domingo, novembro 13, 2005

Oeiras evoca os 250 anos do Grande Terramoto


Já está online o site oficial, no qual podem ser obtidas informações variadas sobre o programa e os eventos a realizar no âmbito desta evocação. Recomenda-se uma visita a este site. Para tal, clique no título deste post.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Paisagem Aprisionada


Exposição de FOTOGRAFIA de Rodrigo Bento d'Almeida.

Edifício 51, Fábrica da Pólvora de Barcarena.
Estrada das Fontainhas, Barcarena.
Terça a domingo das 14h. às 18h.
Patente até 11 de Dezembro.

Oeiras evoca os 250 anos do terramoto de 1755


informações: Câmara Municipal de Oeiras - DASC/DCT - Sector de Acção Cultural, tel: 21 440 85 52

quarta-feira, novembro 02, 2005

Carlos Santos Bueno


No meu post sobre a apresentação de "As Margens Vermelhas" faltou dizer quem é o autor. Ei-lo, segundo o convite da editora:

"Carlos Santos Bueno nasceu em 1966 em Lisboa. Foi seis vezes campeão nacional de remo entre 1981 e 1984, altura em que desistiu de estudar por motivos de saúde, tendo nascido na provação um gosto nunca antes experimentado pelas ciências humanas, a poesia e a filosofia. "As Margens Vermelhas" desenrolam-se entre o desconcerto de um mundo desfeito e a esperança de um engenho que se mantem intacto, sendo que são estas as verdadeiras margens da poesia."


Deixo também aqui um poema dum livro que o autor tem em preparação e cuja edição se espera aconteça em Março ou Abril de 2006:

O Soldado à Porta do Templo

Mestre, o soldado à porta do templo
Perguntou-me onde ia, e disse-lhe
Que vinha ao templo para pensar.
E ele perguntou-me “porquê?”
E eu respondi-lhe que a luz,
À hora em que o sol toca a última montanha,
Também põe os raios no gelo.
E assim as ideias sorriem como os raios do sol,
E os soldados novos que perguntam “porquê?”
E o soldado deixou-me passar.

Carlos Santos Bueno, 13/10/2005

sábado, outubro 29, 2005

as margens vermelhas


Hoje tive o grato prazer de ver concretizar-se algo que apoiei e incentivei por diversas vezes.
O meu amigo Carlos Bueno viu finalmente publicado o seu primeiro livro de poemas.

Conheci-o há já muitos anos atrás e o nosso comum interesse pela Filosofia causou uma imediata e forte empatia entre nós. De vez em quando dava-me a ler alguns dos seus poemas. E cedo tive a percepção de estar perante um Poeta com maiúscula. Muitas vezes lhe disse isso e o aconselhei a procurar apoios para uma edição da sua obra, para que a nossa Cultura não ficasse privada de tão sublime escrita e peculiar visão do mundo.
É pela mão da Editorial Minerva que a obra está agora à disposição de quem a quiser ler e apreciar, o que aconselho vivamente.
Para o Carlos os meus votos de felicidade, boa sorte e... muita poesia!

p.s.: nunca nos entenderemos a respeito do Kant...

terça-feira, outubro 18, 2005

4 INTERVENÇÕES - escultura ao ar livre


Para já, não tenho mais informação acerca deste evento, mas fica aqui aquilo de que disponho:

4 Intervenções No Jardim Municipal de Oeiras.

Escultura ao ar livre.

Leonor Pêgo, Pedro Pires, Raquel Melo e Sérgio Reis.

23 de OUT a 22 NOV, 8-20 h., todos os dias, junto à C.P. de Oeiras.

sexta-feira, outubro 07, 2005

a manobra de diversão dum chefe em Oeiras


Tenho pensado muito nos últimos tempos na estranha aparição da mirabolante candidatura de Isaltino Morais à presidência da Câmara Municipal de Oeiras. E pus-me a pensar porque carga de água Isaltino quereria voltar para a Câmara.
Ora vejamos, se ele está sob investigação por suspeita de fraudes no lugar de presidente que ocupou, é óbvio que voltando a ocupá-lo, ficaria sob um verdadeiro manto de suspeição e policiamento de todos os seus gestos. Nem um traque poderia dar, que não aparecesse logo alguém da oposição a cheirar se ele estaria a roubar alguma coisa...! A única coisa que lhe restaria fazer seria trabalhar MESMO. Ora esta não me parece ser a sua maior vocação.
Naaaaaão... a resposta tem que ser outra.

Imaginei as possibilidades, se a Teresa Zambujo concorresse sozinha.
Sozinha com a imagem que tem junto dos munícipes; sozinha com a obra 'visível', que encha o olho, que não fez; sozinha com a obra positiva 'invisível', que ninguém vê, que fez; sozinha com a opinião negativa que a generalidade dos munícipes têm demonstrado a seu respeito; sozinha contra o ambicioso PS.
Não é difícil imaginar que o PS ficaria com as portas da Câmara escancaradas. Bastar-lhe-ia, o que talvez fosse difícil, concordo, apresentar um candidato credível, boas ideias, um discurso convincente. A Teresa Zambujo restar-lhe-ia apostar no discurso vago, que tem andado a fazer, e ter a esperança de que o PS não tivesse candidato à altura.
Mas o risco do PSD perder a Câmara de Oeiras era grande, demasiado GRANDE.
E o Marques Mendes pode ser pequenino de tamanho, mas não é estúpido. Só havia uma forma de garantir a vitória 'absoluta' do PSD na Câmara de Oeiras. Arranjar uma forma de conduzir os eleitores a uma votação maciça na candidata Teresa Zambujo.
E a forma que, acredito, os três (Marques Mendes, Teresa Zambujo e Isaltino Morais) cozinharam foi na verdade muito simples. Aliás, é com coisas simples que se enganam os simplórios: Atirar com uma candidatura do Isaltino para a molhada (disfarçar a tramóia com umas quantas peripécias e malabarismos que todos conhecem) e subrepticiamente instilar no espírto das pessoas que existia um perigo real de Isaltino ganhar as eleições e voltar à presidência da Câmara, para continuar a 'meter no bolso' o dinheiro dos contribuintes.
Esta jogada bestial fez o seu efeito e começou-se a sentir nas pessoas o medo de que acontecesse mesmo. Começou-se a espalhar a ideia de que a única forma de evitar a vitória do Isaltino era garantir a vitória da Teresa, através duma votação maciça nesta. Votos que teriam que vir de todo o lado, claro. Daí o brilhantismo do golpe. O medo atingiu tal proporção que ouvi eleitores tradicionais do PS, do BE e até do irredutível PCP dizerem que iam votar Teresa (só para a Câmara...) tal o medo que tinham que o Isaltino ganhasse!

A jogatina continua: Ainda há pouco o Jornal da Noite da SIC afirmava que as sondagens, ou projecções ou lá o que é, apontam para uma vitória de Isaltino Morais em Oeiras. A VER VAMOS...

josé antónio


Foto: © josé antónio 2005.

sábado, outubro 01, 2005

a certa infinitude



Um dos problemas no meu prédio era o assédio quase diário dos moços e moças da publicidade, o dia todo a tocarem às campainhas para lhes abrirem a porta, para além do habitual, e mais ou menos regular, carteiro. Já referi aqui um caso (muitos outros terão acontecido) em que alguém se fez passar pelo carteiro para lhe franquearem a porta...
As caixas de correio eram das antigas e instaladas no interior do hall de entrada.
O facto de serem antigas e colocarem este problema da porta, não temos video-vigilância e isso coloca problemas de segurança, levou-nos a vários debates em assembleias de condóminos no sentido de as substituirmos pelo modelo actual, moderno, recomendado pelos CTT, com abertura para o exterior do prédio. Decisão que acabámos por tomar.
Estas novas caixas têm algumas vantagens: a abertura é no exterior pelo que não é necessário entrar no prédio para nelas colocar a correspondência e são também maiores, o que é muito útil para quem recebe revistas ou livros, como cá em casa. Tenho diversos exemplares da Revista Portuguesa de Filosofia, uns calhamaços de cerca de 600 páginas, com as lombadas todas estuporadas da força que o carteiro fazia para as meter, até meio..., na caixa (isto sabendo eles que em tais casos devem tocar à campainha para entregar em mão, o prédio até tem elevador; ou deixar aviso; algumas fui levantar à estação de correios, apesar de eu estar em casa à hora a que o carteiro deixava os avisos..)

Mas não são só estas as vantagens. A grande vantagem é de facto a desnecessidade de entrar no prédio, logo de ter de tocar à campainha para alguém abrir a porta.
Ora no meu prédio, e também por diversas vezes referimos isso nas reuniões, há pessoas que têm o péssimo hábito de, quando lhes tocam à campainha, destrancar a porta da rua sem sequer perguntarem "quem é?", o que tem como consequência que toda a gente pode entrar à vontade, seja para pôr publicidade, seja para andar a pedir às portas, seja para divulgar serviços, seja para 'estudar' o prédio, seja para o que for. Quantas vezes atendi à porta e após ouvir que era 'publicidade', e responder que não abria, ao mesmo tempo ouvia o barulho do intercomunicador a ser mexido e o som do trinco indicando que alguém, cuja voz não se ouvira, tinha aberto a porta.

Há pouco tempo a obra foi finalmente executada e as caixas substituídas. O acesso a elas é agora feito pelo exterior do prédio, pelo que não há necessidade de tocar às campainhas. Este tipo de caixas, aliás, não tem ranhura pelo lado interior pelo que nada se pode lá meter, a não ser mesmo pelo exterior. Assim sendo, não há qualquer razão lógica para abrir a porta. Dita o mais puro bom-senso que tal não seja feito, não é?
Por isso, pensei que se fosse generalizando o hábito de não tocar para abrir a porta, à medida que carteiros e distribuidores de publicidade e propaganda fossem aprendendo e apreendendo a nova realidade.
De facto, tenho notado que tocam menos à porta. Agora quanto ao resto...

30 SET 2005.
Eram umas 17:35 quando soou a campainha da minha porta. Pelo timbre percebi que era a da entrada do prédio.
Dirigi-me à porta, levantei o intercomunicador, quem será a esta hora?
— Quem é?
— Fá favô, publicidadji tele-pizza — respondeu-me uma voz de rapaz, com sotaque.
— Desculpe, as caixas são lá atrás, com licença — esclareci enquanto me preparava para repôr o intercomunicador no suporte. Ainda tive tempo para ouvir o som característico do trinco da fechadura a estalar. Alguém tinha aberto a porta...


"Só 2 coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E eu não estou certo do primeiro..." Albert Einstein

domingo, setembro 25, 2005

estive lá




e na feira quinta lá fui ver o Bernardo Sassetti Trio no auditório Eunice Muñoz.

adorei: a qualidade irrepreensível dos músicos um espectáculo memorável.
confirmei: o virtuosismo piano Bernardo Sassetti.
impressionei: com o contrabaixo Carlos Barretto.
surpreendi: com a bateria Alexandre Frazão.
detestei: a péssima acústica da sala a fazer perder o cromático musical.
detestei: ouvir os sinos da matriz em pleno solo contrabaixo. Isolamento acústico lamentável.
detestei: a falta de transporte público que me fez gastar mais em táxi que nos bilhetes.
mas valeu.

só me f... lixam!



se há coisa que me LIXA é a quantidade de LIXO com que a minha caixa de correio tem sido assediada ultimamente...

quarta-feira, setembro 21, 2005

buraco de sta. engrácia



O OLHARAPO está a crescer.
Para já, conta com um post chamado 'buraco de sta. engrácia' que vale a pena ver/ler.
Aqui: http://olharapoeiras.blogspot.com/

Outros posts se seguirão...

segunda-feira, setembro 12, 2005

olharapo



O 'olharapo de Oeiras' acaba de ver a luz do dia!
Aqui:

http://olharapoeiras.blogspot.com/

ou no link ao lado com o mesmo nome.

quinta-feira, setembro 08, 2005

exposições no Concelho de Oeiras

Olá, meus Caros!
Este post é muito rápido e só para anunciar dois eventos no Concelho de Oeiras:


"[ab] stratus de tempo"
Exposição de fotografia de David Lopes.
Edifício 51, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Estrada das Fontainhas, Barcarena.
terça a domingo, 9 SET a 9 OUT 2005, 14:00-18:00.


"vista parcial"
Exposição de obras de seis jovens artistas de origem africana.
Galeria Municipal Lagar de Azeite, Rua do Aqueduto, Palácio Marquês de Pombal, INA, Oeiras.
terça a domingo, 13 SET a 30 OUT 2005, 14:00-18:00.


mais informações: Câmara Municipal de Oeiras - www.cm-oeiras.pt

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada).

Abraços,

domingo, setembro 04, 2005

Jornadas Europeias do Património 2005


Olá meus Caros!

Vão decorrer nos dias 17, 18 e 24 de Setembro de 2005 as "Jornadas Europeias do Património 2005".

No folheto de divulgação pode ler-se: "As Jornadas Europeias do Património são uma actividade conjunta do Conselho da Europa e da União Europeia. O seu principal objectivo é permitir, nos países participantes, o acesso gratuito a monumentos e sítios que não estão habitualmente abertos ao público (...)", e "(...) o património edificado no século XX é mais dificilmente reconhecido como um elemento a preservar e a analisar, destacámos uma peça arquitectónica existente no concelho (...)"

Dentro deste espírito as Jornadas Europeias do Património 2005 decorrerão no Estádio Nacional - Complexo Desportivo do Jamor.
A iniciativa incluirá a conferência "O Estádio Nacional — Um Paradigma da Arquitectura do Desporto e do Lazer", comissariada pela Prof. Dra. Teresa Andresen (FCUP), uma visita guiada ao local e um peddy paper.
Como o tema proposto pelo IPPAR para as Jornadas Europeias do Património 2005 é a Música, realizar-se-á ainda um concerto pelo organista Rui Paiva e a edição da brochura de divulgação da história do orgão oitocentista da Igreja Matriz de Oeiras.

mais informações: 21 440 85 29 - Câmara Municipal de Oeiras, Sector de Acção Cultural - www.cm-oeiras.pt

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada)

Fortes da Barra do Tejo


Olá meus Caros!

Creio já ter publicitado isto uma vez. Mas não é demais repetir, pela qualidade e valor destes eventos.

A Confiquatro, empresa vocacionada para o desporto/turismo náuticos, tem um programa muito rico e interessante de passeios no rio Tejo.

De entre eles destaco "Fortes da Barra do Tejo (Lisboa - Oeiras)", por ser aquele que para o nosso Concelho é o mais relevante.
A história de Oeiras é indissociável da história dos seus fortes. Estes foram edificados para garantir a defesa da barra do Tejo e impedir o acesso de esquadras inimigas à capital, Lisboa. Em 'bom português', "Quem quiser conquistar Lisboa têm primeiro que se haver co' a gentes d' Oeiras..."
E que experiência mais fascinante que ver os fortes do ponto de vista do 'inimigo', isto é, vê-los do mar? E, já agora, compreender 'in loco' a inexpugnabilidade dos mesmos e a quase impossibilidade de surpreender os lisboetas sem perder centenas de homens e dezenas de navios nesta autêntica muralha de pedra e fogo?

O passeio rio abaixo passa por: Torre de Belém, Forte de São Bruno de Caxias, Forte da Giribita, Forte de João das Maias e Forte de São Julião da Barra. Ao longo do percurso são também visíveis: Forte do Areeiro, Forte do Catalazete e Feitoria. Isto tudo sem esquecer a magia do Forte/Farol do Bugio.

Mais informações: www.confiquatro.pt

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada)

sábado, setembro 03, 2005

CICLO INTERNACIONAL DE JAZZ OEIRAS 2005



Meus Caros, tenho mais informações sobre o CICLO INTERNACIONAL DE JAZZ OEIRAS 2005, que publicitei no dia 13 de Agosto último.
Segundo o folheto recém-distribuído o programa é o que segue:

22 SET - TRIO BERNARDO SASSETTI (POR): Bernardo Sassetti (piano), Carlos Barretto (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).

23 SET - MOUTIN REUNION QUARTET (FRA + EUA): Stéphane Guillaume (saxofones tenor e soprano), Pierre De Bethmann (piano), François Moutin (contrabaixo), Louis Moutin (bateria).

24 SET - SHEILA JORDAN + SERGE FORTÉ TRIO (EUA + FRA): Sheila Jordan (voz), Serge Forté (piano), Marc-Michel Le Bévillon (contrabaixo), Stéphane Grémaud (bateria).

29 SET - QUINTETO RODRIGO GONÇALVES (POR + ESP): Libert Fortuny (saxofone alto), Mário Delgado (guitarra), Rodrigo Gonçalves (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).

30 SET - CHRISTIAN BREWER QUINTET (UK): Christian Brewer (saxofone alto), Jim Hart (vibrafone), Leon Greening (piano), Tom Herbert (contrabaixo), John Blease (bateria).

01 OUT - BEN ALLISON QUARTET (EUA): Ron Horton (trompete), Steve Cardenas (guitarra), Ben Allison (contrabaixo), Michael Sarin (bateria).

local: Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras.
dias: Quintas, Sextas e Sábados, 22h00.
bilhete diário: plateia 6 € / balcão 5 €.
bilhete ciclo: plateia 30 € / balcão 25 €.
informações: DCT/Sector de Acção Cultural tel.: 21 440 85 822/24 - paulo.afonso@cm-oeiras.pt

HAJA SWING !


Cumprimentos,
José António
Oeiras, Portugal.

nota: esta mensagem é simultaneamente distribuída aos grupos 'OeirasReminiscente' em http://br.groups.yahoo.com/group/OeirasReminiscente/ e 'o Olharapo de Oeiras' (mailing list privada).

sexta-feira, agosto 26, 2005

A Bela e o Monstro ???




A Bela e o Monstro ou o Anjo e o Demónio?
E qual é qual?

Só 'tou perguntando.
Quem souber, responda. :)


"Livrai-vos de cuspir contra o vento" - Zaratustra

domingo, agosto 14, 2005

o comboio do fantasma



Muito se tem criticado o SATU: que ninguém o usa, que só serve para fazer despesa, a gastar energia, a pagar a técnicos, porque anda ali para cima e para baixo o dia todo, sempre vazio.
Que anda para cima e para baixo o dia todo, enfim, agora VAZIO... não é de todo verdade!
Basta um salto ao Site da Câmara Municipal de Oeiras, para o ver o dia todo de um lado para o outro, é certo, mas olhando com atenção vê-se dentro dele a figura fantasmagórica do Marquês de Pombal, que nunca em vida deve ter sonhado um dia andar-se a passear numa página de Internet.

O SATU pode não servir para mais nada, mas serve para passear o fantasma...

Ah, e já agora, por falar em Marquês: Bem que se podiam lembrar do triste e quase invisivel monumento ao Marquês de Pombal colocado na beira da Rotunda do Marquês, na Qta. do mesmo nome, e dar-lhe um pouco mais de DIGNIDADE, não?

sábado, agosto 13, 2005

JAZZ em Oeiras



Meus Caros, é sempre de saudar!
Segundo o anúncio publicado no Roteiro da Câmara Municipal de Oeiras, 30 DIAS de Agosto de 2005, vamos ter JAZZ em Oeiras.
Ainda segundo o mesmo, o programa é o que segue:

Trio Bernardo Sassetti (POR).
Moutin Reunion Quartet (FRA + EUA).
Sheila Jordan + Serge Forté Trio (EUA + FRA).
Quinteto Rodrigo Gonçalves (POR + ESP).
Christian Brewer Quintet (UK).
Ben Allison Quartet (EUA).

22 SET a 1 OUT 2005.

local: Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras.
dias: Quintas, Sextas e Sábados, 22h00.

HAJA SWING !

segunda-feira, agosto 08, 2005

o carteiro do P.S.

Seriam umas 11:50 quando hoje soou a campainha da porta. O timbre indicava que era a campainha da entrada do prédio e não a do patamar. Pensei "a esta hora se calhar é publicidade... ou algum pedinte" e continuei na minha árdua tarefa de me barbear. A minha mulher estava a pé, ela iria à porta atender.
Poucos minutos depois, completas as minhas abluções, saí da casa-de-banho e ao cruzar-me com ela perguntei-lhe "Quem era?", "O carteiro" respondeu-me.
Estranhei porque o mesmo só costuma aparecer lá pelas 12:30, mas talvez hoje estivesse acelerado coisa estranha num dia quente de verão talvez estivesse esfomeado.

Seja como for, o carteiro costuma escolher o andar para onde toca para a abertura da porta do prédio escolhendo um dos andares para o qual haja correspondência lógica de carteiro que me faz lembrar Neruda.
Como trabalho em casa sou muito caseiro e o tipo já me apanhou a presença lareira além de eu receber muitas contas para pagar, o botão da minha campainha já está metido para dentro com a impressão digital do carteiro... é por isso que sei bem a que horas ele costuma aparecer e aquela lógica dele para escolher para casa de que condómino vai tocar.
A minha lógica simples e geral dizia-me então que se ele tinha tocado para mim então logo existo e então eu tinha certamente correspondência na minha caixa de correio. Pois é. Mas desta feita a minha pobre lógica deixou-me ficar mal.
Quando pelas 12:26 desci para ir almoçar abri a caixa de correio para ver se seria mais uma das habituais continhas...

Oh! Espanto!
Lá dentro, um simples envelope branco com alguns dizeres impressos na frente, nos cantos superiores dum lado "oeiras a mudança tranquila www.oeirastranquila.com", do outro lado "infomail", e sem qualquer selo, carimbo ou vinheta, logo não tinha vindo pelo correio, tinha sido posto em mão. A caixa nada mais continha nenhuma correspondência.
Cheirou-me a esturro mas curioso, abri o envelope, para constatar apenas que envelopava uma missiva impressa dum dito cujo candidato socialista às eleições autárquicas a convidar-me a votar nele por ele e o partido dele se acharem o mÁximo!

Por acaso, ainda estou algo indeciso sobre o meu sentido de voto. Oeiras não é um Concelho onde a escolha seja fácil, em particular para quem nutre por ele um sincero carinho. E por 'indeciso' refiro-me a todo o espectro político da Esquerda (ou aparentado.)
Mas se eu não estava inclinado para o P.S. então agora é que posso dizer que neles não voto de certeza!
Pois se para fazerem campanha eleitoral vale tudo, vale até o tipo ou tipa ou afim que anda a distribuir a propaganda MENTIR aos munícipes e fazer-se passar pelo carteiro para garantir que lhe franqueiam a entrada, imagino como serão com o poder...

p.s. (o scriptum...): curioso a dita missiva mencionar coisas como qualidade de vida obras estruturantes acessibilidades creches infantários trabalhadores famílias felizes fóruns provedores web (leia-se micro$ofre e windows) e etecéteras, e não ter uma única menção à palavra CULTURA... olhem que esta já foi inventada... há muitos anos...


NISI CREDIDERITIS NON INTELLIGETIS

segunda-feira, junho 27, 2005

COOL JAZZ FEST

Caros visitantes:

Aproxima-se a segunda edição do COOL JAZZ FEST, que se realiza de 10 a 30 de Julho de 2005.
Do programa sobressaem os 3 primeiros espectáculos, que terão lugar em Oeiras:
10 - Us3 - Casa da Pesca, Oeiras
12 - José Feliciano - Casa da Pesca, Oeiras
13 - Thievery Corporation - Casa da Pesca, Oeiras
16 - Maria Bethânia - Jardim do Cerco, Mafra
26 - Mariza - Cidadela, Cascais
27 - Jaime Cullum - Cidadela, Cascais
30 - Marianne Faithfull - Cidadela, Cascais
Todos os espectáculos começam às 22 h.

No site oficial pode ler-se, cito: "A primeira edição do COOL JAZZ FESTIVAL, decorreu de 9 a 26 de Julho de 2004, em várias salas dos concelhos de Mafra, Sintra (Património Mundial da Unesco), Oeiras e Cascais. A escolha recaiu sobre estes locais por serem zonas emblemáticas, descontraídas, reconhecidas como locais turísticos ao nível nacional e internacional e, de certa forma, associadas à música, ao lazer e à descontracção.
Em cada concelho os espaços escolhidos, históricos, bucólicos e intimistas, acolheram este Festival num ambiente único, abrilhantado com as actuações de Ravi Coltrane, Adriana Calcanhotto, Roy Ayers Camané, Ed Motta, Barbara Hendricks & the Magnus Lindgren Jazz Quartet, Jacinta e Buddy Guy.
Em 2005, o desafio continua, trazer artistas de qualidade, dentro do conceito do Cool Jazz Fest.
As palavras de ordem do 1.º COOL JAZZ FESTIVAL são: criatividade, fusão e liberdade musical, diversão e descontracção.
Tendo como referência festivais consagrados como Tim Festival (Brasil) e o Festival de Jazz de Montreaux (evento que vai já para a 38ª edição e hoje em dia apresenta também derivações e fusões com outros estilos musicais, que não só o Jazz), este evento pretende – reconhecendo ainda a sua fase embrionária – assumir-se como um evento de referência no panorama musical português.
A constatar pelo calibre dos nomes que compõem o cartaz do COOL JAZZ FEST’2005 – Jamie Cullum, Marianne Faithfull, José Feliciano, Us3, Mariza, Thievery Corporation, Maria Bethânia -, acreditamos que a 2.ª edição deste festival será novamente um sucesso."

Mais informações no Roteiro 30 Dias de Julho (editado pela CM Oeiras) e em http://www.cooljazzfest.com/

HAJA SWING !

quinta-feira, junho 16, 2005

lembrete

ADIAFA !

Amanhã, às 22 h., no PICADEIRO, Jardim Municipal de Oeiras, os ADIAFA !

quinta-feira, junho 02, 2005

música nas Festas de Oeiras

Olá Visitante.
Estão quase a começar as tradicionais Festa de Oeiras!

Ora, é o calor e as noites quentes de Verão... são os Santos Populares e os bailaricos... é a bela sardinha assada e o valente chouriço assado... o que quer que seja, acompanhado dum bom tinto alentejano... talvez seguido dum passeio nocturno à beira-rio / beira-mar, em boa companhia... são coisas a convidar a não ficar em casa!

Para quem gosta de música, destaco do programa das Festas (03-19 Junho), para quase todos os gostos:

03, sex., 22:00 - Rui Veloso - Parque dos Poetas, Oeiras.
04, sab., 22:00 - Tony Carreira - Palco da Feira, Oeiras.
05, dom., 22:00 - Paulo de Carvalho e Banda - Palco da Feira, Oeiras.
06, seg., 22:00 - Camané - Largo 5 de Outubro, Oeiras.
09, qui., 22:00 - André Sardet - Fábrica da Pólvora, Barcarena.
10, sex., 22:00 - Pedro Miguéis - Palco da Feira, Oeiras.
11, sab., 22:00 - Vitorino e Banda - Centro Cívico de Carnaxide.
17, sex., 22:00 - ADIAFA - Palco da Feira, Oeiras.
18, sab., 22:00 - Madredeus - Casa da Pesca, Oeiras.
19, dom., 22:00 - Pedro Abrunhosa - Zona Ribeirinha, Algés.

nota: este apontamento é passível de erros e omissões pelo que aconselho a que o programa oficial seja consultado no site da Autarquia, em http://www.cm-oeiras.pt/

Bom fim-de-semana e boas sardinhadas!

quinta-feira, maio 26, 2005

Oeiras Local - informaçao

Olá !
Hoje não trago uma estória mas uma informação.
Venho divulgar um outro blog de cuja existência tomei há dias conhecimento, e que me parece merecer destaque e uma visita.
Chama-se Oeiras Local, debate temas relacionados com o Concelho de Oeiras e, pelo que me pareceu, fá-lo com um espírito bastante democrático.
Podem encontrá-lo aqui: http://oeiraslocal.blogspot.com/

Até já!

sábado, maio 07, 2005

in memoriam - António Martins

Este texto é uma pequena e breve homenagem a um homem que, se fosse vivo, faria hoje 126 anos e que conheceu Oeiras muito antes de eu ter vindo ao mundo.



ANTÓNIO FERREIRA MARTINS nasceu a 7 de Maio de 1879 em Albergaria-a-Velha, filho de Ana da Silva dos Santos. Não lhe conheço nome de pai mas tê-lo-ia certamente como todos nós e, segundo o meu pai, que o conheceu bem pois foi educado por ele, ele sabia quem era o seu progenitor (há quem diga que era o patrão de sua mãe...)
A crer no Bilhete de Identidade 118336-A, datado "Lisboa, 28 de Outubro de 1941", era um homem baixo, 1.60 m., e tinha olhos castanhos.

Sou bisneto dele e a partir daqui vou referir-me a ele como o 'avô', pois foi assim que sempre ouvi referi-lo, ao longo de toda a minha vida. Não só pelo meu pai, seu neto por parte de mãe, mas por todos os familiares, incluindo o meu ramo materno, pois o avô foi uma referência e um pilar de toda a família enquanto foi vivo, e ainda é recordado com profunda saudade por todos.

Enviuvou de Candida Mendes Martins, sendo uma das filhas deste casamento Hortense Martins. Esta Hortense é a mãe de meu pai, e portanto Candida é avó de meu pai.
Casou em segundas núpcias com Sofia da Silva, de quem, aliás, não houve descendência.
E aqui começa a desenhar-se o motivo que o tornou um pilar central da família.
Sofia era irmã de Angelina, minha avó materna, logo era tia da minha mãe.
O avô era avô do meu pai, este casado com a minha mãe, logo era 'avô adoptivo' desta...
Sofia era mulher do avô, avô do meu pai, logo 'avó adoptiva' dele...
O avô era marido de Sofia, tia da minha mãe, logo 'tio adoptivo' dela...
Sofia era tia da minha mãe, casada com o meu pai, logo 'tia adoptiva' dele...
Assim, o avô era simultaneamente avô e 'tio adoptivo' do meu pai, e Sofia era tia e 'avó adoptiva' da minha mãe! Os meus pais, além de esposos, são 'primos adoptivos'!!!
Claro que com esta relação entre os dois ramos familiares, toda a gente se sentia 'neto' do avô, p.ex. os irmãos da minha mãe, os primos dela, etc.

Desconheço o percurso do avô desde que saiu da terra onde nasceu até se fixar em Lisboa. Sei que trabalhou na Metalúrgica de Benfica, julgo que era uma fundição, onde terá fundido os candeeiros de ferro que rodeiam o obelisco dos Restauradores. Orgulhava-se, aliás, de o ter feito, pois fundiu-os em peça única, contrariando a opinião do engenheiro, que considerava tal coisa impossível e que após constatar os bons resultados do trabalho, deu o braço a torcer e fez questão de desfilar de braço dado com o avô pela oficina, entre alas formadas pelos operários. O engenheiro de fato e gravata, o avô de fato-macaco sujo e encardido... O avô contava esta história com grande orgulho e entusiasmo, segundo testemunhos. Sei que mais tarde, já comerciante, a sua firma teve relações comerciais com esta empresa.

Desconheço também o que aconteceu até casar com a minha tia-avó Sofia.
Tanto quanto sei, ela, empregada numa fábrica ou oficina, conheceu-o por via do armazém de velharias (ferro-velho, sucatas) que o avô tinha em Alcântara ao lado do local de trabalho dela... ele, homem dos seus cinquenta e tal anos... ela, moçoila de vinte e poucos anos... e as coisas aconteceram...
Como certo tenho que o avó, era um comerciante ligado à indústria.
Tinha o citado armazém de 'trastes' em Alcântara. Talvez tenha começado aqui a sua actividade comercial.
Sobre esta actividade há uma história trágica. Alguns operários da firma do avô tinham ido a uma fábrica, relacionada, ao que se sabe, com gás, desmontar alguns equipamentos ou máquinas. Estas teriam sido adquiridas pela firma do avô à tal fábrica, que certamente já não necessitava delas, para serem vendidas como sucata. Quando estavam a trabalhar ocorreu uma explosão que, tanto quanto sei, matou um ou dois dos operários. O avô pagou uma choruda indemnização às famílias, pois estes operários estavam a trabalhar numa situação ilegal.
O mencionado armazém talvez pertencesse à empresa de sucata, de grande dimensão, "Martins & Cadório, Lda." da qual o avô era sócio, julgo que ou maioritário ou com metade das quotas, ou não faria sentido o seu nome aparecer na designação da firma. Ou talvez esta firma tenha nascido a partir da actividade daquele armazém.
Para dar uma ideia da dimensão desta empresa, à data da morte do avô, estava acostado no cais de Alcântara um velho cargueiro que a empresa tinha adquirido para desmantelar e vender a sucata resultante às fundições.
Negociavam sobretudo com fábricas e fundições, de metalurgia e metalomecânica, e por isso a sua ligação a Oeiras, por via dos negócios que tinha com a Fundição de Oeiras.

Era grande amigo do Cardoso, que foi dono da Fundição de Oeiras, e frequentava a casa deste, nesta localidade, junto à estação da CP.
Julgo saber que o Cardoso apenas terá adquirido a Fundição de Oeiras nos anos 40. Desconheço se este Cardoso já tinha alguma ligação anterior com esta. Talvez fosse engenheiro e lá tivesse trabalhado antes de a adquirir, o que era algo comum na época. Tenho documentos fotográficos de visitas do avô ao que ele chama a "Quinta do Cardoso" datadas de 29 de Agosto de 1926 que mostram o avô e o Cardoso na casa deste. Isto demontra que o avô já conhecia o Cardoso nesse ano e também que já frequentava Oeiras nessa época. Disto presumo que talvez nessa altura já existissem relações comerciais entre a "Martins & Cadório, Lda" e a "Fundição de Oeiras".
Era ainda sócio da "Sociedade Ultramarina de Conservas, Lda.", proprietária duma fábrica de conservas, situada em Cabo Verde. Fábrica esta que, segundo ouvi, na Segunda Guerra Mundial forneceu os exércitos alemães. Há poucos anos esta fábrica ainda se encontrava em laboração.
Foi por esta via que a família conseguiu contornar parcialmente o racionamento imposto pela guerra. O avô recebia, na sua qualidade de 'patrão', latas de atum em sua casa que distribuía pelos familiares. Eram umas latas redondas, umas mais pequenas e outras maiorzinhas.
A minha mãe conta a propósito deste período negro da nossa história, que alguém, não sei quem, ia à "Sena Sugar Estates" (antiga "Refinaria Colonial"), fábrica de açúcares em Alcântara, onde em tempos tinha trabalhado o meu avô Júlio Baptista como guarda-livros, buscar açúcar, que lhe era fornecido em pacotes com torrões quase negros de açúcar. Talvez o chamado 'açúcar mascavado' (tenciono falar um destes dias dos meus avós e daquele período 'fantástico' dos anos 20-30 em que viveram, se a tanto me ajudar engenho e arte...) O edifício desta refinaria foi demolido há poucos anos (por volta de 1993 a refinaria foi abandonada). Era um enorme edifício de tijolo e situava-se junto da estação da CP. Tenho uma vaga ideia de que o mesmo chegou a pertencer à Sidul/Sores. Quanto à Sena Sugar, encontrei na Internet referências à empresa que a situam actualmente na África do Sul.

O avô gostava de passear: Espanha, França, Marrocos, foram locais onde veraneou em turismo, sempre acompanhado da esposa Sofia. Chegou mesmo a fazer-se acompanhar dos meus pais nalguns desses passeios turísticos, quando eles eram namorados.
Era, certamente, um homem duro e rigoroso. O meu pai conta que um dia levou um valente estaladão do avô, e já tinha 18 anos, por este o ter surpreendido a fumar um cigarro! Segundo o meu pai, estava distraído a sorver o fumo da sua cigarrada quando o avô surgiu por trás sem que ele se apercebesse e de repente... Plaf!, sai um chapadão! O avô não tinha dado autorização ao meu pai para fumar, daria mais tarde, e não admitia abusos.
Do seu carácter sobressai também que era um homem que gostava da boa mesa. Frequentava as melhores casas de Lisboa, como o Martinho da Arcada e o Tavares Rico, onde se reunia com os amigos frequentemente em grandes comezainas que, aliás, parece que ele é que pagava e por isso estava sempre rodeado de muitos amigos.... Existem muitos documentos fotográficos que o comprovam.
O meu pai conta a este propósito uma história, creio que passada no Martinho, que demonstra bem o seu apetite voraz: Era hábito o avô comer sopa, e aquele dia não foi excepção. O empregado, solícito como sempre, que as gorjas eram avultadas, trouxe a sopa do costume. Mas esta não encheu as medidas do avô, e ele pediu outro prato de sopa, que o empregado trouxe de imediato. Contudo o avô estava num dia de particular apetite e esta segunda sopa teve que ser seguida por outra... e outra... e outra... até o empregado se acercar embaraçado, acompanhado do cozinheiro, e comunicarem, após milhões de desculpas, ao "Sr. Martins que já não tinham mais sopa". O avô tinha, literalmente, devorado 19 pratos de sopa!

Entre os seus grandes amigos, e refiro-me aos verdadeiros, contava-se também o Sr. José Gonçalves Monteiro, proprietário da conhecida Casa Monteiro, na Baixa lisboeta. Sobre este Sr. Monteiro corre também uma história na família: Ao que parece, ele era casado (D. Laura) mas não tinha filhos. Talvez problema dele, talvez da esposa. A verdade é que se sentia infeliz por não ter descendência a quem deixar o seu 'império', conquistado à custa de tanto esforço. Refiro-me em especial à Casa Monteiro, na Baixa Lisboeta. Um dos grandes armazéns lisboetas, rival dos Armazéns do Chiado e da Casa Grandela. Diz-se que, quando eu nasci, o Sr. Monteiro ofereceu 300 contos, uma imensa fortuna na época (1957), ao meu pai, que trabalhava lá na casa, para abdicar da minha paternidade e permitir que ele me aperfilhasse e que eu fosse viver com ele e a mulher para ser educado por eles, como filho deles, e assim tornar-me herdeiro dele. O meu pai recusou... quem me conhece nota...

Só me lembro de ter visto o avô uma única vez. Apenas uma, mas é uma imagem que se gravou a fogo na minha memória, e se tornou indelével. Foi pouco antes de ele falecer e eu teria os meus 3 anos.
Foi na casa que ele habitava, num prédio da Rua Domingos Sequeira, na Estrela.
Lembro-me de ter entrado numa sala ou quarto, mergulhado na semi-obscuridade, no centro do qual estava um senhor idoso imóvel, sentado numa enorme poltrona. Parece-me recordar que tinha um cobertor sobre as costas e outro sobre as pernas. Estava bastante agasalhado. Alguém, talvez o meu pai, disse "zézinho, este é o teu bisavô". Aproximei-me dele levemente, olhei-o com os meus olhinhos infantis e curiosos, e julgo que me acariciou os cabelos. Nunca mais o vi.

Por vezes penso no quanto ele saberia sobre Oeiras, como esta era quando ele a visitava. A estação de comboios, as ruas, as quintas, a praia, o ar... O que ele sentia e o que os seus olhos viam quando aqui vinha. Como eram as casas, as gentes... tantas perguntas que eu teria para lhe fazer...

Pois é, gostava de ter conhecido o AVÔ.


post scriptum: indo a http://homepage.mac.com/zetolas/Hueiras/PhotoAlbum9.html - ou clicando AQUI -, pode ver algumas das citadas fotografias do avô em Oeiras em 1926.