias e da maresia; São Torpes do canivete e das lapas cruas e saborosas; São Torpes do japonês comedor de peixe cru à porta da tenda; São Torpes do cacau com chá porque não havia leite; São Torpes do polvo frito contorcionista; São Torpes das moreias-cobra encanadas a secar ao sol; São Torpes do fado do embuçado em noite de sarau, 'fado numa noite de verão'; São Torpes de tendas, barracas e roulotes; São Torpes dos banhos com baldes de água fria tirados do poço; São Torpes de areia rumo ao infinito; São Torpes, San Tropez à portuguesa...
O Motel intimidava-me.
Ali não me sentia menino, miúdo ou rapaz, sentia moço. Ivitava falari pra ninguêm perceberi o mê sutaqui alantejanu. Fazia-me sentir só, demasiado só. E solidão por solidão, preferia buscar voluntariamente a minha própria. Mas a minha solidão não era vazia. Era preenchida de aventuras fantásticas em lugares onde ninguém podia andar. Lugares recônditos que apenas eu conhecia pois era minha a chave secreta que abria os portões por onde se penetrava nesses lugares.
Quando, após as habituais recomendações, a porta da escada se fechava era como se uma imensa e quente bolha me envolvesse. Uma bolha translúcida e maleável que me rodeava e isolava do real. Uma bolha caleidoscópica no interior da qual se dava a transmutação do espaço-tempo que me transformava no objecto do meu desejo: um astronauta a navegar solitário na nebulosa de Oríon, em busca do planeta perdido; um aventureiro de catana em punho a cercear lianas numa selva impenetrável, rodeado de terríveis feras; um marinheiro a desbravar um cabo tormentoso, num mar repleto de navios corsários; um espeleológo preso no interior de uma traiçoeira caverna labiríntica, em busca da almejada saída para a salvação; um cientista debruçado horas a fio sobre o microscópio, à procura do segredo do universo; enfim, uma fornalha de imaginação, um vulcão a expelir e a derramar sonhos.
O barulho da chave na fechadura era como o fino toque dum alfinete na superfície dum balão. A bolha explodia, o mundo esfumava-se, a aventura terminava.
— Então zézinho, o que é que fizeste?
— Ah, nada. — um homem com H não se gaba das suas vitórias nem do número de piratas que trespassou com a espada.

Quinta-feira, Junho 03, 2004

patamar-paisagem

Como eu gostava daquele terraço!
O prédio não tinha telhado. Hoje tem, telharam um telhado, estragaram tudo. Coisa típica da portugalidade bacoca, teimando em substituir o útil pelo inútil. Terminava então num amplo terraço com 3 lados, o quarto lado encostava à empena do prédio seguinte. No seu centro tinha as arrecadações, uma espécie de galinheiros em rede de capoeira, óptimos para a intempérie estragar o que lá se guardava (assim fiquei sem bicicleta.) Dele tinha uma vista soberba, direi mesmo esmagadora. E essa vista fascinava-me.
A frente do prédio estava e está voltada para a estação da CP de Oeiras, sem qualquer obstáculo pelo meio, pelo que lá de cima tinha uma perspectiva magnífica na direcção da alta de Oeiras. Via, por ali fora, a Quinta de Baixo, onde se destacava o imenso Palácio dos Marqueses; a vila, onde alteavam as torres sineiras da Matriz; o Augusto de Castro, com a sua regularidade pós-moderna; a Figueirinha, preâmbulo anunciador de dormitório; o cemitério, com as pontas aguçadas dos ciprestes, fálicos veículos de migração das almas em busca do Altíssimo; e por ali afora, literalmente 'até onde a vista alcança'. Dessa paisagem sobrou-me apenas uma paupérrima e cinzenta fotografia de má qualidade tirada com a minha velha Fujica.
Do lado esquerdo via a Fundição, domínio laboral, permanente cheiro a fuligem, fogo metálico, ferro líquido e escórias, onde alguns anos mais tarde ganharia a minha experiência operária. E por sobre a Fundição era possível divisar ao longe alguns prédios dum Carcavelos e duma Parede que cresciam como campo de cogumelos, míscaros de tijolo, cimento e vidro gerados para hábitos nocturnos e ausências diurnas, numa floresta desencantada caracterizada pela ausência de fadas ou capuchinhos vermelhos e pela abundância de lobos maus e animais do mesmo gabarito.
Para o lado direito via os 'montes hermínios' e o orgulhoso Liceu de Oeiras, via a faiscante estrada Marginal, alcatrão preto a transbordar aventuras sexuais em hotéis de Cascais, em 'bombas' dos anos sessenta conduzidas por dê-erres lisboetas acompanhados por secretárias morenas com bocas carnudas a cheirar a sémen, via o forte marinheiro do Areeiro e o imenso rio das tágides, com o imponente farol do Bugio no meio, guardião secular de memórias esquecidas.
Era uma vista espectacular! Sobretudo para uns olhitos habituados à planura seca e monocórdica dum Alentejo feito de substâncias imobilizadas no tempo. Aquele terraço era uma janela aberta para o infinito. Aqueles 6 pisos de altura imaginavam arranha-céus nova-iorquinos transplantados para o centro do mundo.
E os comboios? Comboios que vistos daquele lugar privilegiado pareciam o comboio de brincar que nunca tive. Como eram giros vistos de cima. Sobretudo o pára-em-todas, que ao chegar fazia a agulha para ir para a linha do meio. De onde só sairia para fazer o percurso inverso. Vai-e-vem, vai-e-volta, volta-e-vai. Vida de comboio. Como era cómico ver aquelas pequenas carruagens estremecerem e chiarem na mudança de linha.
E os barcos? Via-os ao longe descerem o rio na direcção da barra. Alguns passavam em sentido inverso. Outros, pequenas chatas, apenas ficavam ali a pairar à cata de pescado. Minúsculas mas persistentes, ali ficavam horas a fio sob o sol escaldante, a transpirarem cheiro a escamas e barbatanas salgadas, mergulhadas na maresia. Cargueiros, paquetes, fragatas, patrulhas, veleiros, traineiras. Devo ter visto de tudo. Talvez tenha visto passar algum navio com soldados para as colónias. Talvez tenha visto passar algum navio com presos para o Tarrafal. Talvez tenha visto passar o navio da esperança que nunca regressou ao lar.

Talvez...

Domingo, Maio 30, 2004

química

Aquele estojo de Química, magnífico perspectivado pelos meus púberes olhos castanhos, ainda era dos tempos de Alcácer. Salacia, a Urbs Imperatoria, a do sal, de onde eu viera algum tempo antes para ser filho adoptivo da mãe Oeiras.
Não recordo quem mo oferecera. A meu pedido certamente, pois se alguém era 'chato' quando queria algo, esse alguém era eu, e a família lá me aparava os golpes.
Era um estojo razoavelmente equipado, com frasquinhos etiquetados com vários produtos químicos, reagentes, tiras de prova, lamelas de vidro, tubos de ensaio, uma pinça para tubos, um suporte para os tubos e uma mais-que-porreira lamparina.
Uma lamparina de vidro, com uma tampa metálica de rosca com um pavio branco e uma tampa de cápsula, também metálica, para encaixar e tapar o gargalo.
Era na cozinha do n.º 43, onde habitava, que habitualmente eu fazia as experiências que vinham descritas no manual, além daquelas que eu próprio inventava, baseado nas aulas de Química do liceu, na esperança de compreender a natureza da matéria e descobrir a essência do Universo. A propósito, nunca descobri, mas continuo à procura...
Levava para lá o estojo, abria-o e dispunha o material sobre a bancada de pedra, com o rigor e a disciplina possíveis na irrequietude dos meus 12 anos. Era uma emoção fantástica. Sentia-me personagem dentro de uma qualquer página de um romance de Júlio Verne, explorador do desconhecido.
Naquele dia estava sozinho em casa. Creio que a mãe tinha saído para ir ao supermercado ou algo assim.
Tanto quanto lembro não estava ninguém comigo, ou se estava era certamente o escravo, o Julinho, que nos seus curtos 6 anos era o meu fiel discípulo e aprendiz de feiticeiro sempre disposto a cumprir as ordens do irmão-mais-velho-que-tudo-sabe.
Não sei como fiz aquilo. Aconteceu. Fui à casa de banho buscar o frasco do álcool para encher a lamparina que estava quase vazia. Ia fazer uma experiência que exigia aquecimento pelo fogo. E se não exigisse eu aquecia na mesma, só pelo gozo, talvez, de gerar combustão.
Enchi a lamparina, enrosquei-lhe a tampa e não me lembro do que aconteceu a seguir.
Lembro a imensa chama líquida azulada espalhada na bancada e escorrendo por ali abaixo direita ao chão. Lembro a aflição sentida, o pavor perante a situação descontrolada, o medo das consequências, a proibição anunciada, o castigo garantido...
Lembro que agi. Não sei é o que fiz. Sei que, em pouco tempo, a situação estava de novo controlada e o fogo extinto, e sem vestígios acusadores. A experiência programada, em busca do conhecimento, da sabedoria, podia continuar como previsto.
Podia ter acontecido uma tragédia naquele dia. Não aconteceu. E aprendi uma lição:

Como encher uma lamparina com álcool sem pegar fogo ao quarteirão...

Sábado, Maio 15, 2004

adeus

A única imagem que se mantém viva na minha memória daquele dia é a da partida.
Apanhámos cedo a camioneta para Setúbal, logo de manhã. A mãe, a avó, a Tense, o Júlio e eu. Recordo como se visse um filme aquela imagem, sentado próximo à janela, quando a camioneta deixou o largo frente ao rio e começou a subir a estrada. Recordo a dor e a angústia que senti ao olhar pela janela aquelas casas que, acreditava eu, nunca mais veria:

Os amigos e companheiros de aventuras fabulosas, que nunca mais voltaria a ver e com quem nunca mais brincaria aos cowboys ou jogaria ao berlinde, à carica ou à bola;
Os locais vividos, explorados, conhecidos, desconhecidos e cheios de cumplicidades, que eu abandonava para sempre como um vil traidor;
A 'culpa' que senti por voltar as costas a um lugar amado, que me correspondia com amor porque Deus o tinha criado para mim;
A ainda vívida imagem do pés-descalços-e-sapudos, que já era morto porque se afogara na água que lhe dava a vida, e que vendia camarões e caranguejos no largo que eu nunca mais veria;
O sabor amargo do lodo do rio, que eu perderia para sempre, onde nunca mais enterraria os pés descalços;
As cegonhas em que eu já nem reparava de tantas que eram, e duma das quais até tinha um ninho na chaminé ao pé de casa;
A ponte levadiça que já não levantava, porque os saveiros do sal de grandes mastros tinham partido para águas sem água para morrerem como gigantescos animais descarnados;
As anuais inundações, que justificavam a falta à escola e a pseudo-pescaria na varanda do quarto;
As laranjas aos milhões saindo pela porta do mercado, levadas pela corrente lodosa para paragens longínquas;
Os mosquitos do sapal em frente, que já não picavam porque estavam vacinados com o odor do meu sangue;
Os insultos aos trabalhadores sentados nas galeras do tomate, que respondiam atirando o que tinham à mão;
A venda, escuro e sombrio local, do cú-de-chumbo, que tinha de tudo como na farmácia;
O padre zorro que, diziam as más-línguas, roubava dinheiro da caixa das esmolas para ir beber copos de tinto na tasca do Bexiga;
Enfim, tudo o que eu amava.
Tudo isso se perdia. Tudo isso ficava para trás, como se a vida fosse uma estreita fita de papel esticada, na qual se dá uma tesourada.
A minha vida foi cerceada naquele instante.

Do resto da viagem nada recordo. Presumo apenas:
O fascínio da descoberta da paisagem maravilhosa da linha do Estoril vista do comboio. Mas esse fascínio terá sido esmagado pela angústia da perda. Naquela idade foi mais o que perdi que o que ganhei. Do ganho, só viria a tomar consciência ao longo do tempo, à medida que crescia.
E o que eu ganhei...

Mas isso são outras estórias para ir contando aos poucos.

Sexta-feira, Maio 14, 2004

porquê?

A P.d.I. não perdoa e as memórias estão cada vez mais longínquas.
Faço um esforço para recordar mas as imagens fundem-se e confundem-se num nevoeiro seco e áspero que as torna difusas e quasi irreais.
E isso dói.

Dói sempre que tento contar a alguém, ou a mim mesmo, como foi e como era.
E assim aqui está este ensaio de registar o que um dia desaparecerá para sempre na voragem de cronos como se nunca tivesse existido.
Talvez nunca tenha mesmo existido...

Nem sempre vivi em Oeiras.
Já lá vão uns bons 35 anos, desde que aqui cheguei carregando na sacola os meus 12 anos vividos na província. E como isto era diferente...!
É isto que quero contar. Sem nenhuma ordem especial.

À medida que me for lembrando, assumindo os enganos causados pela distância temporal e o desaparecimento das referências que mantinham viva a memória, irei colocando aqui as estórias, os locais, as pessoas, os sentimentos, as emoções, as paixões, as razões, a falta delas...

A memória nostálgica é o motor do eterno retorno...